OPINIÃO
Educar para conviver
Confira o Editorial desta terça

Aproximar o currículo da realidade dos estudantes é o mérito do ensino de prevenção do machismo e combate às agressões contra mulheres e meninas. A luta é fazer valer a Lei 14.164, de 2021, mas somente agora saindo do papel pelos ministérios da Educação e das Mulheres, alcançando escolas de todo o país.
Sai trigonometria, talvez plano inclinado ou astrofísica dos pinguins, para caber um pouco mais de cotidiano no radar de 46 milhões de cidadãs e cidadãos. É um passo firme, não apenas para semear o futuro de um Brasil capaz de melhorar o convívio, mas também de repensar seu projeto pedagógico.
Lidar com conteúdos palpáveis e factíveis pode ser a chave para abrir as salas de aula como locais atraentes com potencial de induzir felicidade e harmonia. A ideia de fazer da prática antimachista uma disciplina segue a luminosa premissa de transmitir valores morais e virtudes promotoras de afeto.
É a formação de pessoas lúcidas e em condições plenas de amar verdadeiramente, escapando à ideologia de viés fascista e patriarcal do macho alfa dominante. Em relação às alunas, o objetivo é o de evitar a baixa estima, incentivando a disputar espaços e compartilhar as tristezas e alegrias com os seus parceiros queridos.
A medida de contenção da masculinidade tóxica vai cortar pela raiz as discriminações e torturas psicológicas e físicas, no sentido de erradicar o feminicídio nesse país. A TARDE mostrou, em reportagem de manchete, a ligeireza da Bahia, antecipando-se às diretrizes ministeriais, ao levar para as escolas projetos, a exemplo do “Oxe, me respeita”, orientando o cuidado nos relacionamentos.
A iniciativa privada também vem abraçando a causa, como se vê no pacto em defesa da vida das mulheres, no Colégio Nossa Senhora da Luz. A esperança é que esta e outras práticas pedagógicas se alastrem no rumo de uma sociedade brasileira alicerçada na paz e no amor. Para sair do breu atual da violência máxima, resultando em quatro óbitos de mulheres ao dia, é preciso fazer raiar a aurora de um convívio construído pela educação fraternal e delicada.
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