METROPOLITANA
Primeira mestre de obras da Bahia luta pela inserção da mulher na Construção Civil
Por Da Redação

Nascida em um pequeno povoado de Jaguaripe, no Recôncavo Baiano, Maria do Amparo Xavier, 62 anos, ficou conhecida por ser a primeira mestre de obras da Bahia. Atualmente, ela dá palestras e luta pela inserção das mulheres no mercado de trabalho, especificamente na Construção Civil. Maria está prestes a lançar o seu segundo livro, tendo sido o primeiro a biografia “Simplesmente Maria”. “É extremamente necessário que as mulheres ocupem os espaços de poder em todos os lugares, seja na política partidária, ou sindical. É preciso lembrar que nós, mulheres, somos competentes e trabalhamos muito bem”, afirma ela, que é secretária de Política para as Mulheres do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Pesada e Montagem Industrial do Estado da Bahia (SINTEPAV).
De acordo com a mestre de obras, o desafio é inserir cada vez mais mulheres no segmento. “Temos importantes vitórias para comemorar. Nas obras da Arena Fonte Nova, por exemplo, tivemos 450 mulheres atuando. Na construção do metrô, foram mais de 800 mulheres”, contabiliza. Mas ela ressalva que nunca foi fácil para a mulher estar inserida nessa profissão considerada tipicamente masculina. “Tratando-se desse segmento, posso falar que conheço tudo, seja na construção leve ou pesada”, relata Maria do Amparo.
De origem pobre, passou a infância dentro de uma casa de palha e, conta que ao ver um lar construído com tijolos, teve a certeza de que passaria a vida “entre vigas e concretos, erguendo edificações e fazendo história”. A carreira começou aos 14 anos, varrendo um canteiro de obras. Aos poucos, passou a servente, carpinteira, pedreira e armadora até chegar a comandar importantes obras, como funcionária de grandes construtoras. No início dos anos 90, liderou inúmeros homens nas intervenções que requalificaram a Praça Dois de Julho, conhecida pelos soteropolitanos como ‘Praça do Campo Grande’. “Eu fui a encarregada de toda a reforma da praça, uma obra maravilhosa, que na época gerou uma repercussão enorme. Eu era única mulher na obra. Cada cantinho dessa praça tem um pouquinho de mim”, conta.
Outra importante obra chefiada por Maria, que contou com uma equipe de mais de dois mil homens, foi a urbanização, em 1998, do Dique do Tororó. “Foi uma obra bem complicada, por conta do pouco espaço e das pistas laterais, e bastante fiscalizada pela Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado (CONDER). Fizemos toda a requalificação, a limpeza total das águas, construímos toda a área de lazer e hoje dá orgulho de ver esse espaço, assim, lindo e frequentado assiduamente por turistas e soteropolitanos”.
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