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Prevent Senior gastou R$ 4,8 mi com medicamentos do ‘kit covid’ na pandemia

Publicado às | Atualizado em 05/10/2021, 19:06 | Autor: Da Redação
A empresa afirma que as compras foram feitas por “prevenção” | Foto: Pedro França I Agência Senado
A empresa afirma que as compras foram feitas por “prevenção” | Foto: Pedro França I Agência Senado -
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A CPI da Pandemia indicou que a rede Prevent Senior gastou R$ 4,8 milhões durante a pandemia com medicamentos do chamado “kit covid”, que tem sua ineficácia comprovada contra a covid-19. As informações estão em planilhas em posse dos senadores da comissão. De acordo com o documento, ao todo, foram adquiridos 1,98 milhão de comprimidos de hidroxicloroquina, azitromicina e ivermectina. A empresa afirma que as compras foram feitas por “prevenção”.

Do total gasto com hidroxicloroquina e azitromicina durante a pandemia, 75% do valor foi desembolsado entre março e maio do ano passado. Os meses coincidem com o período em que a Prevent Senior fez um estudo para testar a eficácia da hidroxicloroquina associada à azitromicina no tratamento da covid-19. Na época, a rede divulgou que a pesquisa tinha sido feita entre 26 de março e 4 de abril, do ano passado, para avaliar possíveis reduções no número de internações em pacientes com suspeita de infecção pelo coronavírus.

Médicos que trabalharam na operadora denunciaram uma prescrição indiscriminada do “kit covid” para associados da Prevent Senior. Sacolas fechadas com o coquetel de drogas eram enviadas até mesmo para quem nem sequer havia feito o teste para a doença. Um dossiê entregue à CPI aponta ainda que os profissionais de saúde eram obrigados a receitar os medicamentos, caso contrário seriam demitidos, e que pacientes da rede foram tratados com esses remédios sem saber. Além da CPI, a rede também é investigada pelo Ministério Público de São Paulo.

O grupo também acusa a operadora de subnotificar casos de covid, fraudar atestados de óbitos, como nos casos da mãe do empresário Luciano Hang, Regina Hang, e do toxicologista Anthony Wong, e de firmar um pacto com o governo federal e com o “gabinete paralelo” para livrar a empresa de críticas e testar o “tratamento precoce”.

O epidemiologista e pesquisador da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) Pedro Hallal, afirmou, em conversa com o jornal O Estado de S. Paulo,  que “uma compra desse volume deixa claro que a prescrição (dos medicamentos) fazia parte da estratégia da empresa”.

“O que eu lamento muito, porque esses recursos poderiam ter sido usados em estratégias que efetivamente são efetivas para prevenir a disseminação do vírus, como uma política de testagem mais ampla, como uma política de rastreamento de contatos, isolamento dos casos suspeitos e distribuição de máscaras para evitar o contágio”, disse. “Mostra que a empresa adotou uma política equivocada para enfrentar a pandemia.”

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