SAÚDE
Banco de Leite do Hospital Geral Roberto Santos enfrenta estoque crítico
Esses bebês dependem exclusivamente dos bancos de leite, pois suas genitoras não estão produzindo leite ou não podem dar de mamar
Por Marcela Magalhães

O Banco de Leite Humano do Hospital Geral Roberto Santos (HGRS), que faz atendimento de bebês prematuros e de alto risco, está com seu estoque em situação crítica. Atualmente, a unidade tem distribuído apenas um litro de leite materno por dia, enquanto a demanda diária é de, no mínimo, 3,5 litros para atender a cerca de 50 recém-nascidos internados, muitos deles prematuros e com problemas respiratórios. Esses bebês dependem exclusivamente dos bancos de leite, pois suas genitoras não estão produzindo leite ou não podem dar de mamar por questões médicas.
A escassez tem gerado preocupação entre os profissionais de saúde da ala da maternidade, devido à importância do leite materno para a recuperação e desenvolvimento saudável dos bebês. Dos 50 recém-nascidos internados, apenas 10 estão recebendo o leite humano, prioritariamente aqueles que se encontram em estado mais crítico de saúde. A meta do banco de leite é coletar de 4 a 6 litros por dia, quantidade que não tem sido alcançada para atender a demanda atual. "O leite humano é fundamental, principalmente para os bebês prematuros. Quando não conseguimos fornecer o leite do banco, substituímos por fórmula infantil que não tem os mesmos benefícios e pode até ocasionar alergias alimentares", explica Ana Carolina Meireles, enfermeira assistencial e responsável pelo banco de leite. O principal motivo para o déficit no estoque é uma queda nas doações externas, especialmente em períodos de férias e viagens, quando muitas pessoas que amamentam e costumam doar estão ausentes ou com a rotina alterada.
Para doar é preciso estar amamentando e produzir leite excedente. Além disso, o hospital realiza uma avaliação prévia da saúde da doadora, incluindo exames sorológicos e um questionário sobre o histórico médico. “Não é doadora de leite só a pessoa que está com bebê recém-nascido, se for um bebê de dois, quatro, dez meses, um ano, e ela tiver com leite excedendo, em que o bebê mama mas ela continua com leite no peito, ela pode sim ser uma doadora. Basta estar saudável e com bons resultados dos exames”, explica a responsável pelo banco de leite. Mães interessadas em contribuir podem fazer o cadastro, tanto presencialmente no banco de leite quanto por telefone ou aplicativo de mensagens, caso a coleta seja domiciliar. Ana Carolina esclarece que, para as doadoras externas, o HGRS oferece todo o suporte necessário, incluindo orientação sobre como realizar a coleta de leite, seja com bomba ou manualmente, além de frascos esterilizados para armazenagem. O leite coletado no banco, após ser pasteurizado, pode ser armazenado por até seis meses, possibilitando que os bebês continuem recebendo o leite materno durante a internação.
Para ajudar a manter o banco de leite abastecido, o hospital está promovendo campanhas durante o ano, com foco nos meses de maio e agosto, mas agora, diante da grave situação, intensificou a arrecadação em janeiro. "Estamos com leite para menos de 30 dias e só conseguimos atender 1/5 dos bebês", alerta Ana Carolina. Para mais informações sobre como doar leite materno ou para se informar sobre o processo de doação, as interessadas podem entrar em contato diretamente com o banco de leite do HGRS.
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