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POLÍTICA

Na primeira reunião, conselho do PT defende queda na taxa de juros

Elizabeth Lopes e Ricardo Galhardo | Estadão Conteúdo
Por Elizabeth Lopes e Ricardo Galhardo | Estadão Conteúdo
| Atualizada em

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O Conselho Consultivo da presidência do Partido dos Trabalhadores fez nesta segunda-feira, 21, na capital paulista sua primeira reunião, com a presença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, governadores, ex-ministros, intelectuais e correligionários da sigla. Após o encontro, que foi a portas fechadas, sem acesso da imprensa, o presidente do partido, Rui Falcão, disse, em entrevista coletiva, que foi discutida a necessidade de mudanças na atual política econômica do governo da correligionária Dilma Rousseff. "Especialmente, iniciando com a queda na taxa de juros." A proposta será encaminhada ao governo.

Atualmente, mesmo com o cenário recessivo na economia, os juros seguem em seu maior nível em nove anos, desde julho de 2006, com a taxa Selic em 14,25% ao ano. Após sete aumentos seguidos nos juros básicos da economia, implementados em outubro do ano passado, assim que terminaram as eleições presidenciais, quando Dilma foi eleita para o segundo mandato consecutivo, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu manter a taxa Selic inalterada em 14,25% na última reunião do colegiado, no início deste mês.

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Para setores do PT, as elevadas taxas de juros inibem o consumo e travam ainda mais a economia, o que agrava o cenário de crise e recessão. Na rápida entrevista após a reunião, que durou cerca de quatro horas, Falcão defendeu também a promoção de mudanças tributárias "maiores do que as que estão propostas", como as que recaem sobre lucros e dividendos, sobre ganhos dos rentistas e de grandes heranças e grandes fortunas. "Precisamos, ainda, no médio prazo, de uma grande reforma tributária que mude a base do sistema, que incida mais sobre a propriedade e riqueza e menos sobre produção e salário."

Sobre a recriação da CPMF, o dirigente petista defendeu a medida, destacando, contudo que foi discutida a possibilidade de ela tramitar no Congresso Nacional não como Proposta de Emenda à Constituição (PEC), mas como Projeto de Lei Complementar (PLC). Todas as propostas discutidas no encontro de hoje serão levadas ao governo Dilma.

Bastidores

Participantes da reunião disseram ao Broadcast Político, serviço em tempo real da Agência Estado, que o diagnóstico feito da atual situação do País é preocupante. A avaliação é que as discussões em torno de um eventual processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff se dão mais no âmbito político, porque no jurídico não há, até o momento, amparo legal para a medida.

Com base neste diagnóstico, ficou acertada uma agenda de atividades em defesa da gestão e do mandato de Dilma Rousseff. Um dos participantes do encontro reconheceu, contudo, que será muito difícil levar o funcionalismo público federal - cujo aumento salarial foi congelado - a sair às ruas para a defesa da gestão da petista.

Vaccari

Rui Falcão e outros correligionários da sigla evitaram falar da condenação do ex-tesoureiro da sigla João Vaccari Neto, anunciada hoje pela Justiça. Na coletiva, o presidente nacional do PT disse que partido iria soltar uma nota a respeito e que ele só iria se pronunciar quando a sentença estivesse transitada e julgada.

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