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PIB de R$ 27 bilhões: Camaçari se torna sinônimo de indústria na Bahia
Gestores do Polo agora estimulam investimentos em energia renovável e tecnologias limpas

Município da Região Metropolitana de Salvador, Camaçari tem o segundo maior Produto Interno Bruto (PIB) da Bahia, somando R$ 27,419 bilhões em 2023. Do Valor Agregado Bruto (VAB) gerado naquele ano, 60,5% estão diretamente relacionados à produção industrial, que é a principal atividade econômica local.
Os números refletem os resultados do Polo Industrial de Camaçari (PIC), que completa 48 anos de existência em 2026 e se mantém como referência da indústria no Hemisfério Sul. Ainda de acordo com dados do IBGE compilados pela SEI, com renda capita de R$ 91.283,07 em 2023, o município é o oitavo no ranking baiano nesse indicador.
O gerenciamento do polo é do Comitê de Fomento Industrial de Camaçari (Cofic), entidade que nasceu com o PIC e vem estimulando a chamada ‘nova economia’, com investimentos pesados em biocombustíveis e outras fontes de energia renovável, apostando em tecnologias limpas associadas à transição energética e à economia de baixo carbono.
“Mesmo diante de um cenário macroeconômico desafiador e de incertezas decorrentes das tensões geopolíticas globais”, pontuou o superintendente de Comunicação do Cofic, Érico Oliveira, as mais de 80 empresas associadas ao comitê “continuam mantendo o foco na competitividade, segurança industrial e sustentabilidade/ESG como valores essenciais ao desenvolvimento de suas atividades”.
Para ele, essa postura demonstra que “o complexo industrial continua se destacando como vetor de atratividade para novos investimentos, contribuindo para a geração de mais oportunidades de emprego, renda e desenvolvimento da região”.

Criado após a descoberta de petróleo no Recôncavo Baiano, o polo foi projetado, no início, para abrigar as indústrias petroquímicas, mas está cada vez mais diversificado.
Atualmente, gera R$ 4 bilhões/ano em ICMS para o estado e responde por 22% do Produto Interno Bruto da indústria de transformação na Bahia.
Responsável por cerca de 50 mil empregos, dos quais 10 mil diretos, tem um faturamento próximo de US$ 15 bilhões por ano, contribuindo com mais de 90% da receita tributária de Camaçari e por 15% das exportações do estado.
Prefeito de Camaçari, Luiz Caetano pontuou que a consolidação do polo tem base na eficiência operacional e modernização tecnológica, assim como na “integração logística, na segurança jurídica e na incorporação de práticas ESG como diferencial estratégico”.
Para ele, a importância do polo é estrutural para os cofres municipais, contribuindo diretamente para o financiamento das políticas públicas em áreas como saúde, educação e infraestrutura. Citou como reflexo favorável os milhares de postos de trabalho, com impacto significativo na economia em geral.
O município atua para o fortalecimento do PIC na articulação de ações institucionais conjuntas, bem como na “organização estratégica da intermediação da mão de obra, da formação e do treinamento dos trabalhadores”, afirmou Caetano, citando, entre outras iniciativas, o programa Camaçari TEC e o trabalho do Centro de Integração e Apoio ao Trabalhador (Ciat).

O secretário de Desenvolvimento Econômico da Bahia, Angelo Almeida, apontou como positiva a integração entre o ambiente industrial de Camaçari e os centros de pesquisa e inovação.
“No CIMATEC Park, por exemplo, está em desenvolvimento uma planta piloto de hidrogênio verde em parceria com a Galp, por meio da Petrogal Brasil (JV Galp | Sinopec), com investimento superior a R$ 40 milhões”, afirmou, ressaltando que a iniciativa “reforça o posicionamento da Bahia como polo de inovação e desenvolvimento tecnológico no campo das energias limpas”.
Neste contexto de renovações e inovações, Almeida destacou que um dos apoios aos empreendedores baianos está na Política e no Programa de Transição Energética do Estado (Protener), voltados à consolidação de uma economia de baixo carbono.
Sustentabilidade
Criada como um órgão público junto com o polo, a Cetrel faz parte da iniciativa privada desde 2024, quando abriu sua atuação para além dos limites do centro industrial.
De acordo com o gerente comercial da Cetrel Solvi, Alexandre Pim, a preocupação com a sustentabilidade ambiental como base estruturante é um dos diferenciais históricos do polo.
“Essa estrutura permite que a escala produtiva conviva com monitoramento técnico permanente e mecanismos preventivos de controle ambiental”, explicou.
Para ele, o modelo coletivo “reduz riscos individuais e eleva o padrão ambiental do conjunto do complexo”, apontou, salientando os programas de monitoramento permanente da qualidade do ar, do solo e no âmbito dos recursos hídricos, com acompanhamento dos aquíferos e definição de zoneamento hídrico.
Neste contexto, a Braskem tem oito unidades na Bahia com capacidade de produzir, por ano, 5 milhões de toneladas de produtos petroquímicos. De acordo com o diretor Industrial da Braskem na Bahia, Carlos Alfano, como estratégia de governança sustentável, a empresa tem três frentes de atuação para redução de emissões, remoção de carbono e captura de carbono.
“Investimos na conversão de equipamentos e plantas para utilização de matrizes energéticas renováveis, tornando nossas operações mais sustentáveis e competitivas”, disse, acrescentando, como exemplo, que as medidas já reduziram “a emissão de mais de 600 mil toneladas de CO2, em comparação à média de emissões registradas entre 2018 e 2020”.

Segundo Alfano, na Bahia, mais de 90% da energia elétrica adquirida pela Braskem nos últimos dois anos tiveram origem em fontes renováveis, possível com investimentos em projetos eólicos e solares integrados à matriz elétrica brasileira.
A preocupação com a sustentabilidade foi um dos fatores que atraiu a chinesa BYD para o PIC, conforme o vice-presidente sênior e head de comercial e marketing da indústria no Brasil, Alexandre Baldy.
“Outro ponto fundamental foi o potencial de transformação socioeconômica da região, com geração de empregos e fortalecimento da cadeia produtiva automotiva brasileira”, enfatizou, ressaltando que desde abril de 2022, “nós já emplacamos mais de 200 mil veículos eletrificados no Brasil”.

Com produção atual em torno de 150 mil veículos/ano contando com 2,5 mil funcionários, a perspectiva do grupo é chegar a 600 mil veículos por ano no estado e possibilidade de chegar a 20 mil empregos diretos e indiretos, para atender à procura crescente pelos veículos movidos a eletricidade e flex.
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