ELEIÇÕES 2024
Na reta final, candidatos apostam nos ataques pessoais
A grande maioria dos eleitores brasileiros sabia que a existência de um segundo turno entre Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) na disputa pela Presidência da República acirraria os ânimos, mas poucos imaginavam que a campanha desceria a níveis tão baixos. Agora, além de surgirem cada vez mais boatos alguns até estrategicamente abafados aqui e ali os candidatos sobem o tom das críticas, fazem ataques pessoais e o bom e velho debate de ideias e propostas parece ter sido colocado definitivamente em segundo plano.
O tucano José Serra, embalado pela possibilidade nunca antes tão real de vencer o pleito nas pesquisas de intenção de voto divulgadas até o momento a diferença entre ele e Dilma varia de oito a seis pontos percentuais pega carona nos boatos de cunho religioso-fundamentalista que atingiram a adversária no primeiro turno e investe nas supostas contradições da candidata.
Em inserção veiculada durante toda a semana, um pandeiro fazia alusão aos dois lados de Dilma o antes e o depois , com versos como Já quis mexer na Lei sobre o aborto / Mas na propaganda já mudou, diz que não quer e Na Casa Civil a Erenice era parceira / A casa caiu, ela não sabe nem quem é em referência à denúncia de tráfico de influência praticado pelo filho da agora ex-ministra da Casa Civil, Erenice Guerra.
Veja o programa de Serra com a inserção Antes e Depois:
Já Dilma, que até então vinha evitando responder aos ataques, parece ter entrado na onda da baixaria e, agora, tece fortes comparações entre os governos do PT e do PSDB. Em vários spots de rádio, frases como Cuidado minha gente que lá vem o Zé Promessa / O Zé do Bem, o Zé Conversa têm o objetivo de afirmar que Serra governa para as elites e não se preocupa com a população.
A campanha da petista pegou tão pesado que o próprio Serra reagiu ao jingle que insinua que ele é do mal com frases como (Serra) diz que é do bem para ganhar você / Ele é da turma do FHC. O tucano tentou obter direito de resposta junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por considerar a música "ofensiva e injuriosa". No entanto, por maioria de votos, os ministros do TSE acompanharam o voto do relator Henrique Neves para quem o jingle não ultrapassou o limite do debate e da crítica entre adversários em disputa eleitoral.
>>Ouça o jingle Zé Promessa
>>Ouça o jingle Turma do FHC
Para o cientista político da Universidade Federal da Bahia, Joviniano Neto, esta é a campanha mais suja desde 1989 quando Fernando Collor de Mello foi eleito por afirmar, entre outros ataques, que o adversário, o atual presidente Lula, tinha uma filha fora do casamento. Joviniano argumenta que calúnias e difamações sempre fizeram parte das campanhas, mas, neste primeiro ano em que o uso massivo da internet é permitido por Lei, a baixaria foi maximizada.
Essa é a pior campanha porque a vida pregressa, a orientação sexual, a religião e até mesmo a saúde de Dilma foram atacados através do que eu chamo de terrorismo eletrônico. Tem muita coisa circulando pela internet e não é todo mundo que pode e sabe checar se as informações são verdadeiras, opina.
Postura agressiva - De acordo com o cientista político, Dilma não teve alternativa a não ser assumir postura mais agressiva mudança verificada no debate exibido pela Rede Bandeirantes no domingo, 10, em que a petista afirmou, entre outras coisas, que Serra tem mil caras , mas a aposta na campanha negativa não implica necessariamente na decisão do votos dos indecisos cerca de 5% dos eleitores.
Os coordenadores da campanha de Dilma perceberam que a tática do o que vem de baixo não me atinge era insuficiente porque os boatos provocaram ondas de opinião de setores muito fortes, como os evangélicos. Agora, o que ajuda a decidir voto é o confronto de propostas. Cabe aos candidatos dar aos leitores informações verídicas desmontando a baixaria, sugere.
De fato, para 58,4% dos 4.012 eleitores que participaram de enquete promovida pelo portal A TARDE On Line dados computados até 16h30 desta sexta-feira, 15 os ataques que marcam as campanhas de Dilma e Serra mostram baixo nível da campanha e que candidatos não têm muitas propostas novas para apresentar. Para 27,12%, os ataques são formas de marcar as diferenças entre os dois; e apenas 14,48% acham que tanto faz o que os candidatos dizem, contanto que as propostas sejam apresentadas também.
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