DECLARAÇÃO
Alckmin condiciona fim da escala 6x1 a debate sobre setores específicos
Presidente em exercício afirma que redução de jornada é "tendência mundial"

O vice-presidente e atual presidente em exercício, Geraldo Alckmin (PSB), defendeu ontem, em Cubatão (SP), que a discussão sobre o fim da jornada de trabalho 6x1 (seis dias de trabalho para um de descanso) considere as "especificidades" de cada setor produtivo.
A declaração ocorre em meio à pressão do Palácio do Planalto para que o Congresso acelere a votação de um Projeto de Lei (PL) sobre o tema, enviado na última semana com urgência constitucional.
Durante visita a uma unidade fabril, Alckmin destacou que o avanço tecnológico impulsiona uma tendência global de redução da carga horária, mas ponderou que a regra não pode ser aplicada de forma idêntica a todas as atividades.
"O governo apoia, mas não é todo mundo que tem a mesma lógica. Cabe ao Congresso aprofundar esse debate", afirmou.
Negociação x Justiça
A postura de Alckmin ratifica a estratégia adotada pelo presidente Lula, que viaja pela Europa. Em discursos recentes, Lula tem reforçado a necessidade de um pacto entre empresários e trabalhadores para evitar que a mudança seja "empurrada goela abaixo", o que poderia gerar uma onda de processos na Justiça do Trabalho.
A ordem no Planalto é construir uma transição que seja viável economicamente, sem perder o apelo popular da medida.
Queda de braço
A urgência do governo em pautar o tema esbarra em uma disputa de protagonismo na Câmara dos Deputados. De um lado, o Executivo tenta emplacar seu PL; de outro, o presidente da Casa,Hugo Motta (Republicanos), prioriza uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que une textos da deputada Erika Hilton (PSol-SP) e de Reginaldo Lopes (PT-MG).
Caminhos da reforma
- Via Planalto (PL): tramitação mais veloz, exige maioria simples e é a aposta do governo para entregar um resultado imediato ao eleitorado.
Via Câmara (PEC): tramitação mais rigorosa, exige quórum qualificado, mas daria ao Legislativo — e a Hugo Motta — o mérito da aprovação.
A admissibilidade da PEC deve ser votada amanhã, quarta-feira, 22, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Nos bastidores, o embate é visto como um termômetro para as eleições de outubro: enquanto Lula quer transformar a jornada reduzida em bandeira de reeleição, Motta busca reverter o desgaste político acumulado ao longo de 2025.
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