CONFIRA
60% da frota resolve? Subúrbio está entre as regiões mais afetadas pela greve de ônibus
Reportagem de A TARDE percorreu diversos pontos da cidade nas primeiras horas da manhã desta sexta-feira


Os primeiros reflexos da greve dos rodoviários já foram sentidos nas primeiras horas da manhã desta sexta-feira, 22, na região do Subúrbio Ferroviário de Salvador. A equipe de reportagem do portal A TARDE percorreu diversos pontos da Avenida Suburbana e encontrou passageiros enfrentando longas esperas e pontos de ônibus lotados.
Em Plataforma, um dos principais pontos da região amanheceu com movimentação acima do habitual. Muitos passageiros aguardavam ônibus desde cedo, enquanto outros buscavam alternativas para conseguir chegar ao trabalho.
A reportagem também registrou grande circulação de vans do transporte complementar ao longo da Suburbana. Na descida de Plataforma, nas proximidades do Parque São Bartolomeu, e no ponto do Lobato, em direção à ligação Lobato-Pirajá, era possível ver passageiros embarcando nos veículos alternativos para fugir da demora dos ônibus.
Veja vídeos:
Estação Iguatemi
Na Estação Iguatemi, apesar do movimento gtranquilo, passageiros enfrentaram dificuldades logo nas primeiras horas da manhã. A reportagem do portal A TARDE conversou com usuários que aguardavam ônibus sem previsão de chegada, apesar da determinação judicial para circulação de 60% da frota nos horários de pico.

A passageira Ana Maria contou que estava no terminal desde às 5h da manhã e afirmou que nenhum coletivo havia passado até o momento da entrevista.
“Eu tô aqui desde 5 horas. E não chegou ônibus nenhum. “Eles preferem deixar a situação rolar aí à mercê deles”, disse.

Outra passageira ouvida pela reportagem foi Edna, que relatou dificuldades desde o início do trajeto até a Estação Iguatemi.
“No momento não passou nada. Eu vim do Garça até aqui, a antiga rodoviária, e aí não encontrei um ônibus nenhum”, afirmou.
A trabalhadora também demonstrou preocupação com o atraso no trabalho por causa da paralisação.
“Hoje com a greve, acho que eu vou chegar bem atrasada”, lamentou.

A reportagem do portal A TARDE flagrou o momento em que o primeiro ônibus chegou à Estação Iguatemi na manhã desta sexta-feira, 22. O veículo, no entanto, não fazia parte do sistema municipal de transporte coletivo. Confira:
No ponto em frente ao Shopping da Bahia, o cenário não foi diferente. Nas primeiras horas da manhã desta sexta-feira, 22, apesar do baixo movimento, passageiros também enfrentaram longas esperas e dificuldades para embarcar.

Um dos passageiros, Manoel Nascimento, que mora em São Caetano, contou que precisou mudar toda a rotina para conseguir chegar ao trabalho no horário. Ele afirmou que saiu de casa ainda de madrugada e teve gastos maiores com transporte por aplicativo.
“Eu tive que acordar 4 horas para me arrumar. No caso, eu vou pagar R$ 20 de Uber daqui para lá, mais ou menos. Então, deve ser uns R$ 15 a mais”, relatou.
Outra passageira, Roquelina Pereira, moradora do Parque das Bromélias, afirmou que acordou por volta das 4h30 para tentar garantir o deslocamento até o trabalho, mas enfrentou dificuldades por falta de ônibus.
“Desde 4:30 para poder pegar ônibus e não tem ônibus. Eu sou a favor da greve, mas a gente fica muito vulnerável em relação ao nosso ida ao trabalho”, disse.
O que diz a Semob
A Secretaria Municipal de Mobilidade (Semob) informou que colocou em prática uma operação de contingência com veículos do Sistema de Transporte Especial Complementar (STEC) para tentar reduzir os impactos da greve nos principais corredores de Salvador.
Segundo o órgão, até por volta das 6h30 desta sexta-feira, 22, não havia sido registrado início da operação nas garagens de ônibus da capital, o que descumpriria a decisão judicial que determina a circulação de 60% da frota nos horários de pico.

A pasta também afirmou que agentes da Semob foram deslocados para os principais terminais e garagens da cidade para acompanhar a movimentação e monitorar o funcionamento do sistema durante a paralisação.
Greve dos rodoviários
A greve foi mantida após rodada de negociações sem acordo entre empresários e rodoviários no Tribunal Regional do Trabalho da Bahia (TRT-BA). A categoria reivindica reajuste salarial e manutenção de direitos trabalhistas, enquanto as empresas alegam dificuldades financeiras.
Por determinação da Justiça, 60% da frota deve circular nos horários de pico e 40% nos demais períodos do dia. Apesar disso, passageiros relataram demora e superlotação logo nas primeiras horas da manhã.
Para tentar reduzir os impactos da paralisação, a Prefeitura de Salvador anunciou reforço com 180 ônibus do Sistema de Transporte Especial Complementar (STEC) nos principais corredores da cidade.