Editorial - Política do segredo

Publicado domingo, 03 de julho de 2022 às 00:05 h | Atualizado em 02/07/2022, 19:13 | Autor: Da Redação
A falta de transparência produz sensação  apropriada 
a estratégia de acobertamento de erros
A falta de transparência produz sensação apropriada a estratégia de acobertamento de erros -

Pudesse ser extraído apenas o aspecto inusitado da proposta de sigilo de 100 anos sobre registros relacionados à gestão atual do Palácio do Planalto, seria facilmente premiado o enredo na categoria “absurdo”, alcançando o título de non-sense em certame de escala planetária.

No entanto, a falta de transparência produz sensação mais apropriada a estratégia de acobertamento de erros, a verificar a cidadania de mentalidade livre em relação à defesa incondicional da raríssima aberração.

Não causaria estupefação o ato da presidência, decorridos apenas 24 dias de tomar posse, ao assinar estapafúrdio decreto, tomando ares de apatia a resistência pífia de instituições da República e da cidadania.

A perplexidade tornou-se superior a alguma reação em defesa do direito social à informação, prevista na Constituição Federal, agravando-se a importância do cargo para condução do país. 

A habitual figura de humor da ironia tem sido a resposta do detentor da faixa presidencial, ao ser questionado sobre o século de silêncio acerca do conhecimento de fatos relevantes ocorridos em sua passagem.

Ações relacionadas à atuação do então ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, no enfrentamento da pandemia e os dados referentes ao cartão de vacinação do chefe do executivo só seriam revelados por volta de 2121!

Outros dados enterrados em hipotético baú, a ser aberto apenas no século XXII, referem-se ao escândalo das negociações de recursos do Ministério da Educação, com intermediação de pastores de seitas interessadas.

Assim como estes episódios, notícias relevantes sobre supostos benefícios aos filhos também ficariam sob suspense, em afronta inaceitável contra o valor da transparência, prioridade em grande parte do mundo civilizado.

Embora possa ser questionada a moralidade da iniciativa presidencial, a restrição está prevista em legislação, protegendo “intimidade, honra, vida privada e imagem dos envolvidos”, portanto, respaldada legalmente, produzindo incredulidade mundial da “proeza” brasileira.

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