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Sitcom baiano Forrobodó da Paixão é gravado em Salvador até o dia 20

Série deve estrear no segundo semestre na televisão

Publicado domingo, 17 de março de 2024 às 06:01 h | Autor: Pedro Hijo
A trama começou a ser desenvolvida em 2018
A trama começou a ser desenvolvida em 2018 -

Os rostos animados das senhoras que sentam na primeira fileira do Teatro Sesc Casa do Comércio, em Salvador, anunciam que algo bom está para acontecer. Uma delas comenta que está com medo de rir muito alto e acabar atrapalhando a filmagem. O receio é compreensível. À frente de uma plateia com cerca de 100 pessoas, será gravado um episódio da série "Forrobodó da Paixão", idealizada pela produtora baiana Tem Dendê e dirigida por Fernando Guerreiro.

O sitcom, formato de comédia gravado para a televisão, é o primeiro produzido na Bahia dentro de um teatro com público presente. "Forrobodó da Paixão" será exibido pelo SBT Nordeste e tem previsão de estreia para o segundo semestre deste ano.

A empreitada na televisão era um sonho antigo do diretor Fernando Guerreiro, famoso por peças como "Los Catedrásticos" e "A Bofetada". "Eu acabei casando a minha carreira no teatro com o audiovisual, mas é só o primeiro passo, é uma transição", diz Guerreiro que assume a direção geral do projeto. Há quatro anos, ele resolveu ceder à "provocação" da diretora Vânia Lima, responsável pela primeira sinopse da série. “Ela queria me aproximar da comédia para a televisão e conseguiu”.

Com financiamento do Fundo Setorial do Audiovisual Brasileiro, através da Agência Nacional de Cinema (Ancine), “Forrobodó da Paixão” conta a história de um bar localizado no município de Caicó, no Rio Grande do Norte, que corre o risco de ser fechado para dar lugar a construção de um shopping center.

Imagem ilustrativa da imagem Sitcom baiano Forrobodó da Paixão é gravado em Salvador até o dia 20

A trama começou a ser desenvolvida em 2018. Vânia conta que dois fatores atrasaram a produção: a suspensão de investimentos em projetos culturais pelo governo Bolsonaro e o isolamento causado pelo vírus Covid-19. “Tivemos que encarar duas pandemias”, diz a diretora.

Outra dificuldade enfrentada pela equipe foi a falta de espaços para a gravação em Salvador que atendessem à demanda. “Desde o começo queríamos ter a plateia, porque era importante que ela aparecesse durante os episódios, queríamos essa reação, a plateia faz parte do elenco”, pontua Vânia. No entanto, com boa parte dos teatros fechados e sem estúdios que comportassem os espectadores, a produção caminhou a passos lentos. “Então, vimos que o Teatro Sesc tinha sido reformado e surgiu a oportunidade”, diz.

É lá que estão sendo gravados os oito episódios da série que conta com um elenco principal de sete atores, quase todos nordestinos. “Apenas Denise Correia, que dá a vida a Judith, é nascida em Curitiba, mas mora em Salvador desde os seis anos de idade”, diz Guerreiro. A curadoria do elenco foi um ponto de destaque no desenvolvimento da sitcom. Uma busca por profissionais nordestinos foi realizada em todos os estados da região. Era importante que eles tivessem intimidade com a comédia e com a música, elemento recorrente na trama.

NOSSA LÍNGUA

Há alguns anos, a artista baiana Ana Mametto não imaginaria que estaria vestindo um personagem para uma peça de teatro. Cantora desde os 13 anos, se viu provocada por Fernando Guerreiro para assumir o protagonismo do espetáculo De um tudo, em 2017. “Guerreiro teve essa sensibilidade de enxergar uma atriz em mim”, diz Ana. Com este trabalho, a artista foi indicada ao Prêmio Braskem como atriz revelação.

Em “Forrobodó da Paixão”, Ana interpreta Paloma, herdeira do bar que tem interesse na venda do estabelecimento. “Paloma é uma mulher nordestina, mas que tenta esconder isso dos outros, o que é impossível, porque quem é nordestino tem isso estampado na testa”, destaca.

Para a atriz cearense Mariana Costa, que interpreta a cozinheira Legítima, faz diferença estar numa produção com equipe nordestina. “A gente se acalanta, a química em cena é muito rápida, é mais fácil”. Para a atriz, por muito tempo as séries e novelas que tratavam sobre o Nordeste não eram feitas por nordestinos, o que interferia na “verdade do produto”. “Fico muito feliz de estar numa produção que fala a nossa língua”, diz Mariana.

Apesar da linguagem nordestina, Vânia destaca que a série tem potencial nacional. “Não é porque feito no Nordeste que é regional. Por que os produtos feitos no Rio de Janeiro e em São Paulo não são considerados regionais?”, questiona a diretora. Para ela, é necessária uma mudança de perspectiva. “Nossa defesa é que todo produto brasileiro é nacional”.

SERVIÇO

Próximas datas de gravação: terça feira, 19, e quarta-feira, 20
Horário: 10h
Local: Teatro Sesc Casa do Comércio. Av. Tancredo Neves, 1109 - Caminho das Árvores, Salvador.
Ingressos: podem ser retirados gratuitamente pelo Sympla

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