CADERNO IMOBILIÁRIO
Construtoras levam áreas de lazer para imóvel popular
Itens encontrados em produtos de médio e alto luxo chegam aos econômicos

Academia, bicicletário, pet play, espaço gourmet, piscina, vagas de garagem para todas as unidades. Se, antes, esses itens de lazer eram encontrados apenas em empreendimentos de médio e alto padrões, hoje eles são oferecidos também em projetos financiados pelo Minha Casa Minha Vida.
Esse movimento foi possibilitado não só por mudanças nas regras do programa e pelos consumidores, que se tornaram mais exigentes, mas também pela concorrência entre as construtoras e incorporadoras, diante de um segmento que vem puxando o crescimento do mercado imobiliário.
Alterado para Casa Verde e Amarela, o programa já voltou a se chamar Minha Casa Minha Vida, segundo informações do Ministério das Cidades. Entre as mudanças previstas para o novo governo está dar um foco maior à chamada “faixa 1”, que é a categoria destinada a famílias com rendimento bruto de até R$ 2,4 mil.
Mas, nas atualizações mais recentes, o programa aumentou de R$ 7 mil para R$ 8 mil o limite de renda para acesso ao financiamento, e reajustou o valor máximo dos imóveis de R$ 209 mil para R$ 219 mil em capitais, como Salvador.
Para Antônio Carlos Oliva, gerente geral de vendas da Pejota Empreendimentos, foram justamente as mudanças no teto do valor dos imóveis financiados pelo programa que contribuíram para o movimento de levar infraestrutura completa para esse tipo de produto.
“O programa sofreu algumas modificações. Isso ajudou muito, hoje já dá para colocar toda infraestrutura de lazer nesses projetos, agregar valor ao empreendimento, com um preço mais acessível, dentro do teto do programa”, afirma.
No condomínio Vivver Ulysses, da Pejota, além de piscina e academia climatizada, os moradores contam com pet play, área gourmet, quadra poliesportiva coberta e ainda um espaço hortifruti, para cultivo de frutas e legumes. O empreendimento, localizado no bairro de Sussuarana, ainda está em obras, mas já foi 100% vendido, com uma média de preço de R$ 230 mil.
De acordo com Oliva, apesar de toda a infraestrutura de comodidades, há também a preocupação com as taxas condominiais.
“Temos, por exemplo, energia solar nas áreas comuns justamente para baratear o valor do condomínio. A média (da cota condominial) nos nossos empreendimentos fica em torno de R$ 180, um preço acessível para toda essa infraestrutura”, conta o gerente.
Também da Pejota, o Vivver Novo Horizonte já foi entregue, mas há ainda nove unidades disponíveis, por uma média de R$ 240 mil. Por lá, as áreas de lazer seguem o mesmo estilo: piscina, churrasqueira, salão de festas, bicicletário, espaço fitness ao ar livre e ainda área para pets. São apartamentos com dois quartos, suíte e varanda em 49 m².
Para o gerente geral de vendas da Pejota, a intensa concorrência neste mercado é mais um dos fatores que tem contribuído com esse movimento de levar infraestrutura completa para imóveis do Minha Casa Minha Vida. Em 2022, o segmento de imóveis de baixa renda puxou para cima o desempenho do mercado imobiliário no terceiro trimestre.
De acordo com um levantamento realizado pela Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), enquanto a busca por imóveis novos de médio e alto padrão aumentou apenas 3,1%, entre o segundo e terceiro trimestres, a procura por apartamentos do então programa Casa Verde e Amarela teve um salto de 16,7% no mesmo período.
Gerente de incorporações da incorporadora Sertenge, André Ferreira acredita também que uma mudança no perfil dos consumidores desse tipo de produto contribuiu com esse movimento. Eles têm ficado cada vez mais exigentes com relação aos itens de lazer, diz ele.
No Seletto Salvador Norte, investimento da Sertenge, o destaque vai para a arena multiesporte, com espaço para crossfit, exercício funcional, vôlei e beach tênis. Além disso, o empreendimento, ainda em obras, contará com piscina adulto e infantil, quiosque gourmet, salão de festas, parque infantil, pomar, bicicletário e um espaço projetado para que os moradores interajam e se exercitem ao ar livre.
Localização
O empreendimento terá 16 torres e apartamentos com dois quartos custando a partir de R$ 182 mil. Ferreira reconhece que toda essa infraestrutura na área de lazer deixa maior o valor do imóvel e condomínio, mas, de acordo com ele, algumas características específicas desse segmento tornam possível oferecer produtos com um valor mais acessível.
“A localização desses imóveis, que é de fácil acesso, mas não necessariamente em áreas nobres, o processo construtivo industrial e o tamanho dos apartamentos ajudam a tornar financeiramente mais acessíveis. Com a maior quantidade de unidades também é possível ratear os custos por um número maior de área privativa de vendas”, explica.
Para Marcelo Campos, corretor da imobiliária Affonso Henriques, a infraestrutura de lazer tem se fortalecido cada vez mais como um pré-requisito importante na busca pelo imóvel, mesmo entre o público do Minha Casa Minha Vida.
“Isso é mais forte ainda entre os casais com filho. Eles já perceberam que podem ter acesso a todos esses itens, e levam em consideração na hora da escolha”, conta o corretor.
A principal barreira, segundo Campos, tem sido a localização. De acordo com ele, bairros como Cajazeiras, Sussuarana, Valéria, Novo Horizonte e Abrantes, em Lauro de Freitas, são os que mais têm recebido esse tipo de empreendimento. “Muitas vezes, o cliente acaba ficando na dúvida entre estar em um bairro mais central ou ter toda essa infraestrutura, mas em um bairro mais afastado”, conta.
De acordo com Campos, o segmento mais econômico tem ganhado tanta força que construtoras antes especializadas em empreendimentos de médio padrão acabaram entrando também neste mercado. Por isso, para ele, a qualidade das áreas de lazer dos projetos acaba sendo a mesma encontrada na infraestrutura de condomínios de classe média alta.
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