Editorial - São João, internet e culturas

Publicado terça-feira, 22 de junho de 2021 às 06:00 h | Atualizado em 21/06/2021, 22:45 | Autor: Da Redaçã

O patrimônio cultural representado na festa de São João mistura gêneros musicais, danças, gastronomia e vestuário, de tal forma enraizados no perfil de uma nação, a ponto de manter-se inteiro, no segundo ano sem aglomerações, devido ao risco de contágio do coronavírus.

O incessante devir a tudo transforma, sem deixar escapar as manifestações joaninas, perdendo-se assim toda e qualquer inocência de qualificar genuína esta ou aquela tradição, pois mesmo as mais longevas são o resultado de reinvenções ancestrais já esquecidas.

Mesmo distanciados, moradores dos estados da região Nordeste seguem reinterpretando múltiplos formatos da celebração, tomando por premissa esta percepção de culturas diversas em constantes fusões e conflitos, em vez de uma só cultura estanque supostamente eterna. O caldeirão de influências distintas verifica-se nas vivas impressões originadas de povos indígenas, aliadas à contribuição africana, acrescentada toda a riqueza desta união pelos santos católicos portugueses.

Assim como em 2020, não será possível acender nem saltar fogueiras, tampouco dançar ao ar livre xote, xaxado, coco, baião, forró ou maxixe, tantas são as opções fornidas por sanfonas, zabumbas e triângulos a movimentar as quadrilhas plenas de coreografia.

Saber resistir às imposições do mundo, sem perder jamais a ternura, impõe-se ao aprendizado do isolamento, considerando a diferença entre distanciamento físico e afetivo, pois ficar longe não implica perder quem se quer bem, é o contrário, no atual contexto. Utilizar-se das novas tecnologias viabiliza, agora, manter bem acesa a chama simbólica dos encontros, sabendo-se a relevância do sistema de compadrio e das mais sinceras amizades, das quais o povo do interior é sábio em cultivar.

Enquanto a taxa de transmissão comunitária segue elevada, a internet torna-se o refúgio possível, aliando-se às famílias no sentido de buscar abrigo dentro dos lares, sem, com isso, esquecer do amendoim cozido, da pamonha, do milho verde e do licor de jenipapo.

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