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POLÍTICA

Rumos do PT na pauta do dia

Lília de Souza, do A Tarde
Por Lília de Souza, do A Tarde

O resultado do Processo de Eleição Direta (PED) do PT em Salvador será decisivo no conjunto de fatores que pesarão na balança para definir o apoio do partido à reeleição do prefeito João Henrique (PMDB). Até 16 de dezembro, o PT realiza o segundo PED após a crise que abalou a legenda em 2005.

Resgatar, redefinir, arrumar o partido e dar sustentabilidade aos governos Lula e Wagner são as palavras, em geral, tiradas da cartola pelos petistas que disputam as direções nacional, estaduais, municipais e zonais. Na Bahia, seis candidatos concorrem à presidência. Em Salvador, são cinco. O primeiro turno será dia 2 de dezembro.

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Os grupos que se saírem melhor terão mais força para definir os arranjos políticos e interferir nas eleições de 2008 e 2010. No caso de Salvador, o próximo Diretório poderá rever a permanência do PT na gestão de João Henrique, decidida há pouco mais de dois meses, em uma vitória apertada de 23 a 21.

Repactuação – Saia-justa. Depois de aumentar a presença na prefeitura, o não apoio à reeleição de João Henrique pode ser caracterizado como oportunismo do PT, comenta-se nos bastidores. Para escapar disso, setores que apoiaram a repactuação têm fortalecido a defesa da tese da viabilidade político-eleitoral do candidato a ser escolhido para o Thomé de Souza – ou para qualquer outra cidade onde haja tensão na base aliada de sustentação ao governo Wagner.

Na defesa da unidade da coalizão, em que o PMDB do ministro Geddel Vieira Lima ocupa lugar de destaque, o governador Jaques Wagner se pronunciou favorável à continuidade do partido na gestão João Henrique. Por outro lado, contra a repactuação, votou o campo Reencantar, do qual fazem parte expoentes do governo próximos a Wagner, como os secretários de Relações Institucionais, Rui Costa, e da Fazenda, Carlos Martins, além do líder do governo na Assembléia, Waldenor Pereira.

“A posição do Reencantar em Salvador é por candidatura do bloco de esquerda (PT, PCdoB, PSB e PV). Enquanto governo, a postura de Wagner é manter a situação calma com os aliados”, ressalta Pery Fálcon, candidato à presidência estadual pela Reencantar. “Nós, enquanto partido, temos que defender os interesses da legenda, e óbvio, do ponto de vista maior, também os do governo”.

“Ainda não estamos discutindo alianças, há uma sinalização de apoio à reeleição, mas a política é dinâmica. O nosso compromisso é com o programa de governo”, afirma a candidata ao PT estadual pela corrente Democracia Socialista (DS), Neuza Cadore. “Não podemos fazer das eleições o debate principal do PED em Salvador”, critica Edson Miranda, candidato à presidência municipal do PT.

O deputado federal Walter Pinheiro (PT), maior liderança da DS no Estado, orientou o voto da corrente em prol da repactuação. Devido a suas declarações à imprensa, corre nos meios políticos que o projeto de Pinheiro seria o Senado em 2010, e que a Prefeitura de Salvador não estaria nos seus planos. Porém, segundo informações de fontes do governo, o deputado estaria trabalhando, na verdade, com a possibilidade real de qualquer um dos cenários.

Entretanto, por não possuir maioria no Diretório Municipal, não teria condições de ser o “candidato de dentro do partido para fora”. Então, preserva a simpatia do PMDB, que, na possibilidade de não decolar a candidatura de João Henrique, poderia apresentá-lo como o favorito da legenda para encabeçar a chapa da coalizão.

Walter Pinheiro articularia o seu nome sem entrar na polarização com o PMDB, realizada por algumas correntes petistas, como a Articulação de Esquerda (AE) e a Esquerda Democrática e Popular (EDP), que defendem o deputado federal Nelson Pelegrino para concorrer, pela quarta vez, à Prefeitura. Entre os nomes mais expressivos da chapa A Esperança é Vermelha, estão o atual presidente estadual do PT, Marcelino Galo, que disputa a reeleição, e o secretário de Desenvolvimento Social, Valmir Assunção.

“Na verdade, o que acontece é uma procura do PMDB por sombra no poder”, alfinetou Marcelino. “O nosso projeto em Salvador tem como enfoque central a defesa da candidatura do PT, que deve protagonizar o processo”, enfatiza o candidato à presidência do PT municipal Edísio Nunes. Se, no Diretório de Salvador, sair vitorioso o conjunto das forças pró-candidatura própria, como a de Nelson Pelegrino, que é da EDP e foi o maior opositor da repactuação, poderá acontecer uma reviravolta na relação do PT com o governo João e sua candidatura à reeleição.

Possibilidades – Pinheiro afirma que não está descartada nenhuma possibilidade. Segundo ele, o seu caminho pode ser tanto compor a chapa majoritária em 2010, como também a majoritária em 2008 na capital baiana. “Nós fizemos um pacto com o PMDB, e nesse conjunto vamos discutir o que faremos”, disse. “Mas afirmo que não sou candidato a vice em Salvador. Como tenho dito, se eu não posso ser Pelé, ficar no banco de reservas também não dá” (risos), pontuou. Para Pinheiro, o importante é o PT não sair só em 2008, mantendo a unidade na base.

Também apoiaram a repactuação integrantes do Diretório pertencentes ao Construindo Um Novo Brasil – o ex-Campo Majoritário –, corrente que congrega nomes como o deputado federal Zezéu Ribeiro, os ex-deputados Emiliano José e Josias Gomes, o secretário da Agricultura Geraldo Simões e o gerente de Comunicação Institucional da Petrobras, Rosemberg Pinto. “Naquele momento, foi a decisão mais acertada. Há uma avaliação de que existe fragilidadade no projeto desenvolvido em Salvador. Mas não tomaremos nenhuma decisão precipitada”, disse o candidato a presidente estadual pela corrente, Jonas Paulo . “Nosso compromisso é com a gestão municipal. Quando se iniciar o debate sucessório, não poderemos deixar de considerar a política de alianças”, destaca a candidata à presidência do Diretório em Salvador, a vereadora Vânia Galvão.

Para o candidato à presidência estadual da chapa Movimento 20 de Novembro, Hipólito de Brito, militante do Movimento Negro, “o partido, quando sair do PED, fará uma revisão sobre o que foi decidido pelo diretório municipal. O cenário é propício para que o PT lance candidato próprio”.

Candidata a presidente estadual pela chapa Terra, Trabalho e Cidadania, da tendência O Trabalho – a mais radical no Estado –, diz Edenice Santana: “Não tem negócio de avaliar potencial; a candidatura própria é o nosso ponto central, pois não são os partidos da coalizão inimigos de ontem que devem dizer as regras”. Celi Taffarel, candidata da corrente ao PT municipal, dispara: “Sou contra a aliança com o PMDB. À medida que ele cresce no governo Wagner, diminui a chance de o PT desenvolver política para os trabalhadores”. Já a secretária da Reparação de João Henrique, Antônia Garcia, candidata à presidência municipal do PT pela chapa Dois de Julho, ressalta a unidade. “Se o PT ficou na gestão, supõe-se que está apoiando a reeleição. Precisamos governar, avaliaremos as eleições no momento mais adequado”.

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