EDITORIAL
Migração infantil
Um entre quatro migrantes está na idade até 11 anos segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância


As crianças dos países empobrecidos de América Latina e Caribe são forçadas a amadurecer rápido demais, em ações mais apropriadas aos adultos, na maior migração infantil jamais registrada no mundo.
Um entre quatro migrantes está na idade até 11 anos, no caminho do dobro do número registrado, em média, por todos os países, alertando o quanto as desigualdades sociais penalizam quem é destituído de suas posses. Os dados confiáveis são do Fundo das Nações Unidas para a Infância, curiosamente gerido por representantes dos mesmos países acumuladores das riquezas extraídas.
A estratégia ideológica fica evidente quando se percebe a coincidência de identidade entre os causadores do sofrimento e os denunciadores, passando uma ideia falsa de duplicidade dos mesmos sujeitos.
A pobreza material, e sua gêmea, a violência, aparecendo ali já na terceira posição a degradação do meio ambiente, estão no TOP3 das forças negativas de um contexto possível de ser julgado como cruel, devido aos perigos. Pequenas e pequenos bravas companheiras enfrentam o inóspito porto do Darién, entre Colômbia e Panamá, além de áreas de alto risco na América Central e no México, em paisagens parecidas com as dos filmes de western.
A bela narrativa dos homens do poder central em Manhattan pede uma resposta unificada a um problema continental, mas daí a passar do discurso para operações verdadeiramente terapêuticas, leva o tempo de algumas voltas pelo planeta.
À ancestral injustiça gerada pelas ocupações militares dos territórios por potências europeias e pelos Estados Unidos, acrescentam-se os efeitos tardios em economias devastadas pelos imperialistas no pleno vigor de seu domínio.
Tropas miúdas driblam, quando podem, quadrilhas de traficante de gente e entorpecentes, criminosos tipificados em dezenas de artigos dos códigos civis e explorações de todo jeito, incluindo sexo.
Maior pavor chega quando se avistam homens fortemente armados com seus uniformes militares, pois não se nota clemência diante das pequenas criaturas.