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Editorial - O Congresso em marcha à ré

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Por Editorial
Votação do PL que proíbe casamento homoafetivo no Brasil
Votação do PL que proíbe casamento homoafetivo no Brasil - Foto: Lula Marques | Agência Brasil

Iniciativa lamentável e inconstitucional de nosso Legislativo a tentativa de veto ao casamento entre pessoas do mesmo sexo biológico, em retrocesso com carga suficiente para rebaixar o Brasil a país de última série na escala planetária.

Ao aprovar a proibição da união homoafetiva, engatou a ré a Comissão de Previdência, Assistência Social, Infância, Adolescência e Família, responsável por itens da maior importância para o convívio, apesar do inequívoco recuo.

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A ação inspirada em embasamento religioso expõe feridas da democracia exposta à estupidez de parlamentares e de quem os elege, permitindo o ataque a toda forma de amor, em plenos enlaces permitidos por lei desde 2011.

O projeto votado na comissão deturpa um texto legislativo de 2007, inicialmente favorável ao casamento, e sugere a inclusão, no Código Civil, de um trecho explícito determinando a proibição.

No duelo de argumentos, os dez passos para trás tomam como base preceitos de tradição judaico-cristã, em interpretação tão reacionária quanto contraditória, em figura de paradoxo de flagrante falacioso. O placar de 12x5 a favor de sublimar desejos agride o fundamento civilizatório da liberdade de escolha.

Dificilmente avançará a intentona reacionária, pois terá de passar por outras duas comissões, antes de ir ao plenário e seguir para o Senado; no entanto, serve o revés de novo alerta para verificar tamanha imperfeição a ser corrigida.

Traz a democracia como efeito colateral o pecado de igualar o peso dos votos de cidadãos ilustrados e outros, controlados por tacanhos, portanto, é preciso incentivar a filosofia a fim de ampliar práticas saudáveis de bem pensar.

Produziu o tropeço o clamor por criar métodos de alargamento da mentalidade média com objetivo de votar um Congresso de maioria progressista no próximo pleito, em vez da recidiva do “falso ao corpo” como repugnante preconceito.

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