OPINIÃO
Invicta urna digital
Confira o Editorial desta quinta-feira


Eram decorridos, ontem, 30 anos de eficiência desde a estreia da urna eletrônica quando tomava posse o ministro Kassio Nunes Marques na presidência do Tribunal Superior Eleitoral. Diante da invencibilidade de histórico inatacável do instrumento de segurança e transparência no processo de votação, não restava opção ao magistrado, exceto elogiar.
Caprichou na narrativa o novo comandante da corte ao destacar a importância do dispositivo, promovido por ele ao patamar de “patrimônio institucional da democracia”. Serenidade e capacidade de dimensionar bem as palavras, ao correspondê-las aos fatos, foram dois atributos capazes de transmitir à cidadania a esperança de lisura no pleito.
A insistência, com a qual avaliou positivamente a confiabilidade do sistema eleitoral, chamou a atenção, dada a divergência com o espectro político ligado ao ex-presidente. Nomeado na gestão Bolsonaro, Kassio Nunes Marques poderia ter optado pela discrição, mas escolheu ser razoável.
Não deixou sombra de dúvida o presidente do TSE, ao dizer com todas as letras: “No tocante à recepção e à apuração dos votos, nosso sistema é o mais avançado do mundo”. Acrescentou o ministro algo relevante para o avanço da tecnologia de funcionamento da urna eletrônica, mantida sob as condições de provisória e refutável.
Ou seja: ressaltou a autoridade o fato de o reconhecimento internacional do modelo brasileiro não impedir a busca do aperfeiçoamento permanente do processo eleitoral. A firme defesa do mecanismo de eficiência máxima ocorre em meio à persistência de ataques e questionamentos ao sistema eletrônico pelo grupo político derrotado em 2022.
A cerimônia de posse, na qual Nunes Marques revelou toda sua admiração pelo voto digital, ocorreu diante do presidente Lula e de Flávio Bolsonaro, crítico ao dispositivo. O cenário, de onde saiu reverenciada a urna eletrônica, inspira lembrar o motivo de sua criação, o combate às fraudes, possíveis no voto de papel.