OPINIÃO
A manutenção do equilíbrio político na chapa governista
Confira o editorial do jornal A TARDE deste domingo, 5

A definição da chapa governista para o pleito de 2026 encerrou um ciclo de intensas articulações que pautaram os bastidores da política baiana nas últimas semanas. Em um gesto carregado de simbolismo, o governador Jerônimo Rodrigues aproveitou uma data de forte apelo pessoal e religioso para selar o destino de sua composição: em plena Sexta-feira Santa, e no dia em que celebrava aniversário, confirmou a manutenção de Geraldo Júnior na majoritária.
O anúncio, diante da Arena Fonte Nova lotada, põe fim a uma verdadeira "via crucis" de conjecturas. Durante o processo, alimentado por um cenário de incertezas e pela natural expectativa de legendas aliadas, diversos nomes foram ventilados. Contudo, a decisão parece ter sido guiada pelo pragmatismo. Prevaleceu a tese defendida pelo senador Jaques Wagner, entusiasta da estabilidade da estrutura atual, que frequentemente recorria ao velho ditado: “Em time que está ganhando, não se mexe”.
A escolha, no entanto, não se sustenta só na manutenção da harmonia política, mas também no peso da experiência. Geraldo Júnior carrega consigo o lastro de quem conhece profundamente as engrenagens do Legislativo e a pulsação das ruas, tendo servido por quatro legislaturas como vereador de Salvador. Sua habilidade de articulação foi testada e aprovada em um dos postos mais sensíveis da capital, ao presidir a Câmara Municipal por três vezes, experiência que o gabarita como interlocutor estratégico para o governo.
Nesse intervalo de definições, o vice-governador adotou uma postura de fidelidade institucional e paciência estratégica. Ao manter o discurso alinhado ao do governador e respeitar o rito do grupo, evitou o embate público. Questionado, manteve sempre a mesma toada: "No momento certo, o governador, que é o condutor do processo, chamará nosso partido para conversar”.
O desfecho fortalece também o MDB, cuja articulação, sob a batuta de Geddel Vieira Lima, foi peça-chave para assegurar o espaço do partido em um xadrez onde a vaga de vice era a última peça a ser posicionada. Com os times montados, as eleições ganham um novo momento. Cabe ao eleitor, a partir de agora, o papel de acompanhar e analisar as propostas para que o voto, em outubro, seja um exercício pleno de consciência democrática.
Siga o A TARDE no Google Notícias e receba os principais destaques do dia.
Participe também do nosso canal no WhatsApp.
Compartilhe essa notícia com seus amigos
Siga nossas redes

