CADERNO IMOBILIÁRIO
Mais jovens buscam imóveis com área de lazer
Em contrapartida, mais velhos costumam priorizar o aspecto da segurança


Nova consumidora no mercado imobiliário, a chamada Geração Z - nascidos no final dos anos 1990 - já chegou sabendo o que quer no primeiro imóvel e com preferências um tanto diferentes das gerações anteriores. Enquanto os mais velhos buscam segurança e espaço, os mais jovens, ávidos por praticidade e instantaneidade, têm como fatores determinantes uma área de lazer completa no condomínio e a proximidade com os serviços do dia a dia. Pelo menos é o que aponta um levantamento realizado pela plataforma Apto.
O casal Samara e Átila Santos compartilhavam das preferências da geração Z. Aos 25 anos, eles compraram o primeiro imóvel em março deste ano e se preparam para fazer a mudança nas próximas semanas. Antes mesmo de fazer as visitas, eles já sabiam que não queriam um empreendimento sem área de lazer.
“Apenas um prédio não nos interessava. Queríamos ter uma variedade de atividades dentro do condomínio, por isso o empreendimento que escolhemos tem piscina, academia, parquinho, salão de festas. Tudo isso era importante para a gente”, conta Átila.
Além da infraestrutura de lazer, o levantamento da plataforma apontou bicicletário, pet places, coworking, wi-fi nas áreas comuns e o financiamento pelo Casa Verde e Amarela como os principais atrativos para a geração Z no mercado imobiliário.
Com 35 anos, a psicóloga Liliane Carmen é da geração Y. Junto com o noivo, ela também comprou seu primeiro imóvel neste ano. Para eles, a infraestrutura do condomínio era algo que influenciava na decisão da compra, mas não tão primordial quanto a localização e o tamanho do imóvel. A prova disso é que eles acabaram abrindo mão dessa das opções com área de lazer na hora de escolher o apartamento.
Para o corretor de imóveis Marley Amaral, a geração Z chegou ao mercado imobiliário como um dos consumidores mais exigentes. “Eles querem toda a comodidade dentro do próprio condomínio. Principalmente piscina e academia, porque é muito forte entre eles a necessidade de fazer uma atividade física. Já os mais velhos não estão tão interessados nessa infraestrutura”, conta o corretor.
Outra diferença entre as gerações, segundo Marley, é o tamanho do imóvel. Enquanto a geração mais jovem busca justamente um apartamento compacto, os mais velhos querem mais espaço, com no mínimo três quartos. Esse era o desejo inicial de Liliane, já que a expectativa é aumentar a família nos próximos anos. Já Átila e Samara, desde o início, buscavam algo menor. A ideia do casal era um apartamento que não desse trabalho para limpar e organizar.
“Essa geração mais jovem acaba passando boa parte do tempo fora de casa, por isso eles não têm rejeição a um apartamento compacto, muito pelo contrário. Ainda assim, quando estão em casa, querem ter toda a praticidade e comodidade dentro do próprio condomínio”, explica o corretor.
Endereço e praticidade
A localização também influencia nessa praticidade buscada pela geração Z. É por isso que, segundo o corretor Agnaldo Cunha, a proximidade com os serviços do dia a dia é fundamental para esse público. O levantamento da Apto, por exemplo, apontou a preferência por imóveis perto de hospitais, faculdades, estações de metrô ou trem, shopping e com comércio de rua.
Esse foi um dos principais critérios utilizados por Átila e Samara: eles queriam um apartamento próximo da família, mas que também garantisse acessibilidade nas rotinas deles. Acabaram optando por empreendimento no bairro da Paralela, que é, segundo o corretor, um dos que mais têm agradado aos jovens em Salvador.
Cunha aponta ainda que a busca por praticidade influencia também no comportamento dessa geração na trajetória de procura pelo imóvel ideal. De acordo com ele, enquanto os mais velhos focam no atendimento presencial, os mais jovens priorizam fazer todas as tratativas e operações iniciais utilizando plataformas digitais.
Foi assim com Átila e Samara. Eles passaram cerca de seis meses pesquisando sobre a compra de um imóvel e navegando em sites de vendas e divulgação de empreendimentos. Só depois de tudo isso, eles buscaram uma corretora. Já Liliane não perdeu a oportunidade de ir presencialmente a um feirão imobiliário e lá teve o primeiro contato com o condomínio de seu apartamento.
“Já fomos decididos sobre o que queríamos e quais eram as nossas prioridades. Passamos muito tempo pesquisando, buscando informações na internet, buscando imóveis, até chegar a uma corretora. Isso nos ajudou muito”, lembra Átila.
Para Cunha, esse comportamento de Átila e Samara representa a Geração Z na hora de tomar a decisão de compra. “Eles são muito mais cautelosos, rápidos e já sabem o que querem. Quando chegam para o corretor, eles já pesquisaram, já vêm com todo aquele fluxo de informação. Muita coisa que precisamos explicar eles até já sabem. Por conta desse comportamento, muitas vezes é até mais difícil convencê-los de outra coisa”, opina o corretor.