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Livro clássico do historiador Luís Henrique Dias Tavares, 'História da Bahia' ganha nova edição

Gilson Jorge

Por Gilson Jorge

20/09/2020 - 9:03 h | Atualizada em 20/09/2020 - 15:36

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Foto: Divulgação | UFBA
Foto: Divulgação | UFBA -

Quando a adolescente alagoana Flávia Goulart Roza chegou a Salvador no final dos anos 1970, acompanhando o pai, que tinha conseguido um emprego na capital baiana, encontrou uma cidade bem parecida com as descrições dos romances de Jorge Amado. Mas foi outro escritor baiano, o historiador Luís Henrique Dias Tavares, que ensinaria à futura jornalista e professora que a terra que a acolhera era a mesma que havia concretizado em 1823 a Independência do Brasil em relação a Portugal.

Diretora da Editora da Universidade Federal da Bahia (Edufba), Flávia é uma das responsáveis pela chegada ao mercado da 12ª edição de um dos livros que mudaram a sua forma de enxergar a história nacional. Desde a primeira edição, em 1959, pela Editora Civilização Brasileira, a obra tem sido uma referência sobre o peso da Bahia no contexto político do país.

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Em 2001, quando o livro passou a ser editado conjuntamente entre a Edufba e a Editora Unesp (da Universidade Estadual de São Paulo), começava uma nova fase na trajetória de História da Bahia. A estratégia era torná-lo conhecido e discutido nos círculos acadêmicos do Sudeste, que concentra a maioria das universidades do país. A Edufba estima que, nas últimas três edições, o livro tenha vendido cerca de cinco mil unidades, marca considerada boa para um livro acadêmico.

Com o tempo, a obra de Luís Henrique Dias Tavares foi extrapolando os muros da velha Cidade da Bahia. “Encontrei pessoalmente Laurentino Gomes e ele me disse que tínhamos uma preciosidade. História da Bahia foi usado por ele como referência para o livro 1822”, diz Flávia.

O livro começou com a reunião de anotações sobre a história feitas pelo professor, um ex-repórter do semanário comunista O Momento, que não encontrava na bibliografia oficial informações sobre a participação do povo baiano na luta que levou à expulsão dos portugueses do estado e à consolidação da Independência decretada no ano anterior, em São Paulo, pelo imperador Dom Pedro II.

História da Bahia passou a ser adotado por outros professores da rede pública na Bahia e, com a inclusão de dados obtidos em pesquisas, passou de um bloco de anotações a uma apurada análise dos fatos históricos relacionados ao estado.

Comemoração

A obra mudou de editoras algumas vezes, passando pela Editora Itapuã, que publicou em 1967 uma versão com uma ilustração de Carlos Bastos na capa, até a Editora Ática, a mesma que nos anos 70 e 80 dominava o mercado didático e de literatura nacional, com a série Vaga Lume.

A edição em comemoração aos 60 anos do livro, que começou a ser planejada no ano passado, é a última a ser lançada antes da morte do autor, ocorrida em 21 de junho deste ano.

Filho do autor, o jornalista, produtor editorial e também professor Luís Guilherme Pontes Tavares considera que o prefácio da 12ª edição, assinado pelas professoras Maria José Andrade e Marli Geraldo Teixeira, acentua o caráter inovador do História da Bahia e sua evolução desde a 1ª edição em 1959. “O autor pretendeu reorganizá-la em três volumes: Colônia, Império e República. Considero que a versão a que chegou contém o fundamental”, afirma.

Luís Guilherme pontua que, ao longo das décadas que marcam as novas edições, o historiador reviu e atualizou a obra à medida que obtinha informações novas nas pesquisas que realizava no Brasil e no exterior. “Exalto, ademais, a qualidade do texto do autor do História da Bahia”.

Colega do professor Luís Henrique desde o início de sua carreira como docente de História do Brasil, em 1957, no Colégio Estadual da Bahia (Central), o historiador, professor e poeta Fernando da Rocha Peres destaca que História da Bahia é um relato dos personagens que conviveram na Baía de Todos-os-Santos ao longo de 500 anos, desde as anônimas lideranças nativas tupinambás e tupiniquins ao governador Antonio Carlos Magalhães.

“É uma pesquisa de fôlego, realizada em arquivos baianos, nacionais e internacionais. É um livro que faz enorme sucesso porque é muito bem escrito e bem documentado”, ressalta. Ambos foram colegas do Departamento de História da Ufba durante 30 anos e membros da Academia de Letras da Bahia.

Leitora da primeira edição de História da Bahia, a professora de história da Ufba Lina Aras acompanhou a evolução das edições seguintes e não hesita em elogiar a qualidade da pesquisa e do texto do professor Luís Henrique, além do caráter humanista que acompanhou a sua trajetória. “Ele não era um intelectual fechado no mundo acadêmico, como muitos, mas gostava de interagir com as pessoas, de saber o que pensava o padeiro. De alguma forma, foi bom ele não ter estado presente às discussões políticas dos últimos anos. Seria muito triste para alguém como ele analisar o mundo atual em que vivemos”, declara.

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