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Imenso vazio: São Roque ganha ares de cidade-fantasma após crise na Enseada Paraguaçu

Texto Carlos Baumgarten | Fotos João Alvarez
Por Texto Carlos Baumgarten | Fotos João Alvarez
| Atualizada em

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No auge da construção da Enseada, oito mil pessoas trabalhavam na obra
No auge da construção da Enseada, oito mil pessoas trabalhavam na obra - Foto: João Alvarez / Divulgação

De quase todo São Roque do Paraguaçu se avista uma obra monumental. O estaleiro Enseada Paraguaçu, que chegou em 2012 ao pequeno lugarejo do Recôncavo baiano, simbolizava a pujança e a esperança dos últimos anos. Marcava a era do trabalho, emprego e renda. No auge da sua construção, com oito mil pessoas trabalhando, o pescador tinha facilmente a quem vender. Os donos de empreendimentos só precisavam acompanhar o crescimento do lugar. Mas quem anda por São Roque hoje vê quase uma cidade-fantasma. Os ecos das milhares de pessoas que caminhavam pelas ruas ainda estão ao redor, mas quase não se vê gente. As obras pararam em 2015, na maré das crises política e econômica do país. Agora vislumbra-se apenas um distorcido reflexo da outrora vibrante comunidade.

Conduzidos por Messias, o nosso guia local, navegamos com Ducha, um pescador nativo, pelas águas do rio Paraguaçu. Sentamos para ouvir as memórias de dona Edith, uma das mais antigas moradoras do distrito, e a história de Sueli, a dona do bar. Vimos ainda os investimentos perdidos: a pousada inacabada, mas que não abala a fé do gerente Rodrigo, e a falência do grandioso Clube Palmeiras, fruto das aventuras do empreendedor João.

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Para além das imagens, repletas de vazio, as palavras reverberam a vida. Entre fotografias e depoimentos em vídeo que se complementam, o documentário Maré Vazante, transformado em reportagem fotográfica para a Muito, mostra um lugar à deriva. “A cidade que já teve”, como sentencia dona Edith.

"Pra gente era igual a uma final de campeonato, uma Copa do Mundo, levantou o astral de todo mundo, era um clima de festa" João Mário Santos Dias, empresário do Clube Palmeiras

"Hoje quando acha a quem vender um peixinho, a gente vende; quando não, a gente vai pro fiado" Ogenivaldo de Jesus, o Ducha, pescador

"Eu vendia muito. Já cansei de amanhecer o dia e a turma pedindo: não fecha, não!" Sueli Reis, dona do Bar Caravelas

"O sonho não acabou. Em momento algum nós estamos pensando em desistir" José Rodrigo Costa, gerente da Pousada e Restaurante Ponto 10

"Eu ficava olhando e dando risada. Vinham pra mais de 5 mil pessoas subindo. Você nem queria sair pra não ficar se batendo. Nem tinha condições de atravessar a rua. Agora não tem nada. Você não vê nem gente na rua" Edith Matos, aposentada

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