PALACETE DAS ARTES
Bazá RoZê homenageia o Dia das Mães com 40 expositoras
Primeira feira artística feminista da cidade continua a crescer a gerar frutos

Há quase cinco anos, Salvador recebeu a primeira edição de uma feira diferente. Voltada ao empoderamento feminino por meio de um coletivo formado por artistas, artesãs e artesãos, o BaZá RoZê já é um desses eventos que se firmaram no calendário soteropolitano.
A primeira feira artística feminista da cidade continua a crescer a gerar frutos, sempre desenvolvendo atividades que visam difundir a economia criativa e ações que dialoguem com o universo do empoderamento feminino e econômico com um olhar múltiplo.
Criado pela jornalista e produtora cultural Brenda Medeiros, o RoZê surgiu de todo o apanhado profissional que ela adquiriu enquanto cobria pautas jornalísticas do âmbito da cultura e dos trabalhos como empreendedora que fez, como a Feira de Trocas de Brinquedos e Livros, em parceria com o Movimento Infância Livre, e uma empresa de festas sustentáveis infantis que geriu por um tempo.
A virada de chave para o BaZá, no entanto, só chegou quando Brenda foi convidada para fazer uma consultoria de um centro cultural no Santo Antônio Além do Carmo. “A proposta era fazer assessoria para um grupo de dança contemporânea, mas também para o espaço. Me lancei nessa ideia e foi quando surgiu a primeira feira, o Barabazar. A ideia era que as pessoas queriam um combo de diversão e entretenimento de qualidade, boa música, arte e artesanato. Estava funcionando e eu decidi investir”, lembra a produtora.
Apesar de não ter durado muito tempo, foi por conta do Barabazar que Brenda foi convidada por outro espaço para desenvolver um projeto parecido.
Por solicitação da Casa Rosada, nos Barris, a produtora desenvolveu o BaZá RoZê. A proposta dela era ampliar a feira que já fazia no Santo Antônio e trazer para o novo espaço um conceito alinhado à proposta da casa que iria abrigá-la, uma casa feminista.
“Em 2017, num período bem delicado, véspera de eleição, com o país começando a viver uma crise política, as pessoas estavam efervescendo nas redes, entendendo a potência da rede como empoderamento, sororidade”, lembra Brenda. “E a gente vem com esse conceito de uma feira artística e feminista porque precisamos entender que o nosso empreendedorismo não passa apenas do feminino, acima de tudo ele é feminista”, complementa.
Dos Barris, onde nasceu (Casa Rosada), a feira depois seguiu para o Rio Vermelho (Casa Ninja Bahia – Mídia Ninja), voltou para o Santo Antônio Além do Carmo (Rua Livre), se estabeleceu por um tempo na Barra (Aliança Francesa), visitou o Pelourinho (em uma parceria com a Osba) e, desde dezembro de 2021, a feira acontece no Palacete das Artes (Graça).
Desejo
A jornalista e produora atribui essa itinerância ao desejo de que a feira chegasse também em um público mais tradicional, para que as pessoas entendessem melhor o que elas estavam fazendo, e “não manter nossa relação apenas na nossa bolha”, como ela diz. Brenda acredita que depois de passear por tantos espaços, ela conseguiu atingir um novo público sem perder os antigos, que se firmaram.
“Tem pessoas que vêm do outro lado da cidade, acho incrível quando dizem que são de Lauro de Freitas, Stella Maris, e vão apenas para prestigiar. Acaba sendo uma feira artística feminista, mas também um encontro afetivo. Lá a gente desenvolve desde network a parcerias, reuniões e encontros com amigos”, explica Brenda.
Expositora no RoZê desde 2018, a aposentada e artesã Guta Bastos, da Magu Bordô, pontua que no bazar ela se sente numa irmandade. “Tem o dia do encontro, que são as feiras, mas mantemos um grupo de contato”, conta. “Durante a pandemia a gente se manteve, naquele momento tão difícil, todas ali juntas. Uma segurando a onda da outra. Eu me encontro no RoZê e a feira complementa a proposta do meu trabalho”.
Ela, que por muitos anos trabalhou como arte-educadora, passando por instituições como Fundação Cultural da Bahia (Funceb) e o Teatro Castro Alves (TCA), afirma que hoje se encontra realizada produzindo suas bolsas, carteiras, mochilas e nécessaires, todas feitas com lona de caminhão, em parceria com o artista plástico Ray Vianna, seu companheiro.
Guta revela que desde que começou a expor suas obras no RoZê, percebeu que se tornou mais exigente no seu trabalho. Isso porque começou a entender seu público, as pessoas que vão para a feira.
“Eu vejo o RoZê como um mercado emancipatório. Ele traz uma perspectiva para a gente que vai ter público e as pessoas que vão são pessoas que apreciam nosso trabalho”, afirma.
Com menos tempo de experiência no RoZê, Carol Lola, da Lola Atelier, trocou de profissão dois meses depois de sua primeira participação na feira, em 2019. A empresa em que ela trabalhava formalmente a convocou a ser transferida para São Paulo, o que ela não aceitou, mesmo sabendo que não poderia continuar na empresa desta forma.
Resgate
“Apostei com tudo no meu negócio porque o RoZê me proporcionou essa vivência do empoderamento feminino, me atravessou de uma forma que eu sabia que era meu caminho, me identifiquei, foi um resgate de identidade total. Larguei o mundo corporativo depois de 20 anos e apostei tudo nesse novo mundo de empreender, desse mundo colaborativo que o bazar me trouxe”, afirma Carol.
O carro-chefe da Lola Atelier é a bolsa de feira, mas ela também produz outras coisas numa escala menor para complementar o portfólio. Ela diz que a cada edição da RoZê, alguém dá uma sugestão ou faz uma solicitação e aquele produto vai sendo incrementado na lista de vendas. Todos produzidos artesanalmente.
Neste mês, a RoZê acontece nos dias 6 e 7 de maio, no Palacete das Artes, e tem o título Diverso Amor como tema, em homenagem ao mês das mães. “Queremos mostrar que mãe não é tudo igual. Não somos mães iguais e nem temos filhos iguais, mas todo mundo se respeita pelas diferenças”, explica Brenda Medeiros.
Na edição de maio, cerca de 40 expositoras irão apresentar seus trabalhos, em segmentos como moda, decoração, infância, gastronomia e muito mais. Haverá também uma oficina focada na infância ancestral no dia 6, um espetáculo circense e um show da cantora Ana Paula Albuquerque, no dia 7.
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