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DIA DAS MÃES

Construindo o futuro: perspectivas e desafios estruturais em relação à criação dos filhos

Dia das Mães é comemorado neste domingo, 10

Gilson Jorge
Por Gilson Jorge

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Imagem ilustrativa da imagem Construindo o futuro: perspectivas e desafios estruturais em relação à criação dos filhos
- Foto: Uendel Galtier/Ag. A TARDE

Depois de uma sessão de fotos na Praça da Cruz Caída, no Centro Histórico de Salvador, Dora, com 1 ano de idade, senta-se no chão e observa com atenção à performance de três dançarinos. A poucos metros dela, a sua mãe, a fotógrafa Juliana Buosi, tenta convencê-la a se levantar e ir embora, mas quem disse que o bebê quer se levantar?

É o início de uma jornada entre mãe e filha, que inclui, às vezes, uma decisão unilateral do adulto e, às vezes, o aprendizado por conta própria, a partir dos caminhos escolhidos pela própria criança. Uma relação de tutoria que normalmente segue pelo menos até os 18 anos, quando os filhos assumem legalmente o comando das próprias vidas.

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Dora veio ao mundo quase quatro décadas depois da sua genitora e ainda tem muito a aprender, muito chão pela frente. Nesses 40 anos de intervalo, o planeta trouxe diferentes desafios. A garotinha nascida em Boipeba usa fraldas ecológicas, como parte do esforço familiar na mitigação dos efeitos das mudanças climáticas, por exemplo.

Mas não é o aquecimento global ou a inteligência artificial a maior preocupação de Juliana com o futuro da sua filha. Sendo mãe feminista de uma menina, o que mais lhe aflige é criar uma pessoa que seja capaz de se defender de agressões masculinas. A verdade é que os homens são um risco muito maior à segurança de uma menina, de uma mulher, do que a devastação da natureza ou a informática reduzindo o mercado de trabalho.

"Eu queria um mundo mais seguro para ela. Mas não vai ter. Eu vou ensinar a minha filha a socar, a gritar, a andar com spray de pimenta. Ela vai fazer luta. Vai estar mais bem-preparada, eu acho", afirma Juliana, antes de classificar essa realidade como "uma maluquice", e constatar que pretende criar Dora como uma "soldadinha", mas que isso não garante nada.

Entre janeiro e junho de 2025, o semestre em que Dora nasceu, 718 brasileiras foram assassinadas por serem mulheres. Ou seja, pelas mãos de companheiros, ex-companheiros, familiares ou desconhecidos masculinos que julgavam ter algum grau de direito sobre os corpos das vítimas. Uma média de quatro feminicídios por dia, segundo o Mapa Nacional da Violência de Gênero. O levantamento indica que no mesmo período houve 33.999 estupros contra mulheres no país. O equivalente a 187 brasileiras violentadas sexualmente por dia.

Quanto às questões contemporâneas, como a crise climática e a inteligência artificial, Juliana afirma: "O mundo ideal de Dora está sendo construído todos os dias, devagarzinho", afirma a fotógrafa, assinalando que por morar numa ilha o seu núcleo familiar naturalmente convive com a limitação do uso doméstico da água e com práticas de reciclagem de lixo.

"Eu não me preocupo com o futuro de Dora, me preocupo com ela agora. Sabendo que isso tudo é inevitável, agora ela está sendo preparada", afirma Juliana, que, como artista, considera que não é possível impedir a filha de ser uma pessoa da tecnologia. "Eu desejo ter a possibilidade de dar a ela referências, para que ela decida. Para que ela possa fazer escolhas saudáveis, mais conscientes", declara a fotógrafa.

Leia a matéria completa na revista Muito deste domingo, 10

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