Genial/Quaest: cientista político vê favoritismo de Jerônimo

Pesquisa divulgada nessa sexta-feira registra empate técnico entre petista e ACM Neto

Publicado sexta-feira, 15 de julho de 2022 às 21:25 h | Atualizado em 16/07/2022, 10:23 | Autor: Alan Rodrigues

A divulgação da nova pesquisa Genial/Quaest nesta sexta-feira, 15, apontou, à primeira vista, um amplo favoritismo para ACM Neto (União Brasil), com possibilidade de vitória ainda no primeiro turno. Mas, um olhar cuidadoso sobre os recortes do levantamento mostra um cenário diferente, com Jerônimo Rodrigues (PT) muito próximo do ex-prefeito de Salvador.

A situação de empate técnico se verifica quando o petista é apontado como o candidato do ex-presidente Lula, informação até então ignorada por 76% dos entrevistados. O apoio de Lula e a boa avaliação de Rui Costa e de seu antecessor, Jaques Wagner, permitem apontar que o favoritismo pertence a Jerônimo. Pelo menos é o que avalia o cientista político do Rio de Janeiro, Alberto Carlos Almeida.

Especialista em pesquisas eleitorais, autor de oito livros, incluindo "A cabeça do eleitor" e o recém-lançado "A mão e a luva: o que elege um presidente" -em parceria com Tiago Garrido - Almeida baseia sua análise em dados compilados das eleições realizadas desde 1998 e decididas em segundo turno.

"Todos os governadores que tinham 54% de aprovação entre ótimo e bom elegeram seus sucessores. Não é o caso de Rui Costa. Rui Costa tem 43% de ótimo e bom. O que aconteceu com os governadores que tinham essa avaliação e que indicaram o sucessor? Aqueles que tinham entre 28% e 54% de ótimo e bom em 38% das vezes elegeram seu sucessor", diz o pesquisador.

Ele acredita que as figuras do ex-presidente e dois governadores do PT podem equilibrar essa disputa e aumentar as chances de Jerônimo. "Você tem a trinca Rui Costa, Jaques Wagner e Lula. Ela tem condições sim de eleger Jerônimo Governador da Bahia. Eu considero hoje que Jerônimo é o favorito, Porque o eleitorado da Bahia tenderá a querer a continuidade do governo de Rui Costa".

Mas o cientista político faz uma ressalva e traça um paralelo com a eleição presidencial nos EUA em 2016. "Hillary Clinton era favorita. Ela tinha 70% de chances de vencer. Aconteceu o que tinha 30% de chances de vencer (Trump). O mundo é assim".  Na minha visão, Jerônimo é favorito para vencer na Bahia, mas esse favoritismo não significa que Jerônimo irá vencer. O favorito também pode perder", arremata Almeida.

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