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ARTES

Ulla von Czékus faz primeira exposição individual em A Galeria

Ativa Atelier Livre inaugura espaço para exposição intitulada Árvore de Mim

Vinícius Marques
Por Vinícius Marques

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O curador, Fábio Gatti, e a artista baiana  Ulla von Czéku
O curador, Fábio Gatti, e a artista baiana Ulla von Czéku - Foto: Olga Leiria | Ag. A TARDE

Ainda pequena, a administradora por formação Ulla von Czékus herdou da mãe o prazer e o fascínio pelo cultivo das plantas. Do pai, veio a paixão pela fotografia. Apesar de ter seguido um caminho corporativo, onde atuou por mais de 30 anos, somente há cerca de uma década ela decidiu voltar às suas raízes, ao que aprendeu a amar com seus pais.

Deixando para trás os grandes escritórios, a soteropolitana hoje se dedica às artes visuais e, pela primeira vez, apresenta uma exposição fotográfica individual.

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Em cartaz desde o dia 2 de abril, a exposição Árvore de Mim, presente na A Galeria, da Ativa Atelier Livre, é a junção de toda a trajetória de Ulla como pessoa e artista, com dois trabalhos que se conectam pelo fio do tempo: as séries Arredores e A Dúvida, ambos desenvolvidos e amadurecidos nas atividades formadoras realizadas no Ativa Atelier Livre, que funciona desde 2019.

Ulla chegou por lá em 2020 para a realização do curso Fazer e Pensar, ministrado pelo professor, doutor em artes visuais e artista visual Fábio Gatti, em que ele propõe uma desconstrução sobre o fazer técnico da fotografia.

Ela recorda que sempre buscou olhar para a natureza e para as plantas na sua fotografia, algo que é apaixonada e sempre teve muito contato: “Durante muito tempo fotografei a botânica. No curso, Fábio me fez uma provocação: quando falei de gostar da natureza ele me perguntou onde eu me insiro na natureza”, conta a artista. “Daí surge esse trabalho, Arredores, onde vou narrar visualmente essa minha relação com a natureza. Investigo isso e tento me colocar dentro da natureza”.

Composto por 10 obras, a série é apresentada apenas com sete delas, por conta de uma limitação do espaço que não comporta toda a série sem comprometer a segunda, que é uma instalação.

Em Arredores, Ulla une seu antigo trabalho de fotografia com a botânica se inserindo na fotografia, participando ativamente em todos os aspectos. Integra-se na imagem, vai aos lugares, coloca folhas no rosto, tampa a própria identidade e se mistura com a própria natureza.

Nas fotos, ela utiliza também códigos culturais como as roupas, os sapatos, os cestos e as poses. A ideia da série é pensar nessa intersecção da natureza com a cultura e como fazer com que as pessoas se questionem de que forma podemos tentar essa reintegração com a natureza.

Esse primeiro curso realizado por Ulla, Fazer e Pensar, é descrito por Gatti, que também é curador da exposição, como “uma incursão pelo desenvolvimento e aprofundamento das linguagens, tentando acessar os verdadeiros canais que levam as pessoas aos motivos que elas tenham interesse em produzir imagem, fazer com que elas entendam o que elas produzem também”.

Cursos

Ulla participou ainda de outros dois cursos com Gatti durante o período pandêmico, além de integrar o grupo de acompanhamento de processos criativos em fotografia organizado pelo curador. Junto a Ulla, outros oito alunos faziam parte desse grupo. Foi nele que surgiu o segundo trabalho que compõe a exposição, A Dúvida.

Essa série, que funciona como uma instalação, parte de um momento em que a artista teve que fazer uma mudança, saiu de uma casa onde morou por mais de 20 anos e ao vasculhar seus pertences se reencontrou com álbuns de família, documentos e cartas que pertenceram ao seu avô.

“Começo a pensar no que fazer com essa história, essa memória da família. Vasculho esses álbuns, olho para essa história e memória e penso de que forma poderia contá-la”, explica a artista.

Dessa ideia nasce projeto A Vida Está em Outro Lugar, que funciona com três frentes. Uma delas é A Dúvida, que está na exposição. As outras duas frentes, ainda inéditas, serão apresentadas em outro momento.

A Dúvida tem foco na relação de Ulla com sua avó. Ao olhar o acervo encontrado em casa, a avó começa a aparecer fortemente nas imagens e a artista se questiona se essa relação que ela tinha com a avó era de afeto, por isso o título A Dúvida. “Não sei se era uma relação em que esse afeto estava presente ou não. Descubro uma das imagens onde estou deitada no colo dela e questiono esse espaço, se é de afeto ou somente uma pose para a fotografia”.

Com esse material pronto e apresentado a Fábio, ele começou a costurar essas histórias. “Pensei nessa ideia de árvore, que é quase um monumento, um ser que está ali e se comunica entre solo, céu e meio. A árvore faz uma ponte entre tudo. É uma busca por ela mesma, a árvore dela. Tanto nas relações próprias, dela consigo, no sentido de Arredores, de pensar o si mesmo, e o dela com as relações familiares, com a história familiar dela, repensar essas lembranças, refazer esses afetos”, diz Gatti.

A exposição fica em cartaz até o dia 30 de abril, com visitação de quarta à sexta das 15 às 19h, e aos sábados das 9 às 12h. O espaço, que surgiu há apenas dois meses, no Rio Vermelho, já conta com programação para os próximos meses. De acordo com Lanussi Pasquali, que está à frente do Ativa Atelier Livre, a programação será diversa e está com convocatória aberta para todas as linguagens.

“A gente tenta ser um espaço para acolher artistas, não-artistas, pessoas interessadas em criar ou simplesmente apreciar a arte”, diz Lanussi, para quem o Ativa Atelier Livre e A Galeria, que possui apenas 24m², é uma espécie de “minifúndio cultural”.

A exposição de Ulla, de acordo com Lanussi, é uma grande alegria porque mostra dois trabalhos que nasceram nos cursos oferecidos por eles e que inaugura a primeira exposição individual tanto da artista quanto do espaço, que em fevereiro, na sua inauguração, apresentou uma exposição coletiva com 32 artistas.

“Essa exposição tem essa coisa afetiva de nos permitir acolher a primeira individual dela, a primeira individual da galeria e de um trabalho que vai ganhar o mundo e começou nos nossos cursos”.

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Tags:

muito, exposição, Ulla von Czékus

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