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POLÍTICA

Lula decide se entregar: 'Vou cumprir o mandado'

Juliana Dias l A TARDE SP
Por Juliana Dias l A TARDE SP
| Atualizada em

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Após discurso, o ex-presidente foi erguido e levado no meio da população até a entrada principal do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC
Após discurso, o ex-presidente foi erguido e levado no meio da população até a entrada principal do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC -

"Eu vou atender ao mandado deles" disse Lula em seu primeiro discurso em frente ao Sindicato dos Metalúrgicos em São Bernardo do Campo (SP), na manhã deste sábado,7.

Esta foi a primeira vez que ele se pronunciou após a expedição do mandado de prisão contra ele por parte do juiz Sérgio Moro, na última quinta-feira,5.

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"Vivi os meus melhores momentos políticos aqui neste sindicato", reforçou ao relembrar parte de sua história e disse que parte das conquistas da democracia no Brasil é devida ao Sindicato.

O ex-presidente usou o palanque em cima do carro de som para afirmar que quanto mais o atacam, mais cresce sua relação com o povo brasileiro. "Quanto mais dias me deixarem lá, mais Lulas vão nascer pelo país".

Ele disse não perdoar os que passaram para a sociedade a imagem de que seria um ladrão. "Não tenho medo deles. Gostaria de debater com Moro e com o juízes do TRF4. Gostaria que eles me mostrassem uma prova do crime que supostamente teria cometido. Sou o único ser humano processado por um apartamento que não é meu", lamentou.

Lula foi condenado a 12 anos e um mês de prisão porque teria sido beneficiado com o repasse de R$ 3,7 milhões em propina – parte paga por meio do triplex no Guarujá (SP) – em troca de conceder vantagens à empreiteira OAS em contratos com a Petrobras.

De toda forma, o ex-presidente disse acreditar na Justiça, uma vez que, caso contrário, teria proposto uma revolução e não estaria em um partido político. Mas ponderou acreditar na Justiça que se baseia em provas concretas, alegações da defesa e acusação.

Críticas a Moro

Lula foi duro contra o juiz Sérgio Moro e o procurador Deltan Dalagnol, responsável pela força-tarefa da Lava Jato, que, segundo o ex-presidente, teria levado ao País a ideia de que o PT seria uma "organização criminosa" chefiada por ele.

O ex-presidente ainda os acusou de terem criado um "clima de guerra, negando a política no País". Pediu que os que usam "a toga" para fazer política assumam posicionamento e entrem para algum partido e concorram.

Lula também revelou que recebeu sugestões de que se refugiasse. "Se dependesse de minha vontade, não iria [para a prisão], mas vou para provar minha inocência", registrou e usou a conhecida frase "Os poderosos podem matar uma, duas ou três rosas, mas jamais conseguirão deter a chegada da primavera".

Ato religioso

Durante a missa em homenagem ao que seria o aniversário de Marisa Letícia, Lula participou pela primeira vez da manifestação que se formou em frente à sede do Sindicato do Metalúrgicos, onde se instalou desde a noite da última quinta,7.

No decorrer da cerimônia, foi negado mais um pedido de habeas corpus, desta vez, pelo ministro Edson Fachin do Supremo Tribunal Federal (STF).

O assunto não foi tratado na ato, em que Lula ficou ladeado pela presidente do PT, Gleisi Hoffmann, pelo líder do PT no Senado, Lindbergh Farias, pelos presidenciáveis Manuela D'Avila (PCdoB) e Guilherme Boulos (Psol) e pela ex-presidente Dilma Rousseff, que durante a cerimônia disse: "Não somos pela injustiça nem pela violência".

Ainda acompanharam o presidente da CUT, Vagner Freitas, e o ex-ministro Aloizio Mercadante.

Conforme se desenrolavam as falas, os manifestantes ficavam mais eufóricos e gritavam entre um discurso e outro "Não se entrega" e "Lula Livre". Os oradores pediram mobilização permanente a favor de Lula.

No esperado discurso, Lula disse que Dilma foi a mais injustiçada das mulheres que "ousaram fazer política no Brasil", acusada de não saber conversar ou fazer política. Porém, atribuiu a ela o sucesso de seu próprio governo. E, como político, agradeceu a todos os que estavam ali no ato.

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