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Cohousing: a boa e velha opção de dividir o apartamento para reduzir as despesas

Thiago Conceição*
Por Thiago Conceição*
Para Camila Reis, a cohousing ajudou na redução de custos e na adaptação
Para Camila Reis, a cohousing ajudou na redução de custos e na adaptação - Foto: Margarida Neide | Ag. A TARDE

Cerca de 63% dos brasileiros já vivenciaram ou poderiam se adaptar ao estilo da cohousing, forma de moradia onde espaços e recursos comuns são compartilhados. É o que apresenta a mais recente pesquisa sobre consumo colaborativo no Brasil, divulgada no início deste semestre pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL).

No Edifício Nossa Senhora de Lourdes, no bairro Dois de Julho, em Salvador, a estudante Camila Reis, de 24 anos, divide um apartamento de três quartos com outras cinco pessoas. Há um ano, para se manter no curso presencial do bacharelado interdisciplinar de artes, na Universidade Federal da Bahia (Ufba), ela precisou sair da cidade de Canavieiras para a capital.

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Entre os motivos pela escolha da cohousing, a economia gerada pela divisão das despesas do imóvel foi o principal fator. Além dos custos com gás, luz e internet, o valor relativo ao aluguel do apartamento é dividido entre os seis moradores.

Economia

"Dividir o apartamento foi a escolha financeira mais viável. É complicado pagar sozinha o valor de aluguel de um local próximo da universidade. Para se ter uma ideia, após realizar uma pesquisa de aluguéis de apartamentos na internet, notei que a média para o bairro fica em torno de R$ 1.100 por mês. No meu caso, graças ao compartilhamento da moradia com outras pessoas, consigo pagar apenas R$ 284 mensais", conta a estudante.

Depois do benefício para o bolso, a atmosfera de interação com outras pessoas, construída pelo sistema de partilha da moradia, é outro ponto destacado pela estudante: ao dividir o espaço do apartamento, Camila formou amizades que contribuíram para o processo de adaptação em Salvador.

"A pessoa que se muda do interior para a capital pode se sentir sozinha, distante das coisas que acontecem na cidade grande. Ao dividir a casa com terceiros, a adaptação pode ficar bem mais fácil. Hoje, residem comigo amigos, não mais desconhecidos. É como constituir uma nova família", diz Camila.

Assim como foi o caso de Camila, na busca por alternativas de moradia, cerca de 36% dos brasileiros têm a Internet como opção para conhecer a estratégia de imóvel compartilhado, de acordo com o levantamento do SPC Brasil e da CNDL. Na hora da negociação, as redes sociais surgem como as principais ferramentas de interação das pessoas que pretendem realizar a cohousing.

Planejamento

Apesar da praticidade do ambiente digital, apenas 14% das pessoas buscam viver no esquema comunitário com desconhecidos, segundo a pesquisa de consumo colaborativo. Para José Vignoli, educador financeiro do SPC Brasil, o dado é fruto da insegurança na correta divisão e pagamento das despesas do futuro imóvel.

"É preciso fazer um planejamento para o pagamento da despesa não ficar individualizado, centrado em alguém que possa terminar contraindo prejuízos financeiros. No Brasil, ainda existe a questão da confiança em terceiros, especialmente quando eles passam a morar no mesmo imóvel", explica Vignoli.

Caneta e papel na mão, a estudante Ina Samara, de 27 anos, é responsável pelo cálculo das despesas do apartamento de três quartos que divide com outras duas pessoas no Condomínio Paralela Park, localizado no Trobogy. A cohousing faz parte do seu estilo de vida há cinco anos.

"Devido à minha organização metódica, nunca passei por problemas, como a falta de pagamento de alguma conta do imóvel. Para ter mais segurança, quando vai ficar disponível uma vaga no apartamento, faço a divulgação no Facebook e olho o perfil dos interessados", conta Ina.

Por ter feito o planejamento da divisão do apartamento pelo número de quartos, um para cada pessoa, Ina afirma que o conforto e a privacidade dos residentes são preservados.

Segundo a estudante, o mercado imobiliário não tem apresentado boas oportunidades de custo-benefício. "Antes de morar na Paralela, realizei uma pesquisa de preço de aluguéis pela cidade, onde notei que, em bairros nobres, o preço fica acima de R$ 1 mil. Além disso, as casas que apresentavam a melhor relação custo-benefício ficavam em bairros periféricos, distantes do centro. Posso dizer que morar sozinha em Salvador não é nada barato", conclui.

* Sob a supervisão da editora Joyce de Sousa (interina)

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