GASTRONOMIA
Concurso Comida di Buteco chega à 16ª edição em Salvador
Concurso está na 16ª edição e neste ano são 46 participantes; Evento ocorre até o dia 7 de maio

Comida boa, conversa entre amigos e cerveja gelada – ou ‘bons drinks’, para os que preferem a expressão – o boteco é sinônimo de ponto de encontro e descontração. Para comemorar ou chorar na mesa de bar, o boteco está ali, pronto para receber quem chegar nos dias de chuva ou de céu aberto.
Para os que vão a esses espaços não somente por conta da bebida, mas pelos sabores, existe uma época do ano quando tudo fica com um gostinho especial: a temporada do concurso Comida Di Buteco. Em Salvador, o concurso está na 16ª edição e neste ano são 46 participantes (23 pela primeira vez), até o dia 7 de maio, concorrendo a uma vaga para a disputa nacional.
E além dos petiscos (com valor fixo de R$ 30), as histórias dos estabelecimentos também fazem a cultura dos botecos. O proprietário e chef do Bar Xique-Xique, Sandro Rocha, contou com a mão do destino para leva-lo à cozinha. Ele era comerciante e, certo dia, ao abater um bode, não conseguiu vender a mercadoria. Decidiu, então, cozinhar a carne para que nem tudo se perdesse e isso foi o início de sua relação com a gastronomia.
No ano de 1994 ele veio da sua terra natal (adivinhe? Xique-Xique), e montou uma barraca de praia, o que o fez se aprofundar em carnes e mariscos. Logo depois foi para os Barris e abriu o estabelecimento que está na disputa pelo Comida Di Buteco desde 2017, quando foi vencedor pela primeira vez e subiu ao pódio mais outras duas vezes. Essa é a quarta vez que Sandro participa da competição.
O tira-gosto que está concorrendo é o Javali, isso?. É um filé de javali grelhado, acompanhado de creme de abóbora com chips de batata doce. “Gosto de fazer coisas diferentes. Não é uma carne que você encontra em qualquer açougue, é uma coisa que a pessoa vai degustar o petisco para conhecer o ambiente e o prato, para conhecer o javali. Tem muitas pessoas que não degustaram, é a oportunidade”, diz ele.
Em casa
Sandro conta que o espaço é pensado para que as pessoas se sintam em casa, confortáveis, e para que tenham a lembrança do interior. O frango caipira, por exemplo, lá é servido ao cliente numa panela de pressão, para tornar a experiência ainda mais afetiva.
Ele ainda comenta sobre a experiência de participar do concurso: “Os que não participam não têm ideia do que é o Comida di Buteco. Ele ajuda bastante, seu bar fica bem frequentado. Fiz até as contas: de 10 clientes que vêm, três ou quatro tornam-se clientes”.
Já Débora Arnoso, proprietária ao lado do marido, Murilo, do Café e Cana Botequim, participa pela primeira vez. O nome do bar veio após refletirem sobre a versatilidade da cana de açúcar. Debora explica que sempre ouviu Murilo dizer: “Já tomei meu café da manhã, agora posso tomar minha cana”, em tom de brincadeira.
“Aqui é um ponto de encontro, um espaço para celebrar e a gente se coloca ali à disposição com uma boa playlist, um bom lugar para relaxar, confraternizar e até chorar as mágoas no balcão”.
O prato escolhido pelo estabelecimento, Além do Mais, foi criado em colaboração com a chef Elvira de Morais, e é uma tábua com disquinho de beiju com azeite aromatizado com semente de coentro, antepasto de maturi, caldinho de sururu com pesto leve e cítrico de coentro e pimenta, além de cubos de queijo coalho de cabra empanados.
O maturi, de acordo com Débora, vem há muitos anos fazendo história na frigideira. É inclusive um item que ficou famoso com a novela Tieta. A ideia da casa é unir esses elementos numa tábua para contar um pouquinho da história dos botecos, da boemia, trazendo ingredientes do interior da Bahia. “A gente tem recebido pessoas muito interessantes que gostam de fazer esse roteirinho quando tem a competição”, afirma a proprietária.
Olho nos clientes
Já nas bandas do Campo Grande, o bar Quintal Raso da Catarina tem um significado especial para a chef Graça Novais, afinal, foi lá mesmo no Bar Quintal Raso da Catarina, onde trabalha na cozinha há mais de oito anos que ela conheceu o marido, Jorge Queiroz, que também é proprietário do espaço. Eles já são casados há 17 anos.
No início, ela trabalhava no caixa do bar, mas sentiu que a cozinha precisava oferecer o que os clientes estavam buscando, e foi ela mesma quem decidiu fazer a mudança e se aventurar na gastronomia.
“Isso aqui, como posso dizer, é tudo. Para mim, é uma realização. Quando vejo os clientes satisfeitos, felizes, isso não tem preço. Não vivo mais sem o Quintal e os clientes do Quintal, parece que toda pessoa gente boa vem para cá”, diz ela.
A proposta do Quintal para esta edição é a Medalhinha de Toscana. O petisco é feito com toscana suína de produção própria recheada com queijo coalho misturado com um mix de ervas finas e acompanha farofa crocante. Inclusive, o tema escolhido pelo Comida Di Buteco deste ano é justamente Ervas e especiarias.
É a quarta vez que o bar entra na competição e Jorge conta que antes de participar fez o roteiro do Comida Di Buteco e ficou encantado. Atualmente, o forte do Quintal Raso também se deve à variedade de cachaças oferecidas: são 349 rótulos de todo o país.
“São concursos que tendem a agradar o público e os participantes são de grande relevância. Para se ter uma ideia, antes de participarmos do Comida Di Buteco, era o mês que tínhamos muita baixa nas vendas. Depois que começamos a participar nessa temporada que vem num mês fraco, logo depois do Carnaval, tivemos um aumento de mais de 70% das vendas. A gente brinca, participa e veste a camisa”, diz Jorge.
E se deu água na boca é só buscar no site comidadibuteco.com.br e selecionar a cidade de Salvador. Lá é possível ver a descrição de cada prato e encontrar o endereço de todos os participantes. Um brinde à vida!
Siga o A TARDE no Google Notícias e receba os principais destaques do dia.
Participe também do nosso canal no WhatsApp.
Compartilhe essa notícia com seus amigos
Siga nossas redes




