Busca interna do iBahia
HOME > MUNDO
Ouvir Compartilhar no Whatsapp Compartilhar no Facebook Compartilhar no X Compartilhar no Email

MUNDO

Papa conclui viagem à França com missa multitudinária em Marselha

Viagem acontece dias depois de cerca de 8.500 migrantes terem chegado à pequena ilha italiana de Lampedusa

AFP
Por AFP

Siga o A TARDE no Google

Google icon
O Papa Francisco (C) aperta a mão do Ministro do Interior da França, Gerald Darmanin (L), enquanto o Presidente da França, Emmanuel Macron (R) e sua esposa Brigitte Macron (Top-C) participam da cerimônia de partida do Papa no Aeroporto de Marselha-Provença, em Marselha
O Papa Francisco (C) aperta a mão do Ministro do Interior da França, Gerald Darmanin (L), enquanto o Presidente da França, Emmanuel Macron (R) e sua esposa Brigitte Macron (Top-C) participam da cerimônia de partida do Papa no Aeroporto de Marselha-Provença, em Marselha -

O papa Francisco oficiou, neste sábado,, uma multitudinária missa, ao fim de uma breve visita a Marselha (sudeste da França), de onde pediu à Europa "responsabilidade" para com os migrantes e denunciou o "fanatismo da indiferença".

A bordo de seu papamóvel, o pontífice argentino foi recebido no Estádio Vélodrome sob aplausos dos milhares de fiéis presentes - as autoridades esperavam em torno de 57.000 pessoas - e gritos de "Papa Francisco!", após percorrer as ruas da cidade mediterrânea.

Tudo sobre Mundo em primeira mão!
Entre no canal do WhatsApp.

"Bom dia, Marselha, bom dia, França", disse ele aos presentes, incluindo o presidente francês, Emmanuel Macron, sua esposa, Brigitte, e a presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde.

"Viemos de longe, mas era importante estarmos aqui, porque estaremos em comunhão com toda a comunidade religiosa, católica", disse à AFP Aurea Dias Neto, uma mulher de 52 anos, nascida em São Tomé e Príncipe, mas que vive no centro da França.

A liturgia, com orações lidas em vários idiomas, incluindo espanhol, armênio e árabe, concluiu uma viagem de dois dias do líder católico à segunda maior cidade da França, por ocasião do encerramento dos Encontros Mediterrâneos entre jovens e bispos dos países costeiros.

Diante da multidão, o jesuíta, de 86 anos, pediu, mais cedo, "responsabilidade europeia" para enfrentar o "fenômeno migratório", após denunciar na véspera o "fanatismo da indiferença" para com os migrantes.

"Quem arrisca sua vida no mar não invade, busca acolhida", reiterou o pontífice argentino, para quem o "fenômeno migratório" é um "processo" que "envolve três continentes em torno do Mediterrâneo".

Sua viagem acontece dias depois de cerca de 8.500 migrantes terem chegado à pequena ilha italiana de Lampedusa, após cruzarem o Mar Mediterrâneo. Nele, mais de 28.000 migrantes desapareceram desde 2014, em sua tentativa de chegar à Europa, procedentes da África, segundo a Organização Internacional para as Migrações (OIM).

Desde sua eleição como sumo pontífice em 2013, uma de suas prioridades tem sido alertar sobre as tragédias dos migrantes, do Mediterrâneo à América Central, ou à Venezuela, passando por África, Oriente Médio, Europa, ou Estados Unidos, e pedir sua acolhida.

Seus novos apelos se dão em um contexto cada vez mais hostil para esses exilados na Europa. Exemplo disso, a França anunciou, por meio de seu ministro do Interior, Gérald Darmanin, que "não acolherá" ninguém de Lampedusa.

O presidente francês, Emmanuel Macron, conversou por cerca de meia hora com o papa neste sábado.

Os dois conversaram sobre a questão migratória e Macron expôs ao papa seus planos sobre um projeto relativo à eutanásia que deve ser apresentado "nas próximas semanas", informou a Presidência francesa.

Pouco antes, o papa havia advertido contra a "perspectiva falsamente digna de uma morte doce".

O pontífice insistiu em sua oposição à eutanásia durante a viagem de volta à Cidade do Vaticano: "Não se brinca com a vida! Não se brinca com a vida, nem no princípio nem no final!", declarou durante coletiva de imprensa no avião.

O governo francês prepara um projeto de lei que poderia incluir a "ajuda ativa para morrer" para pessoas muito idosas. Sua apresentação está prevista para as próximas semanas.

'Esperança'

Sua 44ª viagem apostólica ao exterior - e a primeira de um papa a Marselha desde 1533 - desperta grande interesse, apesar do declínio do catolicismo na França, um país laico desde 1905, onde as acusações de abuso sexual na Igreja aceleraram a crise.

"Bienvenido Santo Padre", dizia em espanhol um dos cartazes no bairro de Saint Mauront, um dos mais pobres da cidade portuária, onde Francisco tomou café da manhã e se reuniu com pessoas necessitadas de vários países, como Albânia, Armênia e Colômbia.

"É magnífico conhecer o Papa. No nosso bairro, a vida é dura, é difícil, mas [...] ele dará esperança para todas as pessoas que sofrem", disse à AFP Arbana Arifaj, uma albanesa presente no encontro.

A ONG SOS Méditerranée presenteou-o com um dos botes salva-vidas usados para salvar "centenas de bebês e crianças" e que serviu "até há poucas semanas", disse a organização em um comunicado.

Sua visita também foi acompanhada de polêmica na França. A oposição de esquerda criticou a presença de Macron e de sua mulher, Brigitte, na missa, ao considerar que "atropela" a neutralidade religiosa. Macron é o primeiro presidente, desde Valéry Giscard d'Estaing, em 1980, a assistir a uma missa papal.

Batizado católico aos 12 anos e educado nos jesuítas, Macron é um presidente sensível à espiritualidade e atualmente se define como agnóstico.

"Considero que meu lugar é assistir. Não irei como católico, mas como presidente", defendeu-se, na semana passada.

O historiador Jean Garrigues rejeita as críticas sobre um atentado ao secularismo e explica que "existe uma tradição de presidentes católicos, crentes e até praticantes", do general Charles De Gaulle a Nicolas Sarkozy.

Siga o A TARDE no Google Notícias e receba os principais destaques do dia.

Participe também do nosso canal no WhatsApp.

Compartilhe essa notícia com seus amigos

Compartilhar no Email Compartilhar no X Compartilhar no Facebook Compartilhar no Whatsapp

Tags:

Papa Francisco

Siga nossas redes

Siga nossas redes

Publicações Relacionadas

A tarde play
O Papa Francisco (C) aperta a mão do Ministro do Interior da França, Gerald Darmanin (L), enquanto o Presidente da França, Emmanuel Macron (R) e sua esposa Brigitte Macron (Top-C) participam da cerimônia de partida do Papa no Aeroporto de Marselha-Provença, em Marselha
Play

Papa Leão deseja “feliz Páscoa” em português e volta a criticar guerra

O Papa Francisco (C) aperta a mão do Ministro do Interior da França, Gerald Darmanin (L), enquanto o Presidente da França, Emmanuel Macron (R) e sua esposa Brigitte Macron (Top-C) participam da cerimônia de partida do Papa no Aeroporto de Marselha-Provença, em Marselha
Play

Ex-combatente baiano denuncia torturas contra brasileiros na Ucrânia

O Papa Francisco (C) aperta a mão do Ministro do Interior da França, Gerald Darmanin (L), enquanto o Presidente da França, Emmanuel Macron (R) e sua esposa Brigitte Macron (Top-C) participam da cerimônia de partida do Papa no Aeroporto de Marselha-Provença, em Marselha
Play

Baiano escapa, mas mísseis retêm brasileiros no Catar; Dubai é rota de esperança

O Papa Francisco (C) aperta a mão do Ministro do Interior da França, Gerald Darmanin (L), enquanto o Presidente da França, Emmanuel Macron (R) e sua esposa Brigitte Macron (Top-C) participam da cerimônia de partida do Papa no Aeroporto de Marselha-Provença, em Marselha
Play

Por que soldados de Israel transformaram a Bahia em destino pós-guerra?

x