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DECORAÇÃO

Florestas particulares: conheça o poder terapêutico de ter a casa cheia de plantas

Cuidado e bem-estar com a tendência das urban jungles

Pedro Resende
Por Pedro Resende

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Natureza na sala: a tendência de decoração que virou refúgio contra o estresse urbano
Natureza na sala: a tendência de decoração que virou refúgio contra o estresse urbano -

Se do lado de fora o verde tenta resistir ao crescimento do concreto na cidade, dentro das casas e apartamentos de alguns baianos, as plantas são protagonistas. São pessoas que transformaram salas, varandas, banheiros e até quartos em verdadeiras urban jungles, uma tendência de decoração e estilo de vida que propõe trazer a natureza para dentro de casa.

Para a professora Sálua Chequer, de 71 anos, essa relação vem de longe. Nascida no sul da Bahia, ela cresceu cercada pelo cuidado com a terra. “Minha mãe e minha avó tinham um gosto imenso por planta, por cultivar, por reconhecer a beleza que é conviver com a natureza”, lembra. A memória dos “caqueiros” – como chamavam os vasos improvisados com latas e baldes – ainda hoje molda sua casa no bairro do Garcia, onde o verde ocupa todos os cantos.

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São mais de 70 plantas espalhadas por cada ambiente. “Tenho nos banheiros, tenho na cozinha, na área de serviço. Por exemplo, pode não ter produto de limpeza, mas tem planta”, brinca. A rotina de cuidado é quase ritualística: “Eu acordo cedo, olho as plantas que precisam de água, tiro uma folhinha, dou bom dia, converso com elas. É um prazer que não tem tamanho”.

Esse vínculo afetivo com o verde também aparece na casa do engenheiro e arquiteto Danilo Alves, de 34 anos. Criado em Amargosa, ele cresceu entre plantas cultivadas pela mãe e pela avó. “Tenho lembranças muito vivas de ajudar as duas no fim da tarde, molhando as plantas, fazendo mudas e escolhendo onde cada uma ficaria dentro de casa”, conta.

Hoje, mesmo em apartamento, Danilo mantém cerca de 25 espécies. Para ele, o cuidado com as plantas é uma forma de pausa. “Separo um dia na semana para dar atenção a todas elas”, diz. “Esse momento acaba sendo quase terapêutico, um tempo de pausa dentro da correria”. Ele enxerga as plantas como parte da casa e de si. “Existe uma troca silenciosa: quando eu não estou bem, sinto que elas me ajudam a recuperar o equilíbrio”.

Esse diálogo íntimo com o verde é uma das marcas de quem adere ao estilo urban jungle. Em vez de composições rígidas, o que se vê são casas que se moldam às plantas. “Elas têm presença, têm a própria vontade de onde ficar, e eu respeito isso”, diz Danilo.

Online

Já para o designer de interiores Thomaz Lucas, 34, a paixão pelas plantas ultrapassou o espaço doméstico e virou também empreendimento. Foi durante a pandemia, período em que o cuidado com a casa ganhou novo significado, que surgiu a loja online “Quintal de Vó”, para venda de plantas. “Estávamos todos dentro de casa, 100% dedicados às plantas. Daí, decidi vender essas experiências”, explica o proprietário do estabelecimento.

Com cerca de 30 a 40 plantas em casa, Thomaz encontrou no comércio digital uma forma de compartilhar o interesse pelo cultivo. Pelo Instagram, ele posta fotos das espécies disponíveis e orienta clientes, especialmente iniciantes.

A rotina de cuidados varia conforme o clima, algo essencial em uma cidade como Salvador. “No verão, rego com mais frequência, duas a três vezes por semana”, explica. “No inverno, menos, porque os dias ficam mais úmidos”. Ainda assim, ele reforça: não é preciso ter muito tempo para começar. O importante é desenvolver uma relação com as plantas.

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O engenheiro e arquiteto Danilo Alves, de 34 anos
O engenheiro e arquiteto Danilo Alves, de 34 anos | Foto: José Simões | Ag. A TARDE

Conexão

O vínculo é o que atravessa todas as histórias de quem ama plantas. Para Sálua, por exemplo, cuidar do verde é também uma forma de desacelerar. “Ouço muitas pessoas dizendo que não têm tempo para nada. Mas as plantas me ensinaram a ter tempo”, diz. “Eu adoro me disponibilizar para cuidar delas.” A experiência, segundo ela, é transformadora. “Elas mudaram minha vida, elas me ensinam a frear um pouco, aguentar a pressa”.

Na casa dela, objetos de família, arte popular nordestina e plantas convivem em harmonia. Mas há uma hierarquia bem definida. “Eu mudo qualquer coisa de lugar em função do bem-estar da planta. Elas que mandam na casa”, afirma.

Para Danilo, mais do que tendência estética, a urban jungle revela um desejo contemporâneo de reconexão. Ele diz que, em cidades cada vez mais densas, trazer o verde para dentro de casa é também uma forma de reconstruir laços com a memória e com o próprio corpo.

Danilo resume esse sentimento ao descrever o retorno para casa após um dia de trabalho: “É como sair do caos da rua e entrar em um refúgio”. Já Thomaz fala em leveza: “Os olhos passeiam sobre elas, vendo esse verde misturado à decoração. Minha rotina fica mais leve”.

Para Sálua, a experiência é quase espiritual. “Eu me vejo como irmã das plantas”, conta. “O meu bem-estar é outro”. Ela completa dizendo que a serenidade de quem cultiva folhas está nos sentidos: “As plantas transformam minha vida para melhor”.

Serviço:

Para quem está começando –

Para quem quer começar a cultivar plantas em casa, o designer de interiores Thomaz Lucas recomenda apostar em espécies resistentes e de baixa manutenção. “As que precisam de poucas regas, como zamioculca e ficus lyrata, são perfeitas. Uma vez por semana é essencial para elas”, explica. Essas plantas se adaptam bem a ambientes internos e não exigem cuidados complexos, sendo ideais para quem ainda está criando uma rotina. Outra opção são os cactos, que demandam pouca água, mas precisam de um pouco mais de sol. Segundo Thomaz, o mais importante é observar cada planta e entender suas necessidades. Começar com poucas espécies e ir criando intimidade com o cultivo pode tornar a experiência mais leve e prazerosa.

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