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EDITORIAL

Editorial - O crime do pastor

Confira o editorial do Grupo A TARDE desta quarta-feira

Da Redação
Por Da Redação

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A punição exemplar por prática de transfobia e homofobia, de um pastor de Belo Horizonte, ao atacar a comunidade LGBTQIA+, é a única possibilidade razoável para restituir o bem da dignidade do qual foram privadas as vítimas.

O Ministério Público Federal do Acre fez a sua parte, ao instaurar uma investigação do episódio, enquanto a deputada federal do PSOL paulista representou junto ao Poder Judiciário em Minas Gerais, onde a seita tem sede.

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O desinformado autor das diabolices terá dificuldades em escapar das malhas da lei, pois a denúncia está baseada em confirmação de jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, ao equiparar a homotransfobia ao racismo.

Não se sabe se em busca de rápida notoriedade, entre o público conservador, se por torpeza de caráter combinada, ou não, com uma parvoíce ilimitada, o sujeito acusado tentou persuadir seu rebanho com uma atabalhoada sofística.

Teria discorrido o suposto religioso, em momento infeliz da pregação, sobre improvável inclinação divina para intolerância às orientações opcionais, como lésbicas, gays, bissexuais e trans, entre outras da sigla.

Textualmente, ipsis litteris ipsis verbis, afirmou: “Deus mataria”... “e começava tudo de novo”, ao interpretar uma vontade do criador exnihilo de extinguir quem não segue o modelo monogâmico heterossexual, homem e mulher.

Insatisfeito em referir-se ao mundo supralunar onde habitariam as divindades, santos e anjos, o celerado incentivou os fieis a atos de violência, pois deveriam “ira para cima” dos divergentes, produzindo sentimento de ira na plateia crente.

Para evitar a lengalenga de negar-se o crime, alegando ter sido a narrativa retirada de contexto, já consta dos autos o vídeo da narrativa completa ecoando na Igreja Batista da Lagoinha, em Orlando, Estados Unidos.

"Aí Deus fala: 'não posso mais, já meti esse arco-íris aí, se eu pudesse eu matava tudo e começava tudo de novo. Mas já prometi pra mim mesmo que não posso, então agora tá com vocês”, disse o aloprado entusiasta do ódio.

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