EDITORIAL
Perigo sintético
Velocidade de produção e distribuição de novas drogas vem dificultando o desenvolvimento de políticas públicas


O avanço do consumo de substâncias sintéticas pelo Brasil é a nova ameaça à saúde de usuários. O fato de ainda estarem restritas ao centro de São Paulo não é motivo de tranquilidade, sabendo-se o potencial da capital paulista como centro difusor das novidades entre os psicoativos para todo o país.
Sintetizadas para produzir efeitos parecidos com as tradicionais, essas substâncias têm a estrutura química alterada para que não se enquadrem entre aquelas já listadas como proibidas. As que têm como base os canabinoides sintéticos são identificados por K2, K4, k9 e spice.
A velocidade de produção, distribuição e consumo vem dificultando o desenvolvimento de políticas públicas. A polícia registrou o aumento de três vezes, saltando de 5% a 15% este segmento produzido em escala e método industriais, sem se saber quais os efeitos, devido à mistura de produtos, no mecanismo de prensagem.
O avanço da tecnologia capaz de gerar a metamorfose da planta acompanha o desamparo devido à inexistência de trabalho de pesquisa relacionada ao novo cenário. A resistência da população e das autoridades retarda a legalização do uso do tetrahidrocanabinol, princípio ativo do vegetal, com resultado estarrecedor, devido ao poder destrutivo das novas drogas.
Até a cocaína, cuja ação química produz facilmente a dependência, não rivaliza com as cepas criadas para abastecer o mercado. Como a clandestinidade prejudica o trabalho de órgãos de fiscalização, as misturas podem agregar pesticidas, ou outros aditivos indesejados.
Um caminho considerado para combater com êxito o problema é a opção da regulamentação das drogas, o que poderia ajudar na identificação, controle e fiscalização da qualidade das substâncias. A descriminalização poderia permitir um acompanhamento mais próximo dos danos associados ao consumo.