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POLÍTICA

Políticos baianos de olho na mídia digital

Luciana Moherdaui
Por Luciana Moherdaui

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De olho no aumento do uso da banda larga no País (mais de 50% dos usuários usam banda larga, segundo dados do Ibope eRatings) e na velocidade em que surgem novos suportes digitais, A Tarde On Line apurou que a coordenação de campanha do candidato do PT Jaques Wagner ao governo do Estado da Bahia estuda estratégias de marketing tendo em vista o uso de site, orkut, blog, podcasting, SMS e MMS e botetins informativos para atrair e ampliar a interação dos eleitores.



A idéia é disponibilizar ao eleitor programa de governo, programas eleitorais, além da campanha de rádio e de tevê em áudio, vídeo e texto. Também será discutida a criação de um blog para o eleitor conversar com Wagner. A idéia é criar uma tribuna para o candidato a partir destes novos suportes. A filosofia da campanha segue a lógica de que a internet permite mobilizar as pessoas por conta da interatividade.



Estratégia parecida deverá ser adotada pela equipe do pefelista Paulo Souto, favorito à reeleição na sucessão baiana, segundo pesquisa Ibope encomendada pela TV Bahia. Em vez de ter a dupla redator e diretor de arte, a idéia é criar trinca, e incluir um especialista em web, o conselheiro de campanha na internet como ocorre nos Estados Unidos. “Haverá um arsenal para ser distribuído por diversas plataformas digitais”, conta um publicitário ligado ao atual governador.



Para o pesquisador Marcos Palácios, a função de conselheiro de internet faz parte de um alargamento do campo. Já Elias Machado diz que não se trata de uma reconfiguração de estratégias e sim de uma adaptação às novas circunstâncias. Até porque cada vez mais jornalistas se informam e fazem apurações pela rede.



“Incorporar o conselheiro à campanha representa uma tendência que provavelmente se consolidará tendo em vista o significado das redes de comunicação nas sociedades contemporâneas. No Brasil desde pelo menos 1996 existe o uso da Internet nas campanhas eleitorais”, diz Machado.



Na opinião do doutor em filosofia, Wilson Gomes, política é uma atividade astuta e os partidos são organismos especializados na própria sobrevivência. Por isso, a política institucional lança mão de qualquer recurso novo para atingir os seus fins. “Se a internet se transforma num instrumento importante de campanha, é preciso aparelhar-se, por meio de staff especializado, para lidar com isso.”



Também muda a forma pela qual os partidos arrecadam fundos. No site do PT (www.pt.org.br), um banner pede doações aos usuários. “Contamos com nossos filiados para ajudar o PT a sair da crise financeira em que se encontra. O objetivo da campanha é mobilizar lideranças e bases para recolher R$ 13 milhões até o final de janeiro”. A página do PSDB (www.psdb.org.br) disponibiliza vídeos para download dos programas do partido na tevê.



Cofres cheios - Nos EUA, a arrecadação pela internet nas eleições de 2004 foi significativa para o então candidato democrata à presidência Howard Dean, ex-governador do estado de Vermont. O consultor de mídia do presidente George W. Bush, Mark McKinnon disse recentemente ao jornal “The New York Times” que apesar de a propaganda em televisão ainda ser crucial, tem se tornado notadamente menos influente em persuadir eleitores como ocorreu dois anos atrás.



Democratas e republicanos têm seus conselheiros de internet. Entre os primeiros, o especialista Daily Kos levanta fundos por meio de correntes de blogs e se tornou uma das figuras mais influentes no cenário político. No lado dos democratas, o professor de direito da Universidade do Tennessee, Glenn Reynolds mapeia notícias e artigos políticos e acrescenta comentários em seu blog (http://www.instapundit.com).



Em 2002, a blogsfera se tornou referência obrigatória na campanha dos EUA. Um dos senadores mais influentes daquele país, o republicano Trent Lott teceu impropérios a um candidato a presidente de 40 anos que tinha uma plataforma segregacionista. A imprensa tradicional não repercutiu o fato, mas os blogueiros não deixaram barato. Fizeram uma campanha contra Lott, que teve de renunciar ao posto de líder na maioria do senado americano.

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