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TURISMO

Barra Grande: entre a baía e o mar

JORNAL A TARDE

Por JORNAL A TARDE

30/03/2006 - 0:00 h

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A Península de Maraú, na Costa do Dendê, é um dos lugares mais belos e descontraídos do litoral baiano



Estacione na cidade de Camamu, pegue um daqueles barcos do tipo “popopó” e, sem pressa nenhuma, atravesse a terceira maior baía do Brasil (a bela Baía de Camamu). Uma hora e meia depois, desembarque no vilarejo de Barra Grande, tire as sandálias e relaxe em praias onde o metro quadrado é bem mais disputado por coqueiros e dendezeiros do que por visitantes.



A recomendação de deixar o carro bem guardado e seguir de barco é importante para quem não quer percorrer 90 km de areia numa estrada que, ironicamente, tem status de rodovia federal, a BR-030. Pelo projeto, deveria ser toda asfaltada até Brasília, mas... coisas do Brasil. Contudo, cresce o número de aventureiros que acham divertido pular e sacolejar sobre lombadas, buracos e até “mergulhar” em poças formadas pela chuva.



Para estes, a dica é seguir pela BR-101 até a altura de Ubaitaba e, de lá, encarar o trecho não-pavimentado da BR-030. Mas lembre-se de que o trajeto só é viável em um bom veículo 4x4. Outra opção não menos desafiadora é, a partir de Itacaré, embarcar o carro numa balsa, atravessar o Rio de Contas e seguir 50 km até a vila. Assim é Barra Grande, na Costa do Dendê, praticamente isolada dos centros urbanos pela Baía de Camamu e por estradas boas só para provas de rali.

  

FAMA – Estradas, aliás, que dividem opiniões num lugar que, há 10 anos, tinha como únicos forasteiros seus poucos veranistas. Há quem, do ponto de vista econômico, defenda a melhoria substancial do acesso por terra. Outros nem querem ouvir falar. Muito menos de asfaltamento, por acreditarem que isso sepultaria de vez o que sobrou de sua fama de “paraíso perdido”, divulgada a partir das sucessivas reportagens e fotos maravilhosas.



À medida que a região ganhou espaço no noticiário turístico, surgiram pousadas mais estruturadas e até mesmo empreendimentos maiores, como o Naturapura, um hotel com pinta de resort erguido numa área de 43 mil m² da Praia do Cassange. E o Kiaroa Beach Resort (a 5 km da vila), ainda maior: sua área tem 240 mil m² e possui até pista de pouso. Quem decola de Salvador aterrissa em 40 minutos. Ou seja, toma café em casa e já almoça na Pinínsula de Maraú.



Banhada por águas doces e salgadas



Barra Grande está na ponta da península e tem hospedagem para variados gostos e bolsos. Principalmente agora, na entrada do outono, é possível uma hospedagem mais econômica numa região que não poupa beleza aos olhos do visitante. Do lado esquerdo da vila, está a entrada da Baía de Camamu, com diversas ilhas e a Cachoeira do Tremembé, onde o turista toma banho sem mesmo sair da escuna ou da lancha. É como um grande chuveiro sobre a embarcação.



Do lado direito, a península foi brindada com 40 km de litoral onde destaca-se a Lagoa do Cassange (13 km da vila), rica em lanolina (boa para os cabelos). Há também o maior apelo turístico da região: as piscinas naturais de Taipu de Fora (7 km da vila), formadas na maré baixa, quando exibe corais e peixes coloridos. Na vila de Barra Grande, há pontos de saída de veículos 4x4 e carrocerias adaptadas para levar turistas a Taipu de Fora ao preço de R$ 5 por pessoa.



Brinde com cerveja divina



Se você é daqueles que têm vergonha de perguntar o preço das coisas, mude de comportamento assim que entrar no bar Graças a Deus, na vila da Barra Grande. Não é que tudo lá custe os “olhos da cara”, mas o valor de determinadas marcas de cerveja é capaz de empalidecer e fazer tremer as pernas do cliente mais distraído. A mais cara delas atende pelo sugestivo nome de Deus.



E sai pela “bagatela” de R$ 230 a garrafa. Isso mesmo, duzentos e trinta reais. Convenhamos, um preço realmente sagrado. Seus admiradores podem até encontrá-la por um valor mais... digamos, “em conta”, R$ 150. Mas têm que ir até São Paulo. É o que informou Ailton Tristão, que explora em Barra Grande a franquia do Graças a Deus (criado em Belo Horizonte). “Os gringos adoram e alguns brasileiros também”. Ele disse “alguns”.

  

PREÇO DO PRAZER – A fabricação da cerveja Deus começa na Bélgica e termina em Champanhe, na França, onde passa pelo mesmo processo da bebida que leva o nome da região. É como se fosse um champanhe de cevada, de alto teor alcoólico. Quem não está disposto a dar pela garrafa quase dois terços de um salário mínimo (salário mínimo? Será que o bebedor habitual desta cerveja sabe o que é isso?) tem, dentre várias outras opções, a alemã Ediger Weiss (R$ 12,90), a catarinense Eisenbahn (6,90) ou a fluminense Devassa (R$ 5). E saúde!



Recentemente, uma revista de circulação nacional incluiu a cerveja Deus no seleto grupo de 23 experiências que habitam os sonhos do hedonista pós-moderno. Hedonista é aquele que considera o prazer individual e imediato o único bem possível. A preciosa garrafa reina entre os charutos cubanos Cohiba (R$ 250, a caixa com três), o queijo suíço do Vale do Loire, na França (R$ 130, o quilo) e os cogumelos de ouro, encontrados em Alba e na Toscana por caçadores italianos e seus cães farejadores (5 mil euros, o quilo).



DICAS DE VIAGEM



  • Travessia - O trajeto pela Baía de Camamu é em águas abrigadas e tranqüilo em condições normais de tempo.
  • Transporte - O percurso Camamu-Barra Grande é feito em lanchas de linha regular, custa R$ 5 por pessoa e dura uma hora e meia.
  • Capacidade e horários - Na baixa estação, há saídas a cada hora, das 7 às 17h30. Na alta estação, começa às 6 horas. As lanchas têm capacidade, respectivamente, para 55, 70, 75 e 105 passageiros.
  • Lancha rápida - Faz o mesmo percurso em meia hora e sai com lotação de até seis pessoas, ao preço individual de R$ 25.
  • Mais caro - O trajeto idêntico, feito apenas por um casal em lancha particular, custa no total R$ 100.
  • Estacionamento - Há vários estacionamentos em Camamu para os interessados em deixar o carro e seguir de barco, com diárias entre R$ 6 e R$ 10.
  • Baixa estação - O guardador Delis dos Santos (tel. 73 8105-5655) cobra na baixa estalão R$ 6 a diária ou R$ 50 por 10 dias (R$ 5 por dia) em estacionamento coberto.
  • Alerta - É preciso escolher bem o estacionamento. Há aqueles que são seguros e outros nem tanto. Leve sempre a chave do carro.
  • Dinheiro - Leve em quantidade que achar suficiente, pois não há bancos nem caixas eletrônicos na península. Procure saber se a pousada na qual pretende ficar aceita pagamento em cartão (a maioria sim).
  • Traslados - Quem pretende se hospedar fora da vila com mais comodidade, deve verificar se a pousada faz traslados. SERVIÇO Como chegar
  • De ferry-boat - A partir de Salvador, atravessar a Baía de Sodos os Santos via ferry-boat e seguir 150 km até Camamu, passando por Nazaré e Valença. Para escapar da lentidão do sistema (55 minutos de travessia mais tempo de espera para embarque), outra opção é ir pelo continente, via BR-324, BR-101, BA-542 e BA-001, num total de 348 km.
  • De avião - Pela AeroStar (tels. 3204-1335 e 3377-1663) há saídas 4ª, 6ª e domingo às 12h30 e retorno às 13h30. A passagem custa R$ 336, o vôo dura 50 minutos e a aterrissagem é em Barra Grande, na Pista do Italianos. Para hóspedes do Kiaroa Beach Resort, a Bahia Táxi Aéreo (Bata - tel. 3272-1320) tem vôos 2ª , 4ª e domingo às 12h30 (retorno nos mesmos dias às 13h30).
  • Pacotes aéreos - A partir de quatro noites, o aéreo é gratuito; para período inferior, custa R$ 750 o casal (ida e volta). A viagem de avião dura 40 minutos. As diárias no resort custam de R$ 950 a R$ 2.150 (mais taxa de serviço) o casal, com direito a pensão completa (bebidas à parte no almoço e jantar). O pouso é na pista do Kiaroa.
  • Onde ficar - Barra Grande: Pousada dos Tamarindos (www.pousadadostamatindos.com.br), tel 73 3258-6064; Taipabas, tel. 73 3258-6285; Baía Sul (www.baiasulhotel.com.br), tel. 73 3258-6066; Pousada Compostela (www.pousadacompostela.com.br), tel. 3258-6270; Pousada Tubarão (www.barragrandeturismo.com.br), tel. 73 3258-6006; Pousada Fruta-Pão, tel. 73 3258-6083.
  • Onde comer - Barulho d’Água (pescados), Rua da Padaria, tel. 73 3258-6359; Matataúba (comida variada), Praia da Ilha do Campinho, tel. 73 3258-6265; Café Latino (comida variada), Rua Dr. Chiquinho, 19, tel. 73 3258-6188; A Tapera (pescados), Rua Dr. Lili, tel. 73 3258-6119; Tubarão (pescados), Rua Casco Neto, 92, tel. 73 3258-6006 e Restaurante Bom Jesus da Lapa (comida variada), Ilha o Sapinho, tel. 73 3258-2309. Panela da Barro (frutos do mar e comida caseira), três Coqueiros, tel. 73 3258-6162, e Uai Bahia (comida mineira e frutos do mar), Rua do Píer, tel 73 3258-6194.
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