MUITO
Esporte ao ar livre e qualidade de vida em cenários deslumbrante
Prática garante bem-estar e permite explorar o potencial da cidade

Longe dos espelhos das academias, o contato com a natureza tem sido a escolha de muitos para a prática de atividades físicas, antes mesmo da pandemia. O cenário soteropolitano, com cerca de 50 km de praias na Baía de Todos-os-Santos, permite escolher entre diversas práticas no mar.
A combinação de esportes e ar livre está positivamente associada ao bem-estar físico, mental e social, uma vez que muitas modalidades motivam a experiência em conjunto, como é o caso dos clubes de Canoa Havaiana Sol Va’a e Gamboa Va’a, localizados na Praia da Preguiça, em Salvador, e o grupo de ciclismo urbano Pedal dos Perdidos.
Que atividade física é um bem necessário à saúde já é sabido, mesmo que muitos ainda subestimem o poder de alguns minutos de caminhada: melhora nos níveis de vitamina D, aumento da disposição e do condicionamento físico são alguns benefícios, mas o que mais chama atenção para os que escolhem o ambiente externo é a quebra da rotina e da repetição em um espaço monótono, especialmente para aqueles que buscam motivação e novidade.
O esporte sempre esteve presente na vida do estudante de Educação Física Ziggy Marley. Com um pai que praticava e era contramestre de capoeira, ele recebeu a influência necessária desde cedo. Ainda assim, o mar chamou mais atenção do jovem apaixonado por esportes aquáticos e náuticos.
Ziggy começou a praticar o stand up paddle e a canoa polinésia havaiana ainda em 2014. Com o esporte chamando atenção dos jovens ao redor, ele decidiu criar o clube Gamboa Va’a, que surgiu com um propósito social.
Entusiasmo
“O Gamboa Va’a é uma iniciativa minha, surgiu quando observei o entusiasmo dos jovens da comunidade quando surgiam as competições e as oportunidades de participação. Desenvolver o espírito desportivo competitivo, mantendo princípios de formação e cidadania em adolescentes residentes dos bairros periféricos de Salvador foi o gancho e a pegada que motivou o público-alvo”, diz Ziggy.
Ele acrescenta que o estímulo tem muito a ver também com o fato de morar em uma cidade com cenários espetaculares e propícios para várias modalidades esportivas o ano todo. Além de ter a oportunidade de conhecer a canoa polinésia havaiana em que, além do esporte, é possível estar conectado com a natureza”, completa.
Para José Icó, sócio do clube de Canoa Havaiana Sol Va’a, que alia o exercício ao turismo pela cidade, a prática da canoagem também se iniciou em 2014, no Extreme Canoe Club, no Porto da Barra, primeiro como aluno e posteriormente como atleta da equipe.
Natação
A história dele com o esporte é intimamente relacionada à natação, entretanto não para por aí. Ele chegou a competir em piscinas e no mar, e também participou de corrida de aventura, corrida de rua e Triathlon, modalidade que reúne ciclismo, natação e corrida.
“A prática desses esportes, como atleta de alto rendimento, me ensinou a ter disciplina, ter metas. O treinamento me deu um suporte físico, psicológico e qualidade de vida, me trouxe para a vida”.
Para ele, outra coisa importante é ter conhecido muitas pessoas de que se tornou amigo. “Até hoje estou conhecendo novas pessoas, novos amigos. O esporte, quando bem praticado, também é cultura”, considera.
José Icó acredita que o contato direto com a natureza o fez aprender a respeitar o meio ambiente, principalmente o mar, assim como aprender a superar e respeitar limites.
“Seja qual for a meta de cada um, hoje existem muitos esportes que a prática é direta com a natureza. A canoa havaiana está sempre em contato com a natureza. Ver o sol nascer, se pôr, ver a lua nascer e se pôr, é chuva, é sol, é trovoada, cada dia no mar é uma pintura diferente”.
Brincadeira
Já a história de Rosângela Almeida com o esporte começou há quatro anos em uma brincadeira com os filhos, dando voltas de bicicleta pelo seu bairro. Três meses depois, ela entrou para o grupo Pedal dos Perdidos, onde permanece até hoje.
O dia a dia agitado de Rosângela, em um laboratório onde trabalha com atendimento ao público, costumava ser estressante antes da prática da atividade, hoje ela se entende como outra pessoa.
“O ciclismo mudou muita coisa na minha vida, mental e fisicamente. Acabou meu estresse, porque o meu trabalho é muito corrido, não tenho mais esse problema”.
Trilhas e passeios
Ela também conta que os ciclistas do Pedal dos Perdidos são como uma família e costumam sair a partir das 20h, um horário em que o trânsito está mais calmo para pedalar pelos bairros de Salvador, com os equipamentos e sinalização necessários.
Eles buscam no exercício um momento de relaxamento e lazer, e pedalar em grupo também traz segurança e a possibilidade de fazer cicloturismo, com trilhas e passeios em outras cidades.
Praticar uma atividade ao ar livre possibilitou, inclusive, que ela continuasse se exercitando quando as academias tiveram que fechar as portas durante alguns períodos da pandemia.
“Não tem comparação você estar treinando numa academia, ali naquele ambiente fechado, repetindo aquele exercício de sempre, de você estar lá ao ar livre. Você está livre ali, sente liberdade, mente aberta, é muita felicidade, eu não tenho nem como me expressar porque é tanta felicidade pedalando que meu Deus do céu!”, diz ela.
*Sob supervisão do editor Marcos Dias
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