OPINIÃO
Medidas emergenciais
Confira o Editorial desta sexta-feira

A escalada do endividamento originado pelo vício das apostas exige medidas emergenciais e deve ser motivo de preocupação não apenas dos governos, mas também da sociedade civil. Com um atraso proporcional à quantidade de cidadãos capturados pelo mau costume de fazer a fezinha de forma desmedida, está em preparação um plano de contingência.
Quem pedir empréstimo aos bancos públicos para livrar-se das dívidas contraídas terá de se comprometer a não voltar a pagar pelos palpites digitais. Depois de vencer a inadimplência, restará a angústia de cada apostador lutar contra sua vontade, pois dificilmente cessará por uma imposição externa.
A renegociação é um bote salva-vidas ao alcance de milhões de náufragos, uma vez não terem sido os apostadores protegidos do previsível tsunami. Mas não se pode descartar o afogamento por causa do canto da sereia da publicidade luxuosa estrelando celebridades e das facilidades do celular.
Como em tantas situações da psicopatologia da vida cotidiana, confunde-se facilmente opinião e conhecimento, relativizando o peso da adição do jogo. Não se trata de apostar contra ou a favor das bets; é do domínio científico o comprovado mal de uma prática compulsiva comparável ao álcool e à cocaína.
Diz muito do perfil da atual sociedade brasileira tentar remediar o prejuízo somente após um estudo apontando o impacto sofrido pelas famílias pobres. Partiu da pesquisa promovida pelo Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo (Ibevar) e FIA Bussiness School o alerta de o custo das apostas bater os juros.
Os especialistas cotejaram a influência de diferentes fatores sobre as dívidas das famílias, entre as quais soma-se o impacto dos crediários e financiamentos. Mais de 100 milhões de brasileiros pagam juros de 100% ao ano, enquanto os poucos investidores donos das bets faturaram R$ 37 bilhões em 2025.
O cenário revela o quanto os negócios não podem escapar do radar dos governos; da mesma forma, gestores precisam ficar espertos para não tornarem-se cúmplices de um caso de saúde pública.
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