TURISMO
Barra Grande: entre a baía e o mar
A Península de Maraú, na Costa do Dendê, é um dos lugares mais belos e descontraídos do litoral baiano
Estacione na cidade de Camamu, pegue um daqueles barcos do tipo popopó e, sem pressa nenhuma, atravesse a terceira maior baía do Brasil (a bela Baía de Camamu). Uma hora e meia depois, desembarque no vilarejo de Barra Grande, tire as sandálias e relaxe em praias onde o metro quadrado é bem mais disputado por coqueiros e dendezeiros do que por visitantes.
A recomendação de deixar o carro bem guardado e seguir de barco é importante para quem não quer percorrer 90 km de areia numa estrada que, ironicamente, tem status de rodovia federal, a BR-030. Pelo projeto, deveria ser toda asfaltada até Brasília, mas... coisas do Brasil. Contudo, cresce o número de aventureiros que acham divertido pular e sacolejar sobre lombadas, buracos e até mergulhar em poças formadas pela chuva.
Para estes, a dica é seguir pela BR-101 até a altura de Ubaitaba e, de lá, encarar o trecho não-pavimentado da BR-030. Mas lembre-se de que o trajeto só é viável em um bom veículo 4x4. Outra opção não menos desafiadora é, a partir de Itacaré, embarcar o carro numa balsa, atravessar o Rio de Contas e seguir 50 km até a vila. Assim é Barra Grande, na Costa do Dendê, praticamente isolada dos centros urbanos pela Baía de Camamu e por estradas boas só para provas de rali.
FAMA Estradas, aliás, que dividem opiniões num lugar que, há 10 anos, tinha como únicos forasteiros seus poucos veranistas. Há quem, do ponto de vista econômico, defenda a melhoria substancial do acesso por terra. Outros nem querem ouvir falar. Muito menos de asfaltamento, por acreditarem que isso sepultaria de vez o que sobrou de sua fama de paraíso perdido, divulgada a partir das sucessivas reportagens e fotos maravilhosas.
À medida que a região ganhou espaço no noticiário turístico, surgiram pousadas mais estruturadas e até mesmo empreendimentos maiores, como o Naturapura, um hotel com pinta de resort erguido numa área de 43 mil m² da Praia do Cassange. E o Kiaroa Beach Resort (a 5 km da vila), ainda maior: sua área tem 240 mil m² e possui até pista de pouso. Quem decola de Salvador aterrissa em 40 minutos. Ou seja, toma café em casa e já almoça na Pinínsula de Maraú.
Banhada por águas doces e salgadas
Barra Grande está na ponta da península e tem hospedagem para variados gostos e bolsos. Principalmente agora, na entrada do outono, é possível uma hospedagem mais econômica numa região que não poupa beleza aos olhos do visitante. Do lado esquerdo da vila, está a entrada da Baía de Camamu, com diversas ilhas e a Cachoeira do Tremembé, onde o turista toma banho sem mesmo sair da escuna ou da lancha. É como um grande chuveiro sobre a embarcação.
Do lado direito, a península foi brindada com 40 km de litoral onde destaca-se a Lagoa do Cassange (13 km da vila), rica em lanolina (boa para os cabelos). Há também o maior apelo turístico da região: as piscinas naturais de Taipu de Fora (7 km da vila), formadas na maré baixa, quando exibe corais e peixes coloridos. Na vila de Barra Grande, há pontos de saída de veículos 4x4 e carrocerias adaptadas para levar turistas a Taipu de Fora ao preço de R$ 5 por pessoa.
Brinde com cerveja divina
Se você é daqueles que têm vergonha de perguntar o preço das coisas, mude de comportamento assim que entrar no bar Graças a Deus, na vila da Barra Grande. Não é que tudo lá custe os olhos da cara, mas o valor de determinadas marcas de cerveja é capaz de empalidecer e fazer tremer as pernas do cliente mais distraído. A mais cara delas atende pelo sugestivo nome de Deus.
E sai pela bagatela de R$ 230 a garrafa. Isso mesmo, duzentos e trinta reais. Convenhamos, um preço realmente sagrado. Seus admiradores podem até encontrá-la por um valor mais... digamos, em conta, R$ 150. Mas têm que ir até São Paulo. É o que informou Ailton Tristão, que explora em Barra Grande a franquia do Graças a Deus (criado em Belo Horizonte). Os gringos adoram e alguns brasileiros também. Ele disse alguns.
PREÇO DO PRAZER A fabricação da cerveja Deus começa na Bélgica e termina em Champanhe, na França, onde passa pelo mesmo processo da bebida que leva o nome da região. É como se fosse um champanhe de cevada, de alto teor alcoólico. Quem não está disposto a dar pela garrafa quase dois terços de um salário mínimo (salário mínimo? Será que o bebedor habitual desta cerveja sabe o que é isso?) tem, dentre várias outras opções, a alemã Ediger Weiss (R$ 12,90), a catarinense Eisenbahn (6,90) ou a fluminense Devassa (R$ 5). E saúde!
Recentemente, uma revista de circulação nacional incluiu a cerveja Deus no seleto grupo de 23 experiências que habitam os sonhos do hedonista pós-moderno. Hedonista é aquele que considera o prazer individual e imediato o único bem possível. A preciosa garrafa reina entre os charutos cubanos Cohiba (R$ 250, a caixa com três), o queijo suíço do Vale do Loire, na França (R$ 130, o quilo) e os cogumelos de ouro, encontrados em Alba e na Toscana por caçadores italianos e seus cães farejadores (5 mil euros, o quilo).
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