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06/11/2023 às 6:00 - há XX semanas | Autor: Gilson Jorge

Diversidade de vozes no projeto Escritas em Trânsito

Projeto Escritas em Trânsito retoma ciclo de oficinas levando nomes de destaque da literatura para a Bahia

Itamar Vieira Junior quer estimular inscritos a tirar seus textos das gavetas
Itamar Vieira Junior quer estimular inscritos a tirar seus textos das gavetas -

Antes do lançamento do romance Torto Arado, o maior sucesso editorial do Brasil dos últimos anos, o escritor Itamar Vieira Junior inscreveu-se para participar como ouvinte, em 2017, de oficinas do projeto Escritas em Trânsito, criado cinco anos antes pela Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb), para aproximar jovens escritores de nomes de referência da literatura e criar um diálogo entre a produção local com autores nacionais.

"Foram experiências incríveis. Eu pude ter contato com vários autores. As oficinas, para mim, foram importantes para compartilhar experiências, aprender a me editar, ser mais crítico em relação ao que eu escrevia", afirma o autor, que esta semana retorna ao projeto, mas agora como referência para os 40 inscritos na Oficina Escrever é estar vivo, no Centro Cultural João Gilberto, em Juazeiro, de 10 a 12 de novembro. No dia 10, à noite, acontece, no mesmo local, o lançamento de seu novo romance, Salvar o Fogo.

Sobre a participação na Oficina como autor, Itamar declara que as expectativas são as melhores possíveis: "Eventualmente, sou convidado a ir em oficinas como essa. É sempre bem bacana. É um espaço de muita troca. Falar sobre criatividade, sobre a própria escrita, tentar entender a narrativa em toda a sua complexidade, ajudar os que participam a destravar, tirar os seus textos das gavetas e pensar que é possível, sim, escrever".

O Escritas em Trânsito foi criado em 2012, mas está na sétima edição. Houve pausas por conta de contingenciamento de recursos do governo do estado, em 2015 e 2016, e também por causa da pandemia, entre 2020 e 2022. Pela primeira vez, estão sendo realizadas oficinas no interior, embora em edições anteriores moradores de outros municípios além de Salvador tenham podido se inscrever e participar das atividades na capital.

Pelo Escritas em Trânsito, já passaram nomes como a poeta e letrista paranaense Alice Ruiz e a escritora, pesquisadora e tradutora gaúcha Natália Borges Polesso. Este ano, além de Itamar Vieira Junior, o projeto traz os nomes da poeta carioca Elisa Lucinda e a escritora e professora paulista Amara Moira.

A coordenadora de Literatura da Diretoria de Artes da Funceb, a poeta Karina Rabinovitz, afirma que a ideia do projeto é obter uma diversidade de vozes e arejar a produção local, com a exposição a outros tipos de fazer. "Ainda que sejam 417 municípios, com uma produção diversa, a ideia é ter outros elementos. Desde sempre, as oficinas são diversas, com representantes da literatura negra, literatura LGBTQIAPN +, literatura canônica. A Unilab, por exemplo, tem trabalhado muito Itamar Vieira Junior e Amara Moira", declara Karina.

Doutora em Teoria Literária, Amara vai ministrar a oficina Textos Impossíveis, em Salvador (7 a 9 de novembro) e Lençóis (13 e 14 de novembro). Nas duas turmas, ela deve trabalhar com textos que considera ruins de autores consagrados e textos de escritores desconhecidos que considera valorosos. Sua crença é que, afinal, não há escritos condenados ao fracasso, mas ideias que não foram bem trabalhadas. "As pessoas podem ler mais, escrever mais, criticar mais", declara Amara.

Sobre a diversidade na literatura, a escritora advoga que nunca houve tanta abertura para a leitura de outras vozes, em contraposição ao anterior predomínio de escritores com um perfil parecido, pessoas brancas e heterossexuais.

Amara celebra a transição para um mundo em que qualquer pessoa ou grupo social pode se expressar, mas discorda da condenação a obras de autores acusados de racismo, sexismo ou LGBTfobia. "É um debate complexo. A literatura, tradicionalmente, foi um espaço para uma elite branca e heterossexual apresentar sua visão de mundo, mas isso não anula a importância que os seus livros têm para a sociedade", declara a escritora, para quem não podemos abrir mão de autores, suas técnicas, narrativas e estilos.

Ela pondera que os livros não podem ser escondidos ou destruídos em função de conteúdos preconceituosos. "Essas obras têm que ser lidas e discutidas até para que essas ideias não proliferem outra vez, mas é preciso que os professores estejam preparados para conduzir a discussão", afirma a escritora.

Um das jovens vozes que estão se colocando na literatura é a de Polyana, Carneiro, 25 anos, graduanda em Letras, que mora em Barra da Estiva, na Chapada Diamantina.

Professora de yoga, educadora social e tímida declarada, Polyana escreve desde a infância. "Sempre fui muito introspectiva e a escrita era, e ainda é, uma forma de me expressar e me colocar no mundo", afirma a estudante que participou no final de outubroda oficina Poesia Falada, com Elisa Lucinda, em Salvador. "Elisa nos tira da nossa zona de conforto e isso é assustador no começo, mas extremamente libertador no final. Nesses três dias de oficina fui provocada e estimulada a estar segura com outras pessoas em volta.

Admiradora do escritor, antropólogo e ativista Sérgio Vidal, Conceição Evaristo, Itamar Vieira Junior e Carolina Maria de Jesus, entre outros, Polyana não sabe se vai se dedicar à literatura, mas já se sente do meio literário. "Acho que escritora toda pessoa que se dedica a isso é, ainda que não seja seu ofício principal, então, eu já me sinto uma escritora embora não saiba dizer se pretendo fazer disso uma exclusividade na minha vida", diz a estudante.

Sobre o Escritas em Trânsito, ela considera que é um projeto que empodera e emancipa pessoas: "A sua grandeza já está nisto, mas muito mais do que isso eu sinto que há um compromisso com a educação".

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