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O mapa das mortes no trânsito de Salvador; conheça as avenidas mais perigosas

Levantamento da Transalvador aponta os locais e momentos mais comuns das mortes no trânsito

Daniel Genonadio
Por
| Atualizada em
Carro parado na região da Avenida Paralela
Carro parado na região da Avenida Paralela - Foto: Rafaela Araújo/ Ag. A TARDE

Em 2025, 132 pessoas morreram no trânsito de Salvador, uma redução de 11% no número de vítimas fatais em comparação com 2024. Essa queda, no entanto, ainda não foi suficiente para reverter a grande uma alta contínua que acontece desde 2022, quando a cidade alcançou o menor número de vítimas fatais em sinistros de trânsito. Naquele ano, foram 111 mortes registradas.

O que você vai ler nesta reportagem

  • Em 2025, Salvador registrou 132 mortes no trânsito, uma redução de 11% em relação a 2024, mas as mortes ainda estão em aumento desde 2022.
  • Morte de motociclistas subiu 50% nos últimos dois anos, liderando as estatísticas, com 75 mortos e 3.550 feridos em 2024.
  • O número de mortes de pedestres aumentou 58%, de 36 em 2023 para 57 em 2024, com destaque para atropelamentos.
  • Domingo é o dia mais fatal, com 30 mortes em 2024. A maioria dos acidentes ocorre entre tarde e noite, especialmente às 21h.
  • O excesso de velocidade é a principal causa de acidentes e ações estão sendo planejadas para regular e promover segurança viária em Salvador.

Os principais protagonistas de crescimento absoluto no número de sinistros e mortes no trânsito da capital baiana foram os motociclistas. As mortes de condutores e passageiros de moto subiram mais de 15% em 2024, acumulando um aumento de 50% em apenas dois anos. Os números são do mais recente Relatório Anual de Segurança Viária divulgado pela Superintendência de Trânsito de Salvador (Transalvador).

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Ocupantes de motocicletas lideram a estatística de vítimas no trânsito de Salvador, com 75 mortos e 3.550 feridos em 2024. Esses números representam 50,7% do total de mortos e 75,2% do total de feridos registrados na cidade. O crescimento das mortes de pedestres também chama a atenção, saindo de 36 em 2023 para 57 em 2024, um aumento de 58%.

"Condutores apressados, especialmente motociclistas, desrespeitam os limites e, ao serem autuados, alegam a existência de uma “indústria da multa”. Na realidade, a fiscalização é uma ferramenta vital de proteção à vida. Sem ela, o trânsito se tornaria mais caótico, com aumento expressivo de mortes e lesões graves", destacou o trecho do Relatório Anual de Segurança Viária.

As avenidas com mais mortes no trânsito em Salvador

O Relatório Anual de Segurança Viária apresentou pontos críticos de perigo em diversas zonas urbanas e rodoviárias de Salvador, com base no sistema oficial de monitoramento de sinistros. Esses registros servem como uma ferramenta visual para compreender a distribuição da mortalidade no tráfego local.

Algumas regiões de Salvador chamaram atenção pela intensa incidência de sinistros de trânsito com vítimas fatais. Os locais com maior quantidade de registros do tipo entre 2020 e 2024 foram:

  • Avenida Afrânio Peixoto (Suburbana)
  • Corredor da BR-324
  • Avenida Luís Viana Filho (Paralela)
  • Região Central (Bonocô e Iguatemi)
  • Cidade Baixa/ Comércio
  • Orla marítima

“As avenidas citadas reúnem características típicas de vias arteriais e de ligação estrutural da cidade. Do ponto de vista da engenharia de tráfego, essas vias possuem em comum o alto volume de fluxo de veículos e pedestres, funcionando como importantes corredores de deslocamento que conectam diferentes bairros de Salvador e também regiões metropolitanas. Essa intensa demanda gera maior exposição ao risco, aumentando a probabilidade de ocorrência de sinistros", disse a engenheira de Tráfego, especialista em Gestão de Trânsito e Segurança Viária, Suraia Lago.

A especialista apontou ainda que essas vias apresentam características geométricas que favorecem velocidades mais elevadas, como pistas largas, múltiplas faixas de rolamento e, em alguns trechos, longas retas. "Esse fator, aliado ao comportamento inadequado de parte dos condutores e motociclistas, contribui para a maior gravidade dos sinistros”, explica.

“Outro ponto relevante é a presença significativa de travessias de pedestres ao longo dessas avenidas, muitas vezes em áreas com grande adensamento urbano, intensa atividade comercial e de transporte público. A coexistência de fluxos elevados de veículos e pedestres aumenta o risco de atropelamentos. Também se destacam fatores como acessos múltiplos, entradas e saídas frequentes, pontos de ônibus próximos à pista de rolamento e conflitos de tráfego, que tornam a operação viária mais complexa e suscetível a ocorrências”, acrescentou Suraia Lago.

Excesso de velocidade lidera infrações de trânsito,
Excesso de velocidade lidera infrações de trânsito, - Foto: Shirley Stolze / Ag A TARDE

Neste cenário, o aumento expressivo no número de motociclistas conversa com o crescimento de sinistros fatais. “Os dados mais recentes confirmam que os motociclistas já são, de fato, o grupo mais vulnerável no trânsito de Salvador e da Bahia, o que impõe um novo desafio à engenharia de tráfego”, apontou Suraia Lago.

“Do ponto de vista técnico, é importante destacar que grande parte das avenidas estruturais da cidade, como Paralela, Bonocô, ACM e Afrânio Peixoto (Suburbana), foi concebida sob uma lógica mais voltada à fluidez veicular, em um período em que a frota de motocicletas era significativamente menor. Ou seja, essas vias não foram originalmente projetadas para o volume e o padrão operacional atual das motos, que possuem dinâmica própria, maior vulnerabilidade e elevada exposição ao risco. A ampliação de soluções como a motofaixa, aliada à gestão de velocidade, fiscalização e educação, representa um caminho eficaz para reduzir sinistros e preservar vidas”, declarou a especialista.

Mapa de calor

Imagem ilustrativa da imagem O mapa das mortes no trânsito de Salvador; conheça as avenidas mais perigosas
Foto: Reprodução /Transalvador
  • Avenida Afrânio Peixoto (Suburbana): O mapa de calor mostra uma mancha vermelha contínua e intensa, indicando que a Suburbana é um dos corredores mais críticos da cidade. A avenida combina características de rodovia (velocidade) com um contexto urbano denso (pedestres, comércio e residências);
  • Corredor da BR-324: Os núcleos em Pirajá, Águas Claras e Cajazeiras indicam que o perigo na BR-324 está diretamente ligado aos nós de acesso. Esses pontos sugerem um alto risco em áreas de entroncamento e fluxo de alta velocidade;
  • Avenida Luís Viana Filho (Paralela): O perigo na maior avenida de Salvador se concentra em dois polos principais: No início, na região de Pernambués e Imbuí, e no extremo oposto, nas imediações de Mussurunga e São Cristóvão, próximo à divisa com Lauro de Freitas;
  • Região Central (Bonocô e Iguatemi): A concentração na Avenida Mário Leal Ferreira (Bonocô) e na Avenida ACM pode ser explicada pela alto volume de veículos na região caracterizada por ser o escoamento central do trânsito da capital baiana;
  • Cidade Baixa / Comércio: A região do Comércio e Calçada é indicada como uma zona de alto risco para sinistros fatais em áreas urbanas densas. No local, a infraestrutura urbana antiga se encontra com grande fluxo de trabalhadores;
  • Orla Marítima: Embora menos densa que outras regiões de Salvador, o trecho de Itapuã e Piatã apresenta pontos intensos de acidentes com vítimas fatais.
  • 1 de 6 Avenida Afrânio Peixoto (Suburbana)
    Avenida Afrânio Peixoto (Suburbana) |
  • 2 de 6 Corredor da BR-324
    Corredor da BR-324 |
  • 3 de 6 Avenida Luís Viana Filho (Paralela)
    Avenida Luís Viana Filho (Paralela) |
  • 4 de 6 Avenida Bonocô
    Avenida Bonocô |
  • 5 de 6 Cidade Baixa / Comércio
    Cidade Baixa / Comércio |
  • 6 de 6 Avenida Octávio Mangabeira, na Orla Marítima de Salvador
    Avenida Octávio Mangabeira, na Orla Marítima de Salvador |

As vítimas do trânsito

Entre as 148 vítimas fatais no trânsito de Salvador em 2024, 57 (38,5%) foram atingidas por veículos leves (automóveis, SUVs e utilitários), sendo 36 pedestres, 18 ocupantes de motocicletas, dois ocupantes de outros veículos e um ciclista.

Entre os 75 ocupantes de motocicletas mortos no trânsito de Salvador em 2024, as causas da morte foram: queda da moto (22 casos), colisão com veículos leve (18), colisão com outra motocicleta (13), choque contra objeto fixo (11 casos), colisão com ônibus (10), colisão com caminhão (1).

Já entre os 57 pedestres mortos no trânsito de Salvador em 2024, as causas foram: atropelados por veículo leve (36 casos), atropelados por motocicleta (16), atropelados por caminhão (3), atropelados por ônibus (2).

A Transalvador revelou também os meses, dias da semanas e até horários em que as os acidentes fatais ocorreram na capital baiana durante o ano de 2024. Os dados revelaram um equilíbrio, com novembro sendo o único mês com número de mortes inferior a 10 (foram 7). Janeiro liderou o índice, com 17 vítimas fatais.

Já quando o assunto é dia da semana, os dados mostram uma forte tendência. O domingo foi o dia mais fatal no trânsito de Salvador, com 30 mortes registradas, enquanto o sábado foi o de menor incidência, com 15. Curiosamente, apesar de mais fatal, o domingo foi o dia da semana com menor número de sinistros de trânsito (475).

O levantamento da Transalvador também apontou o período do dia com maior incidência de sinistros com feridos e mortes: manhã (1145 sinistros e 20 mortes); tarde (1369 sinistros e 47 mortes); noite (953 sinistros e 55 mortes); madrugada (314 sinistros e 24 mortes).

As horas do dia com maior número de sinistros com feridos foram às 8h (287) e 17h (268), horários de pico em que maior parte da população se locomove na ida e volta do trabalho. No entanto, o horário mais fatal no trânsito de Salvador em 2024 foi às 21h, com 14 mortes registradas frente a 145 sinistros com feridos.

Homens foram as principais vítimas fatais no trânsito de Salvador, representando 80% do total de mortes registradas em 2024. Entre eles, 27% tinham entre 20 e 29 anos.

Trânsito em Salvador
Trânsito em Salvador - Foto: Rafaela Araújo/ Ag. A TARDE

Para o superintendente da Transalvador, Diego Brito, o aumento acelerado de vítimas fatais e feridas entre ocupantes de motocicletas e pedestres reforça a urgência de ações específicas de infraestrutura e fiscalização no trânsito, principalmente no combate ao excesso de velocidade nas principais vias de tráfego da cidade.

"Na Avenida Paralela, principalmente, a gente identifica mais sinistros, principalmente envolvendo motociclistas. É a única via de Salvador com velocidade máxima de 80 km/h. A maior causa de sinistros ainda é a velocidade. Agora em 2026 já temos registrados seis sinistros fatais [na Av. Paralela], a maioria no período de Carnaval, e isso assusta", disse, reforçando ainda os momentos em que sinistros são mais comuns.

"Finais de semana e feriado, as pessoas costumam ingerir álcool e, consequentemente, acontecem acidentes. As pessoas ficam mais corajosas e excedem o limite de velocidade", indicou.

O superintendente também apontou possíveis causas para sinistros com motociclistas em Salvador, apontando a falta de proteção física e a pressão social/econômica para aqueles que trabalham com aplicativos, o que pode levar ao desrespeito às regras para cumprir metas. Segundo Brito, jovens entram na informalidade sem preparação, pilotando até 16 horas por dia para pagar o financiamento do veículo.

Combate ao excesso de velocidade

Entre os principais fatores de risco para sinistros de trânsito estão: excesso de velocidade, conduzir sob efeito de bebida alcoólica, falta de equipamentos de proteção e distrações ao dirigir (como uso do celular).

Em Salvador, o excesso de velocidade ocupa o 1º e 3º lugar no ranking das infrações mais cometidas, respectivamente exceder o limite de velocidade em até 20% e exceder o limite de velocidade em mais de 20% até 50%. O plano da Prefeitura de Salvador 2025-2028 prevê ações complementares às iniciativas já desenvolvidas para tornar o trânsito mais seguro. Entre as ações estão:

  • Regulamentar a velocidade em novos pontos da cidade;
  • Ampliar as áreas de trânsito calmo;
  • Promover campanhas educativas a diferentes públicos.

A cartilha da OMS sugere velocidades máximas de 50 km/h em vias urbanas e 30-40 km/h em vias arteriais. Como exemplo, o superintendente apontou o sucesso da readequação da Avenida Bonocô (de 70 para 60 km/h) resultando em zero sinistros fatais em 2025, sem impactar o tempo de viagem, já que a velocidade média real já era baixa.

"A OMS tornou os sinistros do trânsito como questão de saúde pública. As pessoas ficaram com mais pressa e a gente readequa a realidade atual. É uma questão impopular e as pessoas não veem mesmo com a gente mostrando que é importante para salvar vidas. No dia a dia, a velocidade média é inferior à velocidade máxima permitida”, disse.

Combater o excesso de velocidade é primordial na avaliação de Suraia Lago, que explica o fenômeno conhecido como ‘Velocidade Operacional Induzida pelo Desenho Viário’, no qual o condutor ajusta sua velocidade não apenas à sinalização regulamentar, mas principalmente à leitura que faz do ambiente.

“Nessas condições, o excesso de largura das faixas e a ausência de elementos moderadores de tráfego [traffic calming] reduzem a percepção de risco e aumentam a sensação de conforto ao dirigir em velocidades mais elevadas. Como consequência, excesso de velocidade, mudanças bruscas de faixa e menor atenção à presença de pedestres e ciclistas. Do ponto de vista da segurança viária, há uma relação direta entre velocidade e gravidade dos sinistros, especialmente nos casos de atropelamentos”, explicou a engenheira de tráfego.

NA AVENIDA BONOCÔ, FAIXA PARA MOTOCICLISTAS foi implementada em 2025
NA AVENIDA BONOCÔ, FAIXA PARA MOTOCICLISTAS foi implementada em 2025 - Foto: Olga Leiria / Ag. A TARDE

Desde 2013, dezenas de localidades de Salvador passaram por adequações na velocidade máxima permitida.

  • Adequação para 30 km/h (em frente a escolas)

Bonfim, Patamares, Rua da Bélgica, Rua Henrique Dias, Alphaville, Instituto dos Cegos, Praça Ana Lúcia Magalhães, Rótula da Feirinha, além de trechos em frente a escolas.

  • Adequação para 40 km/h

Av. Dendezeiros do Bonfim, Av. Estados Unidos, Av. Milton Santos, Av. Sete de Setembro, Rua Farol de Itapuã, Rua Sabino Silva, Estrada do Coqueiro Grande, e regiões de trânsito calmo da Barra, Rio Vermelho e Pituba.

  • Adequação para 50 km/h

Av. Caminho de Areia, Av. Dorival Caymmi, Av. General San Martin, Av. Oceânica, Av. Paulo VI, Av. Professor Manoel Ribeiro, Av. São Cristóvão, Rua Cônego Pereira, Rua Oswaldo Cruz, Rua Silveira Martins, Rua Capitão Melo.

  • Adequação para 60 km/h

Av. 29 de Março, Av. Afrânio Peixoto, Av. Amaralina, Av. Antônio Carlos Magalhães, Av. Barros Reis, Av. Centenário, Av. Heitor Dias, Av. Juracy Magalhães Júnior, Av. Orlando Gomes, Av. Presidente Castelo Branco, Av. Prof. Magalhães Neto, Av. Prof. Pinto de Aguiar, Av. Tancredo Neves, Av. Vasco da Gama, Rua Fernando Menezes de Góes, Av. Octávio Mangabeira (Pituba, Boca do Rio e Pituaçu), Av. Reitor Miguel Calmon.

Qual foi o número de mortes no trânsito em Salvador em 2025?

Em 2025, Salvador registrou 132 mortes no trânsito, uma redução de 11% em comparação ao ano anterior.

Quais grupos têm mais vítimas fatais no trânsito de Salvador?

Os motociclistas lideram as estatísticas de vítimas, com 75 mortos e 3.550 feridos em 2024, representando 50,7% do total de mortes.

Quais fatores contribuem para o aumento de acidentes de trânsito na cidade?

O excesso de velocidade e a falta de proteção, especialmente entre motociclistas, são fatores primordiais que elevam o risco de sinistros.

Quais avenidas em Salvador têm maior número de acidentes fatais?

As avenidas com mais registros de mortes são a Afrânio Peixoto, o Corredor da BR-324 e a Avenida Luís Viana Filho (Paralela).

Que medidas estão sendo tomadas para melhorar a segurança no trânsito em Salvador?

A Prefeitura planeja regulamentar velocidades em novos pontos, ampliar áreas de trânsito calmo e promover campanhas educativas para aumentar a segurança viária.

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