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Lula decide se entregar: 'Vou cumprir o mandado'

Juliana Dias l A TARDE SP
Por Juliana Dias l A TARDE SP
| Atualizada em
Após discurso, o ex-presidente foi erguido e levado no meio da população até a entrada principal do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC
Após discurso, o ex-presidente foi erguido e levado no meio da população até a entrada principal do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC - Foto: Miguel Schincariol l AFP

"Eu vou atender ao mandado deles" disse Lula em seu primeiro discurso em frente ao Sindicato dos Metalúrgicos em São Bernardo do Campo (SP), na manhã deste sábado,7.

Esta foi a primeira vez que ele se pronunciou após a expedição do mandado de prisão contra ele por parte do juiz Sérgio Moro, na última quinta-feira,5.

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"Vivi os meus melhores momentos políticos aqui neste sindicato", reforçou ao relembrar parte de sua história e disse que parte das conquistas da democracia no Brasil é devida ao Sindicato.

O ex-presidente usou o palanque em cima do carro de som para afirmar que quanto mais o atacam, mais cresce sua relação com o povo brasileiro. "Quanto mais dias me deixarem lá, mais Lulas vão nascer pelo país".

Ele disse não perdoar os que passaram para a sociedade a imagem de que seria um ladrão. "Não tenho medo deles. Gostaria de debater com Moro e com o juízes do TRF4. Gostaria que eles me mostrassem uma prova do crime que supostamente teria cometido. Sou o único ser humano processado por um apartamento que não é meu", lamentou.

Lula foi condenado a 12 anos e um mês de prisão porque teria sido beneficiado com o repasse de R$ 3,7 milhões em propina – parte paga por meio do triplex no Guarujá (SP) – em troca de conceder vantagens à empreiteira OAS em contratos com a Petrobras.

De toda forma, o ex-presidente disse acreditar na Justiça, uma vez que, caso contrário, teria proposto uma revolução e não estaria em um partido político. Mas ponderou acreditar na Justiça que se baseia em provas concretas, alegações da defesa e acusação.

Críticas a Moro

Lula foi duro contra o juiz Sérgio Moro e o procurador Deltan Dalagnol, responsável pela força-tarefa da Lava Jato, que, segundo o ex-presidente, teria levado ao País a ideia de que o PT seria uma "organização criminosa" chefiada por ele.

O ex-presidente ainda os acusou de terem criado um "clima de guerra, negando a política no País". Pediu que os que usam "a toga" para fazer política assumam posicionamento e entrem para algum partido e concorram.

Lula também revelou que recebeu sugestões de que se refugiasse. "Se dependesse de minha vontade, não iria [para a prisão], mas vou para provar minha inocência", registrou e usou a conhecida frase "Os poderosos podem matar uma, duas ou três rosas, mas jamais conseguirão deter a chegada da primavera".

Ato religioso

Durante a missa em homenagem ao que seria o aniversário de Marisa Letícia, Lula participou pela primeira vez da manifestação que se formou em frente à sede do Sindicato do Metalúrgicos, onde se instalou desde a noite da última quinta,7.

No decorrer da cerimônia, foi negado mais um pedido de habeas corpus, desta vez, pelo ministro Edson Fachin do Supremo Tribunal Federal (STF).

O assunto não foi tratado na ato, em que Lula ficou ladeado pela presidente do PT, Gleisi Hoffmann, pelo líder do PT no Senado, Lindbergh Farias, pelos presidenciáveis Manuela D'Avila (PCdoB) e Guilherme Boulos (Psol) e pela ex-presidente Dilma Rousseff, que durante a cerimônia disse: "Não somos pela injustiça nem pela violência".

Ainda acompanharam o presidente da CUT, Vagner Freitas, e o ex-ministro Aloizio Mercadante.

Conforme se desenrolavam as falas, os manifestantes ficavam mais eufóricos e gritavam entre um discurso e outro "Não se entrega" e "Lula Livre". Os oradores pediram mobilização permanente a favor de Lula.

No esperado discurso, Lula disse que Dilma foi a mais injustiçada das mulheres que "ousaram fazer política no Brasil", acusada de não saber conversar ou fazer política. Porém, atribuiu a ela o sucesso de seu próprio governo. E, como político, agradeceu a todos os que estavam ali no ato.

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