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Ocidente quer 'dividir' a Rússia na Ucrânia, afirma Putin

Presidente russo critica posição de Kiev e seus aliados ocidentais

AFP
Por AFP

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Vladimir Putin mantém crítica ao posicionamento da Ucrânia com os aliados do Ocidente
Vladimir Putin mantém crítica ao posicionamento da Ucrânia com os aliados do Ocidente - Foto: Sergei Guneyev | AFP

O Ocidente pretende "dividir" a Rússia na Ucrânia, afirmou neste domingo, 25, o presidente Vladimir Putin, para quem a ofensiva militar no país vizinho, que começou há 10 meses, permitirá reforçar "a união do povo russo".

"Tudo se baseia na política dos nossos adversários geopolíticos, que pretendem dividir a Rússia, a Rússia histórica", denunciou Putin em uma entrevista que teve um trecho divulgado por um canal de televisão do país.

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"Nosso objetivo é outro: unir o povo russo", acrescentou. O chefe de Estado utiliza o conceito de "Rússia histórica" para argumentar que ucranianos e russos são apenas um povo, um discurso que afeta a soberania de Kiev e justifica a ofensiva na Ucrânia.

"Estamos agindo na direção correta, estamos protegendo nossos interesses nacionais, os interesses de nossos cidadãos, de nosso povo", declarou.

Durante a entrevista, Putin voltou a criticar a posição de Kiev e seus aliados ocidentais que, segundo o russo, "rejeitam as negociações". Ele, porém, insistiu que está "disposto a negociar com todos os participantes no processo (para encontrar) soluções aceitáveis" ao conflito.

O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelensky, se recusa a negociar com Rússia "enquanto Putin for presidente". Além disso, ele insiste que deseja recuperar as quatro regiões ucranianas que Moscou afirma ter anexado em setembro - Donetsk, Lugansk, Zaporizhzhia, Kherson -, assim como a península da Crimeia, anexada pelo Kremlin em 2014.

Sistema de defesa

Zelensky viajou na quarta-feira a Washington, onde recebeu a promessa de apoio do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden.

A Casa Branca prometeu a Kiev um novo pacote de ajuda de 45 bilhões de dólares e o fornecimento do sistema de defesa antiaérea Patriot.

No trecho divulgado da entrevista, Putin afirmou que pretende eliminar o sistema de mísseis.

"Claro que o destruiremos, 100%", disse, três dias após a promessa de que o exército russo encontraria "um antídoto" para superar um "sistema bastante antigo".

Na frente de batalha, o sábado foi marcado por bombardeios de mísseis que atingiram o centro de Kherson, cidade do sul da Ucrânia recuperada por Kiev em 11 de novembro, após oito meses de ocupação russa.

Os ataques, chamados de "ato de terror" por Zelensky, deixaram pelo menos 10 mortos e 55 feridos na véspera de Natal.

Ao longo do dia, a Rússia disparou 41 mísseis contra a cidade, de acordo com o exército ucraniano.

Vladimir Saldo, comandante designado por Moscou para Kherson, culpou a Ucrânia pelos bombardeios e disse que eram uma "provocação repugnante com a intenção de incriminar as Forças Armadas da Federação da Rússia".

Natal em Kiev

Em Kiev, os ortodoxos celebravam neste domingo o Natal ao lado dos católicos, duas semanas antes de suas festividades tradicionais.

"O conflito nos trouxe tanta dor", declarou Olga Stanko em uma igreja do centro da capital. "Não podemos continuar sob a influência russa", acrescentou.

Nas últimas semanas, o conflito militar também afetou a religião. A Ucrânia, país de maioria ortodoxa, está dividida entre uma Igreja vinculada ao Patriarcado de Moscou e uma Igreja independente da influência russa.

A Igreja ligada ao Patriarcado de Moscou anunciou em maio o rompimento dos vínculos com a Rússia devido à ofensiva na Ucrânia.

A denominação independente da Rússia foi criada no fim de 2018 e está vinculada ao Patriarcado Ecumênico de Constantinopla, que tem sede em Istambul.

Uma pesquisa do instituto Interfax-Ucrânia realizada em novembro mostrou que 44% dos ucranianos concordam com a ideia de celebrar o Natal em 25 de dezembro, e não em 7 de janeiro, data do Natal ortodoxo.

Durante sua tradicional mensagem de Natal na Praça de São Pedro, no Vaticano, o papa Francisco fez um apelo para "silenciar as armas" na Ucrânia.

"Que o Senhor nos prepare a fazer gestos concretos de solidariedade para ajudar aqueles que estão sofrendo. E ilumine as mentes daqueles que têm o poder de silenciar as armas e acabar de maneira imediata com esta guerra sem sentido", afirmou.

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