SENADO
Jaques Wagner descarta resistência de Alcolumbre ao fim da escala 6x1
Otto Alencar deve se reunir na próxima semana com Alcolumbre destravar o tema


O senador Jaques Wagner (PT) afirmou, nesta sexta-feira, 29, que não acredita que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), vá dificultar a tramitação da proposta que prevê o fim da escala 6x1 no Congresso Nacional.
Questionado pelo portal A TARDE sobre a expectativa para a votação da proposta e se Alcolumbre poderia “melar” a votação, Wagner negou e afirmou que a medida representa um “avanço civilizatório”.
“Eu não creio, sinceramente. A escala 6 por 1 é um avanço civilizatório. A vitória na Câmara dos Deputados foi muito expressiva, uma maioria acachapante, mais de 470 [votos]. Eu não acho que o presidente Davi [Alcolumbre] vai tentar fazer qualquer dificuldade para algo que é um clamor do povo”, declarou.
A declaração foi dada durante agenda ao lado do governador Jerônimo Rodrigues e do ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, na abertura da ação conjunta dos programas Governo do Brasil na Rua e Periferia de Direitos, realizada no Centro Social Urbano (CSU) de Pernambués, em Salvador.
A movimentação acontece em meio às articulações no Senado para discutir a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que altera a jornada de trabalho no Brasil.
Fim da escala 6x1: como anda a tramitação da PEC no Senado?
O presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, Otto Alencar, deve se reunir na próxima semana com Alcolumbre para tratar do tema.
Na quinta-feira, 28, os dois parlamentares conversaram por telefone, quando Alencar reforçou a necessidade de um encontro presencial para discutir o avanço da proposta na Casa.
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O senador também comparou a proposta a outras conquistas históricas dos trabalhadores.
“Eu vou insistir que esse processo é um processo de evolução. Nós já fomos escravos, depois fomos libertos, depois tivemos uma carteira de trabalho, depois tivemos direitos trabalhistas. Toda vez que a gente fala em evoluir o direito dos que trabalham, dos que vivem do seu suor, sempre tem uma voz que se levanta dizendo: ‘vai quebrar o país’”, afirmou.
Wagner ainda defendeu que a redução da jornada pode melhorar a qualidade de vida da população e estimular a economia.
“O trabalho dignifica o ser humano, mas significa também poder viver com sua família, poder se preparar para outras coisas, para estudar, por exemplo, e crescer na vida. Então, eu acho que essa é uma bandeira difícil de se colocar contra”, disse.
Pressão popular sobre Senado
Também presente no evento, o ex-ministro da Casa Civil, Rui Costa, avaliou que o Senado deverá aprovar a proposta diante do apoio popular à medida.
“Essa é uma medida amplamente aprovada pela população. As pesquisas mostram que quase a totalidade da população brasileira aprova essa medida”, afirmou.

Rui também destacou que a votação aberta no Senado pode influenciar o posicionamento dos parlamentares.
“O Senado vai votar. Dois terços do Senado vão para as urnas este ano. Diferente da indicação do Messias, em que o voto era secreto, nesse caso o voto é aberto. A população vai saber quem votar contra essa medida”, declarou.
Segundo o ministro, os senadores devem considerar o impacto eleitoral da votação.
“Eu acredito que os senadores vão votar a favor porque ninguém quer votar contra a esmagadora maioria da população abertamente. Em ano eleitoral, ninguém quer riscar o seu mandato”, completou.


