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Anielle Franco garante ação interministerial para combater racismo

Ministra teve encontro com a embaixadora dos EUA Linda Thomas-Greenfield nesta quarta

Publicado quarta-feira, 03 de maio de 2023 às 13:52 h | Autor: Anderson Orrico e Vinícius Rebouças | Jornal Massa!
Ministra repudiou os casos de racismo na Gol Linhas Aéreas vistos na última semana
Ministra repudiou os casos de racismo na Gol Linhas Aéreas vistos na última semana -

A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, que está em Salvador nesta quarta-feira, 3, para um encontro com a embaixadora Linda Thomas-Greenfield, representante dos Estados Unidos nas Nações Unidas, repudiou os casos de racismo na Gol Linhas Aéreas vistos na última semana e reforçou que terá um programa entre os ministérios para fazer uma ação concreta junto às empresas de aviação.

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“Não é a primeira vez que a Gol tem esses problemas. No mesmo dia eu liguei para o ministro Sílvio Almeida que topou entrar comigo nessa ação. Já falamos também com o ministro de Portos e Aeroportos e já vamos ter uma reunião para pensar, porque é inadmissível que casos como esse sigam acontecendo cada vez mais frequentemente”, revelou Anielle.

A ministra reforçou que não foi uma única ocorrência de racismo envolvendo a companhia aérea no fim de semana e que todos os casos estão sendo notificados, mas o objetivo é a ação interministerial.

“Para além disso estamos pensando no programa interministerial para envolver também a ministra das Mulheres para que possamos fazer uma ação concreta juntos às empresas, porque é isso que é o mais importante, esse letramento racial do tratamento dessas pessoas vai ser imprescindível’, afirmou.

O encontro de Anielle Franco com a embaixadora teve como tema o compromisso dos presidentes Biden e Lula de renovar o Plano de Ação Conjunto Brasil-EUA para Eliminar a Discriminação Racial e Étnica e Promover a Igualdade (JAPER). Elas reiteraram o desejo do governo norte-americano de colaborar com o governo brasileiro para promover a equidade para comunidades raciais e étnicas marginalizadas, incluindo afrodescendentes e comunidades indígenas

“É muito importante a retomada do Japer. Eu tive a oportunidade de jogar e estudar fora e se eu pudesse dar para todas as pessoas negras a mesma oportunidade, não só a nível de país, mas também em outros estados e ter uma bolsa de estudos e garantir uma educação de qualidade, eu faria. Então retomar o Japer para além da educação, para além do combate ao genocídio e tantos outros pontos que a gente vai ter aí de cultura e memória é imprescindível”, avaliou a ministra.

Anielle não quer que as parcerias parem por aí. “A gente precisa cada vez mais fortalecer e que sirva de exemplo para outros países e queiram cada vez mais fazer acordo conosco para podermos ter políticas públicas cada vez mais fortes e eficazes em nosso país”.

Para a ministra, o Japer pode ser uma ferramenta contra o conservadorismo que se alastrou pelo Brasil e pelos EUA nos últimos anos. “Pode ser uma ferramenta sim. Acho que tudo que a gente poder usar para combater as fake news, combater as pessoas que são contrárias à democracia e ao crescimento da população negra como protagonista da sua história vai ser imprescindível”, conclui.

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