Busca interna do iBahia
HOME > política > ELEIÇÕES 2024
Ouvir Compartilhar no Whatsapp Compartilhar no Facebook Compartilhar no X Compartilhar no Email

ELEIÇÕES 2024

Na reta final, candidatos apostam nos ataques pessoais

Larissa Oliveira, do A TARDE On Line

Por Larissa Oliveira, do A TARDE On Line

15/10/2010 - 21:49 h | Atualizada em 22/01/2021 - 0:00

Siga o A TARDE no Google

Google icon

A grande maioria dos eleitores brasileiros sabia que a existência de um segundo turno entre Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) na disputa pela Presidência da República acirraria os ânimos, mas poucos imaginavam que a campanha desceria a níveis tão baixos. Agora, além de surgirem cada vez mais boatos — alguns até estrategicamente abafados aqui e ali — os candidatos sobem o tom das críticas, fazem ataques pessoais e o bom e velho debate de ideias e propostas parece ter sido colocado definitivamente em segundo plano.

O tucano José Serra, embalado pela possibilidade nunca antes tão real de vencer o pleito — nas pesquisas de intenção de voto divulgadas até o momento a diferença entre ele e Dilma varia de oito a seis pontos percentuais — pega carona nos boatos de cunho religioso-fundamentalista que atingiram a adversária no primeiro turno e investe nas supostas contradições da candidata.

Em inserção veiculada durante toda a semana, um pandeiro fazia alusão aos dois lados de Dilma — o “antes” e o “depois” —, com versos como “Já quis mexer na Lei sobre o aborto / Mas na propaganda já mudou, diz que não quer” e “Na Casa Civil a Erenice era parceira / A casa caiu, ela não sabe nem quem é” — em referência à denúncia de tráfico de influência praticado pelo filho da agora ex-ministra da Casa Civil, Erenice Guerra.

Veja o programa de Serra com a inserção “Antes e Depois”:



Já Dilma, que até então vinha evitando responder aos ataques, parece ter entrado na onda da baixaria e, agora, tece fortes comparações entre os governos do PT e do PSDB. Em vários spots de rádio, frases como “Cuidado minha gente que lá vem o ‘Zé Promessa’ / O ‘Zé do Bem’, o ‘Zé Conversa’” —  têm o objetivo de afirmar que Serra governa para as elites e não se preocupa com a população.

A campanha da petista pegou tão pesado que o próprio Serra reagiu ao jingle que insinua que ele é “do mal” com frases como “(Serra) diz que é do bem para ganhar você / Ele é da turma do FHC”. O tucano tentou obter direito de resposta junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por considerar a música "ofensiva e injuriosa". No entanto, por maioria de votos, os ministros do TSE acompanharam o voto do relator Henrique Neves — para quem o jingle não ultrapassou o limite do debate e da crítica entre adversários em disputa eleitoral.

>>Ouça o jingle “Zé Promessa”

>>Ouça o jingle “Turma do FHC”


Para o cientista político da Universidade Federal da Bahia, Joviniano Neto, esta é a campanha mais “suja” desde 1989  — quando Fernando Collor de Mello foi eleito por afirmar, entre outros ataques, que o adversário, o atual presidente Lula, tinha uma filha fora do casamento. Joviniano argumenta que calúnias e difamações sempre fizeram parte das campanhas, mas, neste primeiro ano em que o uso massivo da internet é permitido por Lei, a “baixaria” foi maximizada.

“Essa é a pior campanha porque a vida pregressa, a orientação sexual, a religião e até mesmo a saúde de Dilma foram atacados através do que eu chamo de ‘terrorismo eletrônico’. Tem muita coisa circulando pela internet e não é todo mundo que pode e sabe checar se as informações são verdadeiras”, opina.

Postura agressiva - De acordo com o cientista político, Dilma não teve alternativa a não ser assumir postura mais agressiva — mudança verificada no debate exibido pela Rede Bandeirantes no domingo, 10, em que a petista afirmou, entre outras coisas, que Serra tem “mil caras” —, mas a aposta na campanha negativa não implica necessariamente na decisão do votos dos indecisos — cerca de 5% dos eleitores.

“Os coordenadores da campanha de Dilma perceberam que a tática do “o que vem de baixo não me atinge” era insuficiente porque os boatos provocaram ondas de opinião de setores muito fortes, como os evangélicos. Agora, o que ajuda a decidir voto é o confronto de propostas. Cabe aos candidatos dar aos leitores informações verídicas desmontando a baixaria”, sugere.

De fato, para 58,4% dos 4.012 eleitores que participaram de enquete promovida pelo portal A TARDE On Line — dados computados até 16h30 desta sexta-feira, 15 — os ataques que marcam as campanhas de Dilma e Serra mostram baixo nível da campanha e que candidatos não têm muitas propostas novas para apresentar. Para 27,12%, os ataques são formas de marcar as diferenças entre os dois; e apenas 14,48% acham que tanto faz o que os candidatos dizem, contanto que as propostas sejam apresentadas também.

Tudo sobre Eleições 2024 em primeira mão!
Entre no canal do WhatsApp.

Siga o A TARDE no Google Notícias e receba os principais destaques do dia.

Participe também do nosso canal no WhatsApp.

Compartilhe essa notícia com seus amigos

Compartilhar no Email Compartilhar no X Compartilhar no Facebook Compartilhar no Whatsapp

Siga nossas redes

Siga nossas redes

Publicações Relacionadas

A tarde play
Play

Irritado, Bolsonaro veta alianças do PL com o PT; assista

Play

Após oito anos, PSTU volta a disputa eleitoral com Victor Marinho

Play

Pablo Marçal bate boca com jornalista do SBT; assista

Play

Acompanhe a transmissão da mesa redonda sobre o balanço das eleições

x