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“Minhas ferramentas sempre foram a educação e a arte”, diz arquiteto

Yumi Kuwano

Por Yumi Kuwano

08/11/2020 - 6:00 h

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Lemos: "Meu trabalho fala de mim, mas fala de nós também, e é aí que eu me encontro na Bahia" | Foto: Rafael Martins | Ag. A TARDE
Lemos: "Meu trabalho fala de mim, mas fala de nós também, e é aí que eu me encontro na Bahia" | Foto: Rafael Martins | Ag. A TARDE -

Wesley Lemos é um dos grandes nomes da alta arquitetura no Brasil. Com um estilo que transita por diferentes vertentes e com referências que, nas palavras dele, carregam muita verdade, o sergipano conquistou um sucesso que serve de inspiração para estudantes e jovens arquitetos negros. Isso porque ele é um dos únicos em um local de destaque em sua área. Ele assina o masterplan [linha criativa que orienta o projeto global] da Casacor Bahia, que começa no próximo dia 12 em Salvador, que nesta edição é apresentada em um novo formato, e admite que na Bahia se encontrou. Nesta entrevista, Wesley fala sobre as suas reflexões durante os meses de isolamento, as dificuldades da área, racismo e sua evolução como profissional.

Você assina o masterplan da Casacor neste ano. Como está sendo?

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Para mim, está sendo muito especial e uma grande responsabilidade este ano fazer o masterplan da Casacor. Esses 15 anos ininterruptos participando da mostra, eu já peguei a transformação da casa, e com 20 anos de carreira eu acho que já posso fazer uma análise do modo de morar, do estilo de viver no Brasil, principalmente no Nordeste, que é de onde venho. Então, Janelas Casacor vai ser um spoiler do que os profissionais do Norte e Nordeste acabam vendo das transformações da casa durante a pandemia ou pós-pandemia. Na verdade, a sociedade vem evoluindo de uma forma muito rápida em todos os sentidos, e a internet e a tecnologia acabaram conectando todo mundo. Então, é natural que a gente absorva a informação, queira se transformar, e acho que a casa acompanha essa transformação.

O que preparou e o que podemos esperar da mostra?

A questão da interatividade é o primeiro passo. Segundo, todas essas transformações, sejam home office, a educação das crianças remota, o próprio jeito de cuidar da casa, dos próprios moradores fazendo sua alimentação com as cozinhas gourmet, as hortas, o cuidado com as plantas, a questão de trazer materiais de higienização para dentro do lar e tantas outras coisas. Considero que o elenco é preparadíssimo, a gente tem desde grandes inspirações de jovens arquitetos também. Temos uma mistura boa. Um elenco bem coeso e eclético.

Pelo que falou, me parece que essa edição está mais próxima das pessoas, é mais real e mais democrática.

Acho que desde quando a nossa franquia foi assumida por Carlos Amorim no ano passado, a Casacor e os profissionais já vinham em um processo de descer do salto alto e mostrar uma arquitetura mais real, espaços mais humanizados, como os espaços pet friendly, onde a pessoa se sinta parte da arquitetura, e isso vem com essa quebra dos preconceitos e sem fazer distinções entre o que é simples e o que é elegante. Na verdade, o que é bacana é o que é de verdade e o que funciona de verdade. Cada ser humano é único e aquele espaço é apenas um prolongamento da personalidade dele. E esse elenco faz muito bem isso, não está preocupado em reproduzir fórmulas de sucesso ou aplicar materiais de vanguarda, óbvio que estamos preocupados com todas as questões mercadológicas, mas acho que a preocupação principal é o ser humano, é o bem-estar mesmo e como esse morador ao visitar a mostra Casacor consiga ser parte. Isso traz assuntos bacanas, como empoderamento feminino, questões raciais, os materiais sustentáveis, a renovação desses espaços, não tendo preconceito do que é interno e o que é externo. A casa é um prolongamento do jardim e vice-versa. Eu acho que a Casacor está madura.

E o formato descentralizado dessa edição também ajuda, não é?

Sim. A ideia do Janelas Casacor é justamente descentralizar um pouco a arquitetura e a decoração, que são muito restritas a uma elite da sociedade, e, ao mesmo tempo, como ela interage com a cidade. Um respeito a essa ebulição que é a cidade, que é um produto social, cultural e econômico e o posicionamento dessas cápsulas, dessas janelas, desses contêineres traz todo esse desejo que as pessoas têm de morar bem, de conforto.

Como vai ser seu ambiente?

Todos os espaços sempre buscam a minha evolução como um homem e como arquiteto. Eu sou uma pessoa que busca muita verdade no que faz, e a energia em acreditar nas minhas origens, na minha ancestralidade e espiritualidade faz com que potencialize cada dia mais o meu trabalho como arquiteto, e, mais do que nunca, isso ficou nítido para mim na pandemia. Eu fiquei isolado, tive que fechar os meus três escritórios de forma repentina quatro meses, e aquilo me fez me conectar com os valores que estavam em mim, mas que no dia a dia, no corre-corre, acabei deixando-os em alguns pontos. O fato de eu voltar, fazer a quarentena em uma das primeiras casas que projetei, a casa dos meus pais que estava fechada, me fez refletir muitas coisas sobre autoconhecimento e cura. Então, eu quis dar o nome ao meu espaço de Casa Cura. É um espaço que envolve elementos da natureza e formas orgânicas, através da intuição. O espaço está muito vivo e ele reproduz um pouco meu dia a dia durante a pandemia. O que eu tinha: uma sala de estar onde eu ficava, e próximo à sala tinha uma varanda, onde ficavam as plantas, um espaço de meditação e aquele espaço foi onde comecei a me reconhecer e a me redescobrir.

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