OPINIÃO
Editorial - Muito além da letra
Confira o editorial desta sexta-feira do Grupo A TARDE

A luta pela alfabetização na Bahia, seguindo sua obstinada meta, necessariamente remete ao vulto do insígne major Cosme de Farias, ao organizar ligas visando o ensino massivo de como ler, escrever e interpretar. Hoje, 8 de setembro, é o Dia Mundial instituído pelas Nações Unidas para lembrar aos governos de todos os continentes um de seus principais deveres, o investimento em educação visando projetos para benefício da cidadania.
Em um mundo tristemente dominado por mecânica de mercado, preocuparam-se as autoridades da entidade planetária com o destaque prioritário para os desenvolvimentos social e econômico.
Uma das formas mais elementares de dominação dos grupos sociais hegemônicos, muitos deles hereditários, a privação do bem do acesso aos textos deixa pelo menos 617 milhões de jovens à margem das sociedades. Este é o contingente incapaz de fazer qualquer conta das quatro operações mais simples de matemática, embora tenha frequentado escola ou esteja estudando no momento.
As estatísticas oficiais ainda não incorporaram a opção “analfabetismo funcional” nas pesquisas, mas sabe-se ser muito elevado o coletivo sem condições de entender embora saiba colar as sílabas e até acentuar.
No Brasil, a cada dez pessoas, três estão marginalizadas das normas oficiais, no convívio cotidiano, enquanto 13% de quem conclui o ensino médio tem graves dificuldades em redação.
É possível comemorar, no entanto, os lauréis obtidos entre 2002 e 2017, registrando o país uma queda na proporção de incapazes de identificar signos nas letras conjugadas formando frases.
Não se percebe, no cotidiano comum, um efeito mais visível de algum melhor preparo intelectual, ao contrário, embora precise de mais pesquisas, é possível testar a hipótese falseável de um nível bem ralo de diálogos produtivos.
Uma letra nada mais é que uma letra se a cidadania e as instâncias de poder, respaldadas no voto direto e secreto, não apresentarem planos viáveis para abrir os horizontes literários de quem até então vive contemplando sombras.
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