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DJ Branco e a cultura hip-hop em Salvador

Adriano Motta
Por Adriano Motta

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Hamilton Oliveira vai coordenar o projeto no Pelourinho | Foto: Felipe Iruatã | Ag. A TARDE
Hamilton Oliveira vai coordenar o projeto no Pelourinho | Foto: Felipe Iruatã | Ag. A TARDE - Foto: Felipe Iruatã | Ag. A TARDE

Às vezes é possível dizer que há pequenos momentos na vida de alguém que podem definir toda uma trajetória, um destino. É o que alguns chamam de efeito borboleta, um dos pontos mais conhecidos da Teoria do Caos. Ou, como definiu seu idealizador, o matemático Edward Lorenz, pequenas modificações que podem ocasionar fenômenos significativamente maiores.

E também podemos dizer o mesmo sobre a trajetória de Hamilton Oliveira, o DJ Branco, apelido pelo qual sua avó lhe chamava. Ele é idealizador e coordenador de ações sociais envolvendo o hip-hop na Bahia, como o programa de rádio Evolução Hip-Hop.

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Mas talvez nada disso acontecesse se ele não tivesse visto por acaso o clipe Diário de um detento, dos Racionais MCs, durante o intervalo para almoço do seu trabalho como garçom na região do Comércio.

Um dia que guarda na memória vivamente, pois foi seu primeiro contato com o rap. “Lembro como se fosse hoje de ouvir e anotar o nome da música num guardanapo para pesquisar quando chegasse em casa”, conta.

Na época, sentiu que na narrativa de Mano Brown havia uma semelhança com seu próprio gueto: o Bairro da Paz. “Assim que ouvi, lembrava que meus amigos falavam que a realidade da cadeia era exatamente como no clipe”.

Para completar as graças do destino, sua esposa estava em São Paulo e lhe trouxe um disco, que foi a fagulha necessária para colocá-lo de vez no caminho da música. Até hoje, os Racionais são sua banda número um, tal qual em 1997. “Sempre ouço quando tô parado, de boas. São minha maior inspiração”.

Conhecer o rap foi o primeiro passo, mas sua relação com o movimento começaria anos depois, em 2003, quando brigou para criar um programa dedicado ao gênero musical na rádio comunitária do bairro. Aí conheceu o cenário do hip-hop baiano e foi o embrião do programa que apresenta na Rádio Educadora desde 2007, o Evolução Hip-Hop. Algo que faz com muito orgulho.

“Fico feliz demais por levar esse programa a uma rádio. Sempre quis que entendessem o hip-hop como cultura. O movimento não é uma tribo, é um mundo. É um programa que ajudou a quebrar muitos preconceitos sobre os rappers”, afirma.

Maduro

Hoje, ele considera o cenário do rap cada vez mais amadurecido localmente, com expoentes nacionais e um público que acompanha o ritmo na cidade, algo muito diferente da época que começou, ainda na rádio comunitária. “O rap é a música mais ouvida entre os adolescentes. A real é que chegou para ficar”.

Após esses anos trabalhando na rádio comunitária, ele sentiu a necessidade de largar os microfones para atuar como um promotor da cultura hip-hop, papel que exerce até hoje. “Via que o movimento em geral produzia muita coisa e aí senti a necessidade de criar algo para ocupar espaços com o movimento”, lembra.

Foi daí que lhe surgiu a ideia da CMA (Comunicação, Militância e Atitude) Hip-hop, em 2005, núcleo de comunicação alternativa e produção que busca divulgar a cultura do rap em Salvador e também é a responsável por produzir o Evolução Hip-Hop.

Ocupar os espaços através do movimento era algo caro a ele e é ainda hoje sua principal luta. “Arte pela arte, para mim, não rola. O hip-hop é um movimento sociopolítico-cultural, por mostrar todas as mazelas sociais da sociedade”.

Ravi Lobo, integrante do Rap Nova Era, um dos grupos mais tradicionais do rap soteropolitano, com mais de 10 anos de trajetória, lembra que desde que começou no mundo do rap já o ouvia na rádio comunitária. “A gente já chegou sabendo quem ele era. É um dos caras mais importantes no cenário do hip-hop da Bahia”, diz Ravi.

Uma das coisas também de que mais o DJ Branco se orgulha é ter idealizado e conseguido tirar do papel a Casa do Hip-Hop Bahia, que será inaugurada em fevereiro do próximo ano, no Pelourinho, na Praça Quincas Berro d’Água.

A ideia é que seja um local onde os artistas terão à disposição um estúdio e vai funcionar como um projeto que mistura arte, inovação, memória do rap baiano e um estúdio multimídia – além de uma varanda para apresentações.

Para Ravi, esse espaço será fundamental para o movimento no estado: “A Casa Hip-Hop vem abrindo águas para nos banharmos, para nos ajudar a entender a nossa cultura. É importante demais”.

Luta

Esse é um projeto pelo qual o DJ Branco vem lutando há mais de uma década. “Desde 2004, já discutimos sobre a importância de um espaço para o hip-hop na cidade”, lembra Branco. Mas naquele período o projeto para a Casa não andou muito.

Em 2010, colocou a Casa como uma das metas da CMA. Algo que só foi acontecer quase uma década depois, em 2018, quando conseguiu a parceria com a Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb). “Foram 16 anos de luta para conseguir esse espaço. Sinto um grande orgulho disso”.

A Casa do Hip-Hop ainda está em reforma. Era para ter sido inaugurada este ano, mas a pandemia forçou o adiamento. E ainda falta equipar a Casa para as atividades contínuas. Até lá, a ideia é fazer atividades virtuais no espaço.

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