EDITORIAL
Editorial - Monumentos ao desleixo
Confira o editorial do Grupo A TARDE deste domingo


Servem os monumentos erigidos em praça pública de referências, as mais das vezes, de autoras e autores de práticas virtuosas, com objetivo de alusão para a cidadania comportar-se de uma forma mais adequada ao bom convívio.
Uma mensagem oposta pode ser transmitida para a população se estas mesmas esculturas não forem bem cuidadas, como na Praça da Piedade, uma das mais relevantes de Salvador.
Não se pode fazer vistas grossas para a imundície capaz de exalar um odor fétido entre as criaturas cosmológicas, grande parte delas, as maiores, relacionadas à harmonia da estética antiga, antes da luneta de Galileu.
Há algo ainda mais emblemático para o conhecimento da história, os líderes da Revolução dos Alfaiates, cujas frações de corpos esquartejados e cabeças degoladas ficaram por ali mesmo, entre a Rua da Forca e a Igreja, em 1798.
Em aula pública de firmeza e capacidade de articulação, estão ali posicionados os líderes do levante, reprimido com tal brutalidade a ponto de inspirar indignação suficiente rumo à libertação do verdugo português há 200 anos.
Apenas os bons negócios relacionados ao aparar da grama permanecem sem hiato, em meio a um ambiente de plena insegurança, no qual o consumo de drogas químicas ilícitas faz sucesso junto às pessoas em situação de rua, como mostrou A TARDE em reportagem recente.
A prefeitura aderiu a um sistema consagrado nos circuitos de tevê por canal fechado, operando por demanda, ou seja, quando há solicitação de manutenção da calçada no entorno.
O logradouro não apenas identifica aspectos do cotidiano de quatro séculos, mas também ressalta o fato de ter se consagrado a área como a Praça Nacional da Poesia.
Já a Fundação Gregório de Matos assume a lacuna verificada em relação às criaturas de bronze, acrescentando honestamente a necessidade de reformar o chafariz.
Um povo subletrado, ou analfabeto funcional, dificilmente vai captar predicado a ser imitado de seres enferrujados, muitas vezes reinventados em cores distintas ao original.