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Em única passagem pelo Brasil, Rainha Elizabeth II visitou Salvador

Viagem realizada há 54 anos foi amplamente documentada por A TARDE

Da Redação
Por Da Redação
| Atualizada em
A Rainha Elizabeth passeia de carro aberto em Salvador, em 3 de novembro de 1968.
A Rainha Elizabeth passeia de carro aberto em Salvador, em 3 de novembro de 1968. - Foto: Reprodução

A Rainha Elizabeth II, falecida nesta quinta-feira, tinha 42 anos quando fez sua única viagem ao Brasil, em 1968, acompanhada de seu marido, o príncipe Philip (morto em abril de 2021). A passagem da monarca pela capital baiana foi fartamente documentada pelo jornal A TARDE.

Três páginas de cobertura foram dedicadas a acompanhar todos os passos da Rainha, desde o seu desembarque, pontualmente às seis horas da manhã, quando o iate Britannia atracou no Porto de Salvador e a comitiva real desembarcou na Capitania dos Portos, como registrado na edição de 4 de novembro de A TARDE (leia abaixo).

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Os sinos da igreja da Conceição da Praia dobraram e a Rainha recebeu, das mãos do Governador Luís Viana, "balagandãs" ofertados pelos comerciantes do Mercado Modelo, que estenderam um tapete sisal coberto de flores para recpecionar Elizabeth II. A Rainha seguiu em cvarro aberto, acompanhada de populares por todo o trajeto, pela ladeira da montanha e avenida sete, chegando ao Campo Grande, onde recebeu um buquê de flores de uma bailarina da escola de ballet do Teatro astro Alves, como documentado em vasto acervo fotográfico.

Em oito dias, o casal visitou Recife, Salvador, Brasília, São Paulo e Rio. A agenda incluiu um amistoso no Maracanã com Pelé em campo e encontros protocolares com autoridades como o então presidente Artur da Costa e Silva (1967-1969), segundo governante da ditadura militar. A narrativa foi feita pelo jornal O Globo mostra o roteiro seguido pela monarca em solo brasileiro.

Elizabeth II e Philip chegaram ao Recife às 17h do dia 2 de novembro daquele ano. Numa passagem rápida de duas horas pela cidade, eles estavam numa recepção no Palácio das Princesas quando houve uma queda de eletricidade, problema comum na capital pernambucana naquela época. O ilustres visitantes permaneceram conversando com os convidados, assistidos por um auxiliar que os seguia com um candelabro de seis velas. Seis minutos depois, a luz voltou graças a um gerador.

Salvador

Às 19h30, o casal embarcou no iate real Britannia, que chegaria a Salvador na manhã seguinte. A rainha visitou locais como a Igreja Anglicana e a Universidade Federal da Bahia (UFBA). No Mercado Modelo, foi recebida com um tapete de pétalas de rosas. Uma comissão de barraqueiros do famoso centro comercial presenteou Elizabeth II com um balangandã de prata de lei pesando 1,5 kg, enquanto o Duque de Edimburgo ganhou um autêntico berimbau baiano.

Confira a edição de A TARDE que fala sobre a vinda da monarca a Salvador (dividida em três páginas):

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Brasília

No fim do dia, a comitiva partiu rumo ao Rio, de onde eles tomariam um voo para Brasília. Era meio-dia de 5 de novembro de 1968 quando o avião pousou na capital, com termômetros marcando 32 graus na sombra e umidade relativa do ar de 27% (baixíssima). Ela visitou a sede do Supremo Tribunal Federal (STF), o Congresso Nacional e o Palácio da Alvorada. À noite, foi recepcionada com um banquete no Palácio do Itamaraty.

Aos jornalistas, Elizabeth disse que achara Brasília "fascinante" e afirmou ao GLOBO que sentia saudades dos filhos, mas que falou com eles pelo telefone a bordo do Britannia. Em discurso no Itamaraty, ao lado de Costa e Silva, disse que "nossos dois povos estão voltados aos conceitos básicos de justiça, liberdade e tolerância". Ironicamente, no mês seguinte, o mesmo governante editaria o Ato Constitucional nº5 (AI-5), endurecendo a violência na ditadura.

São Paulo

Na chegada a São Paulo, um grupo de crianças do Colegio Britânico saudou a soberana gritando "hip hurra", e ela foi cumprimentá-los. O prefeito Faria Lima entregou à ilustre turista a chave da cidade. Pelas ruas, milhares de pessoas aplaudiam vendo seu cortejo passar. Alguns colégios que ficavam no caminho interromperam as aulas para que os alunos saíssem às calçadas.

Elizabeth colocou uma coroa de flores no Monumento do Ipiranga e seguiu para o Terraço Itália, então maior edifício da cidade, onde observou São Paulo a 150 metros de altura. À noite, foi a convidada de honra de um banquete no Palácio Bandeirantes, sede do governo paulista, onde o casal passou a noite. Na manhã seguinte, a monarca e seu marido conheceram uma fazenda experimental em Campinas. Eles passaram uma noite na cidade antes de voarem para o Rio.

Rio de Janeiro

Era manhã de sábado quando o casal começou o roteiro pela antiga capital. Elizabeth II visitou o Monumento aos Mortos da Segunda Guerra Mundial, no Aterro do Flamengo e a Igreja Anglicana, em Botafogo. Na saída do templo, houve um susto quando um homem atirou sobre a rainha um quadro com a imagem dela própria. Ao se recuperar da surpresa, ela observou a obra por alguns segundos e pediu para guardá-la. Já o autor do quadro foi detido e liberado após averiguação. Ele viera de São Paulo apenas para mostrar sua pintura à monarca.

Naquela noite, a embaixada britânica ofereceu uma recepção nos jardins da mansão, com apresentação do violonista Baden Powell, da cantora Eliana Pitman e da bateria da Estação Primeira de Mangueira, que levou ao local uma ala de baianas, malabaristas do pandeiro e o casal de mestre-sala e porta-bandeira.

Na tarde de domingo, Elizabeth II e Philip foram ao Maracanã para um amistoso entre cariocas e paulistas organizado especialmente para a visita. No gramado, astros como Pelé, Gerson, Jairzinho e Clodoaldo. A certa altura do jogo, o árbitro Armando Marques foi xingado pela torcida, e tanto o príncipe quanto a rainha perguntaram o que significavam os gritos. Um auxiliar traduziu, mas a reportagem do GLOBO no dia seguinte não informou qual foi a ofensa.

Havia cerca de cem mil pessoas no estádio. Descrito como "morno", o jogo foi vencido pela seleção de São Paulo, por 3 a 2, com dois gols de pênalti. Depois, os craques Pelé e Gerson, capitães dos dois times, receberam de Elizabeth II a taça reservada para os vencedores do amistoso — pelo protocolo, o troféu seria entregue pelo então presidente da CBD, João Havelange, mas houve uma mudança de planos na última hora. Segundo a imprensa esportiva, ela conversou com Pelé, dizendo o conhecer de nome e que estava feliz em cumprimentá-lo. Aquele foi o último compromisso oficial do casal britânico, que se despediu do Brasil na manhã do dia seguinte.

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