POLÍTICA
Platéia do 1º de Maio estava mais interessada no show

As duas maiores festas organizadas em comemoração do 1º de Maio deixaram claro que o público presente estava interessado mesmo nas dezenas de atrações musicais oferecidas pela CUT e pela Força Sindical. Na festa da CUT, organizada em parceria com a CGTB, a platéia vaiava com força toda vez que a música era interrompida para a fala de algum político ou sindicalista. No ato político, que ocorreu por volta das 17 horas, o presidente estadual da central, Edílson de Paula, teve de chamar a atenção do público para conseguir algum silêncio.
?Vamos fazer um acordo, nós fizemos uma festa bonita para vocês. Não foi fácil, foram 15 dias de muita luta para fazer este trabalho, enfrentando o Ministério Público que não queria a festa, e vencemos?, disse, para conquistar, ao menos por algum tempo, a impaciente platéia.
A Força teve o cuidado de concentrar os discursos em um período ininterrupto de pouco mais de uma hora e escapou das vaias. Mas o presidente da central, deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), admitiu que poucos ali estavam de fato interessados em ouvir as reivindicações dos trabalhadores. ?Se fôssemos fazer uma conta, nós sindicalistas teríamos aqui umas mil pessoas e o resto vem por causa dos shows e sorteios?, disse, em referência à premiação de dez carros e cinco apartamentos organizada pela central. Ele insistiu, porém, que esta é uma grande oportunidade de conversar com a população.
Segundo a Polícia Militar, a festa da Força reuniu 1,3 milhão de pessoas. Na CUT, o número ficou em 300 mil. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo