TURISMO
Expedição Chile: Reserva Malalcahuello é destino de aventura para visitantes

A Expedição Chile continua neste segundo dia de viagem com o foco em descobrir um destino de aventura ainda pouco explorado por brasileiros durante o verão. Por isso, voltamos ao aeroporto de Santiago para embarcar com destino à cidade de Temuco, capital da região de Araucanía, no sul do país.
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Antes do embarque, nos despedimos do nosso guia Alejandro Napoleoni, que enviou uma mensagem para os hermanos brasileños:
A viagem Santiago-Temuco dura pouco mais de uma hora. Em nosso voo, o perfil variava de famílias a grupos de jovens dispostos a explorar as atividades proporcionadas pela região, com seus vulcões, montanhas, lagos e muita história.
Do aeroporto de Temuco, cumprimos um trajeto de quase duas horas em uma van, com destino à Reserva Nacional Malalcahuello, nas proximidades da cidade de Curacautin. É lá que passaremos a maior parte desta jornada, descortinando paisagens que nos remetem a cartões-postais distantes das nossas fauna e flora brasileiras.
Na chegada, o primeiro choque de realidade: sim, é verão aqui também, mas o frio está de ‘doer os ossos’, principalmente para uma baiana-de-Salvador-acostumada-com-calor-o-ano-todo. O senhor simpático que conduzia a van, Victor, com quem já gastei um pouco do meu portunhol, perguntou se gostaríamos de descer para tirar fotos com o vulcão Lonquimay – esse nome ainda vai aparecer em outras oportunidades.
Claro que queríamos a foto, pois a paisagem já nos impressionava de dentro do carro. Prender a respiração, segurar o frio e fazer poses era o nosso desafio para interagir com aquele gigante de 2.800 metros de altura – isso sem contar os outros 2.500 metros acima do nível do mar, onde está localizada a região. Foi neste exato momento que percebi uma importante situação: o único casaco fino que trouxe não daria conta do recado. Mais abaixo explicarei como consegui sobreviver.
Estamos em fevereiro e o cume do Lonquimay ainda está coberto de neve. Um dos motivos é que, no ano passado, o inverno no sul do Chile durou de maio a novembro, o que prolongou a permanência do frio e do gelo.
A última erupção do vulcão foi em dezembro de 1988. Ele se mantém como uma das principais atrações turísticas, principalmente no inverno, atraindo inclusive brasileiros interessados em curtir a neve e aproveitar o Centro de Esqui Corralco.
Segundo Loreto Ramirez, representante do setor de marketing do Serviço Nacional de Turismo do Chile (Sernatur), somente no ano passado cerca de 130 mil brasileiros visitaram o Chile, sendo a maior parte no inverno.
“A maior quantidade de brasileiros chega aqui em julho. Fazem tudo o que tem a ver com neve. Eles vêm ver a montanha, porque não têm. O Brasil é o quarto no ranking de visitantes do Chile, atrás de Argentina, Peru e Bolívia, que são um mercado natural para nós, pois estão na fronteira”, destaca.
Mas as possibilidades do local nesta época do ano, com foco no turismo de aventura, ainda podem ser mais exploradas, ressalta Loreto. “Queremos atrair mais brasileiros no verão. Nós recorremos a cinco cidades: Porto Alegre, Curitiba, São Paulo, Brasília e Rio de Janeiro, que são que mais nos visitam. Salvador é uma cidade que está sendo incorporada a esta frequência, e esse ano vamos trabalhar a Bahia”, diz ela.
Voltando à Araucanía, o nome já sugere o tipo de vegetação que encontramos lá, mas somente quando chegamos perto das araucárias milenares é que percebemos a força que a natureza nos impõe. Tratei logo de trocar energia – em busca de calor – com uma delas.

Trekking noturno
Depois do primeiro contato com o Lonquimay e a araucária, deixamos as malas no Valle Corralco Hotel – o único localizado dentro da Reserva Malalcahuello, responsável pela programação de aventura nos arredores.
Primeira atividade: trekking noturno para conhecer as araucárias, muitas com mais de mil anos. Primeiro obstáculo: a combinação frio + casaco fino + sou da Bahêa. A recepcionista do hotel se compadeceu do meu drama e me emprestou um casaco que eles próprios usam, bem mais quente. Completei o look com três meias, duas calças, uma blusa grossa e ainda meu casaco fino para cobrir meu rosto. Lembre-se: o nariz é o primeiro que congela.
Roupa ok, lanternas na cabeça e algumas orientações rápidas, estamos prontos para seguir:
A caminhada é feita com o guia Gardy Espinoza, que vai detalhando as caraterísticas da vegetação até chegarmos à maior araucária das proximidades que, segundo ele, tem cerca de 1.800 anos. A explicação é que a árvore cresce apenas de 3 a 5 cm por ano e, por isso, é possível saber a idade por meio da altura que ela alcança.

Tivemos direito ainda a um abraço coletivo para medir a largura do tronco, que também impressiona. Além disto, o guia cita outros elementos que compõem a paisagem: a esta hora da noite, o Lonquimay estava coberto com muitas nuvens, o que atrapalhou nossa vista.
O trekking noturno é considerado de baixa intensidade, e pode ser feito por pessoas de todas as idades – que não sentem frio ou totalmente cobertas, como eu. O percurso também pode ser feito durante o dia e, se você só pretende dar uma olhada no ambiente, sem explicações mais aprofundadas, pode fazer sem o guia.

De volta ao hotel, estou aliviada pela sobrevivência na era do gelo e empolgada para a programação de amanhã, muito mais intensa e calorosa. Essa fica para o próximo post!
*A jornalista viajou a convite da JetSmart
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