ALERTA
Pandemia da Covid-19 represou diagnóstico de casos de tuberculose
5,4 mil pessoas têm a doença na Bahia. Fundação referência alerta para importância do diagnóstico e tratamento

Cerca de 5,6 mil pessoas têm tuberculose na Bahia, 1.900 delas em Salvador, mas o número pode ser ainda maior. É que a concentração de esforços no combate à Covid-19 e a baixa procura da população para tratar outras enfermidades no sistema público de saúde, durante a fase mais aguda da pandemia, represaram o diagnóstico de casos da doença.
O alerta é do infectologista Eduardo Martins Netto, coordenador do Centro de Pesquisa, Aprendizagem e Inovação da Fundação José Silveira, referência no tratamento.
“Nós tivemos uma queda de 17% do número de casos em 2020 [em Salvador]. Os pacientes não procuraram o posto de saúde ou então procuraram e fizeram teste de Covid e foram mandados pra casa, porque o teste, obviamente, era negativo. Então, não houve um diagnóstico significativo diante do número de casos. (...) O sistema de saúde estava completamente voltado para o combate à pandemia”, disse Martins Netto, durante evento promovido pelo instituto, em Salvador, nesta segunda-feira, em comemoração ao Dia Municipal de Combate à Tuberculose.
De acordo com o médico, o avanço da vacinação contra a Covid-19 e o enfraquecimento da pandemia, houve retorno da população em busca de consultas e exames.
“O atendimento voltou aos postos de saúde e obviamente isso foi impactante no diagnóstico da tuberculose”.
Representantes do Ministério da Saúde participaram da solenidade. Denise Arakaki, da coordenação do programa Nacional de Controle da Tuberculose, disse aos jornalistas que a rede pública de saúde deixou de atender e notificar casos de tuberculose durante a pandemia, mas que o número de mortes, no entanto, não diminuiu.
“O que há é uma suspeita que as pessoas não conseguiram chegar para o diagnóstico, mas chegaram aos serviços para morrer. Isso sugere para nós que foi realmente uma dificuldade do acesso das pessoas ao cuidar”, afirmou Denise.
A representante do Ministério da Saúde destacou o “importante trabalho” da Fundação no combate à doença.
“Nossa vinda hoje é para prestigiar esse importante trabalho que a Fundação tem feito, mas também para a gente relembrar a importância de continuar discutindo esse assunto num Brasil tão moderno, tão tecnológico, e falando de uma doença tão antiga, tão secular”, destaca.
Situação preocupante
Durante o evento, foram apresentados números que retratam um cenário preocupante. Segundo dados do Relatório Global sobre a Tuberculose, elaborado pela Organização Mundial da Saúde, cerca de 10 milhões de pessoas no mundo têm tuberculose, a segunda doença infecciosa que mais mata no planeta.
O Brasil concentra 1/3 dos casos das Américas. No ano passado, o país registrou cerca de 72,6 mil novos casos, com 4,7 mil óbitos.
“Se a pessoa tem uma tosse nova, tosse por três semanas, que não àquela coincidente com a asma que a pessoa tem ou etc, mas uma tosse significativa, com aquela perda de apetite, dor no tórax, febre vespertina baixa, é muito importante buscar o posto de saúde. Nós estamos de portas abertas para atender esses pacientes”, diz o médico Martins Netto.
O número de casos da doença apresenta uma taxa de queda de 1% ao ano, enquanto a mortalidade é de 2% em média.
O IBIT (Instituto de Brasileiro de Investigação de Tuberculose), da Fundação José Silveira, atende ao público na ladeira do Campo Santo, na Federação, em Salvador, e no interior por meio de unidades móveis. Por ano, são realizados cerca de 1,5 milhão de atendimentos.
Além do evento, a programação da Fundação também contou com a realização de uma feira de saúde, na comunidade do Calabar, com atendimento gratuito nas especialidades clínica médica, pneumologia, infectologia, nutrição, além de exame de Raio-X do tórax.
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