OPINIÃO
Vitória, CBF e o 'crime' de ser nordestino
Sucessão de erros contra o Vitória reacende o debate sobre o peso do sotaque na arbitragem

Todas as torcidas reclamam da arbitragem no Brasil e parece ser um mal que atinge a todos. Mas, para clubes do Nordeste, normalmente a sensação que fica é a de impotência, de que ser dessa região é algo criminoso.
No domingo, no duelo entre Athletico-PR e Vitória, mais uma vez o clube baiano se viu prejudicado pela arbitragem. Três dias após as polêmicas no duelo contra o Flamengo, pela Copa do Brasil. Vítima de uma tecnologia que parece não funcionar a favor do Leão.
Um erro já é ruim, mas quando isso ocorre por mais vezes dentro de uma partida, a conta não fecha.
Aqui não se trata de um discurso de coitadinho, mas de uma sucessão de erros que indigna, causa revolta e deixa uma sensação de que reclamar não vai adiantar nada. Não é sobre querer privilégios, e sim sobre não aceitar uma arbitragem que se sente confortável em falhar quando o sotaque é diferente.
O peso da decisão de Daronco
No duelo de quarta contra o Flamengo, o Vitória reclama de três lances. Dois deles em que atletas de times do Rio utilizam o cotovelo. Sendo o lance de Luiz Araújo logo no início do jogo.
O ideal seria não ocorrer erros, mas enquanto um time com orçamento de R$ 1 bilhão consegue absorver um erro de arbitragem e buscar o resultado na parte técnica, para um time do Nordeste, o erro da arbitragem acaba tendo um peso muito maior. É quase uma sentença.
Fica difícil acreditar, pelo peso que tem o Flamengo, que se os lances ocorressem do outro lado, o VAR não seria chamado. Que a tecnologia não teria entrado em ação.
Bruno Arleu e a reincidência
O árbitro do duelo contra o Furacão, Bruno Arleu, é o mesmo que em 2025 deu um pênalti escandaloso para o Palmeiras, em duelo contra o Sport. A marcação foi preponderante para a equipe paulista vencer o duelo por 2 a 1.
Arleu foi afastado, em abril, por dois jogos e depois estava de volta. Em maio do mesmo ano, ele voltou a marcar outra penalidade polêmica. Dessa vez para o Grêmio, contra o Bahia.
Agora a vítima foi o Vitória. Arleu marcou uma penalidade extremamente duvidosa contra o Vitória, e ainda deixou de aplicar o cartão vermelho em dois lances para atletas do Furacão. Um deles, Luiz Gustavo, acabou participando diretamente dos gols que deram a vitória ao Athletico.
Quantos cursos de reciclagem ele terá que passar para deixar de marcar penalidades absurdas?
E aí, CBF?
O que une a omissão de Anderson Daronco na quarta e a reincidência de Bruno Arleu no domingo, além de eles serem árbitros FIFA, é a sensação de que tudo passará sem punições pela CBF.
De que, contra o Nordeste, o erro parece 'custar menos' do que contra o eixo. Já que a maioria dos erros acontece contra os times da parte de cima do mapa.
É coincidência que erros ocorram, em sua maioria, contra times do Nordeste ou times de menor expressão dentro do eixo Rio-São Paulo, e que o contrário ocorra em uma frequência muito menor? É difícil puxar na memória erros escandalosos a favor de Vitória, Bahia, Ceará, Fortaleza e Sport contra os times do Eixo.
Enquanto a resposta para isso não vem, seguimos. O futebol nordestino não quer ser ajudado, basta o respeito e o fim do descaso.
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